Pelé acha que ainda não é hora de tecnologia no futebol, entende?

bicicletadodemonho

Não é que o Rei seja contra tecnologia em si, ele diz que se tivesse as chuteiras de hoje em seu tempo, teria feito o dobro de gols, alegação e tanto, mas com 1281 no currículo, ele pode.

A questão toda é o uso da tecnologia para determinar se um gol foi válido, se a bola saiu ou não ou se algum argentino maldito meteu a mão e desviou uma cobrança de falta.

Essa tecnologia não é nova, é usada em Tênis, Paredão, Vôlei e outros esportes disponíveis no Telejogo, mas ainda não é algo aprovado no futebol. O nobre esporte bretão talvez seja a modalidade mais avessa a inovações tecnológicas, mantendo-se fiel a suas 17 regras, basicamente o mesmo esporte que era em 1863 quando estas foram definidas.

As alterações são menores, como determinar que o juiz indique quantos minutos de acréscimo dará ao final de uma partida. Isso foi legal, acabou com oba-oba de juiz esticar 15 minutos (já aconteceu) até o time de sua preferência marcar um gol.

 

A palavra do árbitro continua soberana, mas ao contrário do Futebol Americano, onde o juiz usa ativamente as câmeras do estádio para tirar dúvida de lances, no Futebol Do Resto do Mundo isso é um grande não-não.

Uma das tecnologias que pretende mudar isso é a Hawk-Eye:

Usando câmeras, sensores e transponders dentro da bola ela se propõe a enviar em até 1/2 segundo para um receptor no pulso do juiz a informação se um gol é válido ou não, medindo em uma espécie de Tira-Teima em tempo real se a nega tá lá dentro.

Só que o Pelé (e a Fifa e um monte de gente) não concorda. Em um artigo ele defende que a pausa causada pelo juiz em dúvida, consultando um operador de câmera ou um computador pode interferir no ritmo do jogo, e no caso de um time armando um contra-ataque rápido a interrupção seria prejudicial.

Eu não gosto de balas (ou bolas) mágicas, e por mais tecnófilo que seja fico com pé atrás com soluções muito exageradamente perfeitas demais, mas pelo que entendi da posição do Pelé, o ritmo do jogo só seria interrompido se o juiz tivesse dúvida quanto ao gol, e a tecnologia teria o efeito danoso de dar ao árbitro esse benefício da dúvida.

Ou seja: Tendo como comprovar, o juiz iria duvidar mais da própria decisão, e recorreria à confirmação eletrônica.

Será? Quando há lances polêmicos assim o ritmo do jogo é naturalmente interrompido, o chororô é geral. Talvez a tecnologia acabe agilizando o jogo, diminuindo o tempo gasto justamente com os lances que levantam dúvidas e discussão em campo.

O argumento do Pelé tem seu mérito; a tecnologia, se mal usada pode prejudicar bastante o jogo, mas o argumento de que o futebol sobreviveu até hoje sem tecnologia não se justifica, pois o público tem acesso a esse tecnologia, visualiza o campo melhor que o juiz e identifica os erros de arbitragem, que tradição ou não, não deveriam mais existir.

O gênio escapou da lâmpada no dia em que inventaram o replay. Já é hora do futebol perceber isso. Entende?

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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