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A carreira em TI é desafiadora pois a todo momento surgem novas tecnologias e desafios. E um dos maiores desafios que um profissional pode encontrar é um projeto órfão que precisa ser terminado por motivos contratuais, mas tornou-se um estorvo para a empresa.
Ao longo dos anos, é fácil encontrar uma série de projetos com esses problemas em maior ou menor nível. Não sou um especialista em gerência de projetos, mas basta usar o bom senso para ver quando algo está absolutamente abandonado e a bomba cai justamente no seu colo. O único jeito é arregaçar as mangas e e evitar os erros cometidos anteriormente.
Existem algumas dicas para identificar se o pequeno "Papah Cuhas Teiro" foi designado a você:
- O marketing diz que o projeto é importante para a imagem da empresa: traduzindo, já está no prejuízo e precisa terminar a bodega logo;
- A gerência diz que o sisteminha está quase pronto e que só precisa de uns acertos, mas avisa que precisa dar um gás porque o cliente é chato. Traduzindo: já levaram tantas comidas de rabo do cliente que não há mais margens para erro e agora você é bola da vez;
- O gerente original do projeto não é o mesmo gerente atual;
- O desenvolvedor responsável está indo para outro projeto;
- Você é o terceiro ou quarto a assumir o sistema;
- Não há documentação que faça sentido ou seja útil: "documentoless";
- Quando alguém ouve o nome do projeto que você está assumindo e ri, prepare-se para dores de cabeça;
- Ao conversar com o cliente, ou ignoram você ou dizem que não tem tempo para conversar: até o cliente abandonou o projeto.
É muito complicado tirar um projeto do CTI. Normalmente, requer um comprometimento maior do profissional, ou seja, horas extras não-pagas. Mas se não há mais margem para erros e escolheram você, é porque confiam na sua competência. O melhor remédio sempre é a prevenção, mas nesse caso, tudo o que poderia dar errado, já aconteceu. A empresa precisa cumprir um contrato para evitar problemas na justiça e afetar a própria imagem no mercado.
A primeira coisa a se fazer, é esquecer metodologias de software. Nenhuma delas irá funcionar. Jogar fora o que já foi feito também não adianta, pois os custos já podem ter extrapolado o bom senso. É hora de apelar para o pragmatismo e descartar tudo o que não é essencial e focar no que realmente importa para fazer o sistema funcionar. Levante um histórico do projeto, releia o contrato, se o mesmo existe e converse com os envolvidos. Alguns sistemas páram de ser desenvolvidos porque os profissionais que detinham o expertise saíram do emprego.
Converse com o cliente para entender o negócio e a motivação do projeto, se possível. Veja quem detém o conhecimento de como o software deveria funcionar. Descubra quem são os responsáveis pela homologação e testes. Fale diretamente com essas pessoas por telefone, ou melhor ainda, pessoalmente. Nessas horas, e-mails são horríveis e nunca resolvem nada: fica um encaminhado e copiando o outro, num bate-boca sem fim.
Moral do Post:
- Projetos problemáticos exigem medidas drásticas: não tenha medo de criticar e agitar. Muitos projetos dão errado porque todos seguem uma mesma forma de trabalhar, como por exemplo: "o cliente não respondeu os meus 10 e-mails que eu mandei, desde a semana passada." ou "Telefonei e não me atendem, liguei 2 vezes, prometeram retornar e nada." Não aceite nada disso! Ligue 20 vezes e não tenha medo de educadamente chamar a atenção do cliente. Diga que você foi designado especialmente para resolver o problema e que precisa da colaboração de todos;
- Analise o código, veja quais são os maiores furos e peça ajuda! Assumir problemas sozinho não adianta. Projetos no CTI precisam que você tome atitudes, muitas vezes, antipáticas: chame a atenção para o problema e tente conseguir mais ajuda, mesmo que por breves períodos de tempo.
- Se querem realmente que o monstrinho seja entregue, crie uma força-tarefa, mesmo que por algumas horas durante a semana ou no Sábado;
- Marque reuniões presenciais ou por conferência e use o telefone. NADA de e-mails: não existe forma mais fácil de ignorar e fechar o canal de comunicação;
- Quem não tem expertise para programar, pode ajudar testando. Se a empresa não possui profissionais de teste, use os designers, estagiários e gerentes para usar o programa e reportar bugs. Uma forma simples é descrever o que estava fazendo e tirar uma impressão de tela. Juntar tudo num documento e mandar para um único desenvolvedor.
- Instigue as pessoas e seja o cara mais chato da face da Terra até tirar o projeto do CTI. Não tenha medo em chamar um gerente ou diretor para conversar. Documente, por e-mail, com cópia para as pessoas certas, todas as tarefas sendo efetuadas.
- Crie uma planilha de erros e resoluções, para manter o trabalho fluindo e não deixar duas pessoas resolvendo o mesmo problema.
Existem várias maneiras de resolver projetos problemáticos, mas repare que um dos maiores problemas surgem por falta de comunicação. A primeira atitude é certificar-se que estão todos na mesma página. Até a próxima.
Fonte: Bicalho's Memory About Fraked Up Projects
Poxa, realmente tirar projetos do CTI é um trabalho dos diabos, mas quando conseguimos é muito gratificante. Obviamente tirando a parte do recebimento financeiro ... que é desproporcional ao trabalho realizado
. Muito boa essa matéria
Você devia lançar um livro sobre gerenciamento eficiente de projetos!
Essas dicas estão sendo bem úteis!
Mexer num projeto com quase nenhuma documentação é mesmo um trabalho dos diabos, estou tendo que fazer engenharia reversa aqui para saber como funciona...
http://giseli.wordpress.com
Eu peguei um projeto no CTI, ainda está no CTI e tende a ficar pior ainda.
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Muita Pimenta para sua vida!
Primeiro Pro-Commenter da Blogosfera Brasileira.
faça parte do Silas
I Work All Night, I Work All Day, to Pay de Bills I have to Pay
Ain't it sad
Qualquer semelhança com o Princípio Dilbert, não é mera coincidência...
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Eu assinaria aqui, mas sou analfabeto.
Meu último "emprego" foi num projeto desses (depois "fundei" minha empresa(de TI
) e estou bem até hoje - o foco é outro, projetos pequenos/médios pra empresas pequenas/médias, baseados na web)
Fui contratado, serviço temporário, 2 meses... possibilidade de ser efetivado após o término... salário ÓTIMO.
É claro que não deu pra terminar em 2 meses exatos, foram 2 meses e duas ou 3 semanas... perdi mais de 8 quilos no período(não, eu nao precisava perder nenhum grama, sempre fui magro). Foi um trampo "olímpico".
Gostaram do meu trabalho, e me convidaram pra um contrato CLT
Contudo, eu estava tão estafado, e com um problemão pessoal extra empresa que precisava da minha presença constante pra ser resolvido, acabei sucumbindo e negando o convite.
Há que se gostar da profissão, mas se o negócio requer esforço sobre-humano, você deve pensar se vale a pena. Pra mim, qualquer coisa que comece a te tirar a saúde (física ou mental), não vale a pena. Por mais retorno financeiro que te traga.
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Concordo. Tiro por experiência própria.
Um dia como operador de Call Center, para NUNCA MAIS...
"Enquanto isso na Sala de Justiça...
O nome já diz tudo: HERDA!
Quando o projeto está no buraco, qualquer coisa boa que aconteça vai aparecer facilmente, logo um projeto destes é ótimo para:
1) Terminar de afundar um mau profissional, geralmente o primeiro Gerente de Projeto, e;
2) Fazer com que um bom profissional seja descoberto (no caso, o novo gerente) e mostre trabalho e competência.
Eu particularmente gosto de pegar projetos assim, é grande a possibilidade de se conseguir arrumar as coisas e sair muito bem depois.
E pense bem, você tem um bode expiatório, caso tenha que justificar alguma coisa errada... rsrsrs...
just my 2 cents...
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Get the facts.
Concordo com vc DomainAdmin.
Eu consigo trabalhar melhor sob pressão. datas, prazos esgotando, adrenalina a mil.
Principalmente quando a chefia dá carta branca pra fazer o que for necessário.
E sempre existem aqueles caras acomodados que precisam de uns B.O assim pra render mais.
Essa de fazer multirão já fiz muito.........
E depois de toda essa saga, você entrega um projeto feito as pressas e nas coxas (apesar de todo o planejamento pós-cagada que você descreveu), e depois é outro drama para mantê-lo.
Afinal, não só da entrega vive uma empresa de softwares.
Estou adorando cada uma das partes dessa série de relatos sobre trabalhos na área de TI! Agora que vou entrar de cabeça na área estou utilizando ele como um ponto de referência. Fico imaginando cada bomba que já passou an tua, a partir de cada relato.
em certos pontos, esse só deve ocorrer comigo qdo eu for um bom profissional na área, hauahua.
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http://f4lh4critic4.wordpress.com/ blee....og
Cara, seus posts sobre o tema estão muito bons! O meiobit precisava mesmo de alguma coisa assim!
Parabéns!
E esses projetos são bons mesmo pra dar um gás na carreira, no meu caso, não que eu esteja conseguindo tirar um sistema da UTI, mas, estou evoluindo, apontando erros de profissionais, vendo onde estão ocorrendo falhas...
Depois de 1 ano com problemas em aberto e que ninguém queria encostar neles tive que bater no peito por conta de uma cliente chata que não era tão chata assim (convenhamos ser ignorado por 1 ano é foda!) e assumir a budenga.
Mas há retorno, aumento, promoção, mudança de setor, reconhecimento por parte da chefia....
Como todos nos comentários estão dizendo: Seus posts são muito bons.
Nos últimos posts sempre que vejo seu nome como autor eu paro tudo o que estou fazendo para ler.
Parabéns pelo ótimo conteúdo!
Ótimo artigo!