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Sobre Turing, Unreal Tournament e ovelhas elétricas

7 anos atrás

dori_bla_27.09.12

Em 1950 Alan Turing propôs um interessante teste cujo objetivo era determinar se uma máquina poderia reproduzir o comportamento humano. A ideia era colocar uma pessoa para conversar por texto com dois computadores, sendo que um deles seria operado por outro ser humano e caso o usuário não conseguisse distinguir qual deles era uma inteligência artificial, então a máquina havia passado no teste. Eis que mais de 60 anos depois o experimento de certa forma foi replicado com sucesso, porém em um jogo eletrônico.

A façanha aconteceu em um campeonato de Unreal Tournament 2004 patrocinado pela 2K Games, onde três de pesquisadores da Universidade do Texas e o cientistas romeno Mihai Polceanu participaram com jogadores virtuais dotados de avançada inteligência artificial, conseguindo convencer um grupo de juízes de que tinham um comportamento mais natural do que o dos outros jogadores humanos.

Pontuando sempre que matavam um adversário, durante o torneio BotPrize cada participante de carne e osso tinha, além das armas tradicionais, uma que servia para marcar os outros como sendo um robô ou outra pessoa e no final foi constado que o UT^2 e o MirrorBot obtiveram uma taxa de humanidade de 52%, contra os 40% de média dos outros competidores.

A ideia é avaliar como podemos criar bots para jogos, que são personagens controlados por algoritmos de inteligência artificial, parecerem o mais humanos possível,” explicou Risto Miikkulainen, professor de ciência da computação e criador do UT^2. “Quando o teste de Turing para robôs de jogos começou, o objetivo era atingir 50% de humanidade. Demorou cinco anos para conseguirmos isso, mas o nível finalmente foi alcançado na semana passada e não foi por acaso.

Eu costumo defender a ideia de que a área dos games que mais precisa evoluir é a de inteligência artificial. Mesmo com gráficos tão bonitos e as simulações de físicas convincentes que temos hoje em dia, poucos são os jogos que nos passam a sensação de que os personagens controlados pelo computador possuem algum tipo de inteligência que no mínimo os faça ter algum instinto de sobrevivência e é muito bom saber que iniciativas como esta poderão fazer com que o comportamento daqueles com quem interagimos nos games se torne mais realista. Assim os replicantes finalmente estarão entre nós, nem que seja apenas no mundo virtual.

[via Phys]

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