A proposta genial apareceu no XVIII SENDI (Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica), que acontece até amanhã em Olinda, Pernambuco: substituir medidores de energia convencionais por outros, "mais avançados", que operariam o corte e a religação do usuário através de uma interface Bluetooth.

Do comunicado à imprensa: "A sugestão é da Companhia Energética do Ceará (Coelce), e foi pensada para diminuir o estresse do consumidor e garantir mais segurança e facilidade na operação, evitando quedas ou outro tipo de acidentes com a manipulação da energia".

Vejamos: há anos as concessionárias desistiram de utilizar o mesmo sistema de cartões telefônicos para implantar um sistema "pré-pago" de controle da energia elétrica em pequenos consumidores rurais e urbanos, alegando justamente a "falta de segurança". Agora, preocupados com essa mesma segurança, querem implantar um sistema via Bluetooth!

Sou só eu ou há mais alguém aí imaginando a farra que será nas repúblicas de estudantes de engenharia elétrica?

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magno's picture

"Sou só eu ou há mais alguém aí imaginando a farra que será nas repúblicas de estudantes de engenharia elétrica?"

O sinal não seria de certa monta criptografado não?

Eu só fico preocupado com o alcance limitado do sinal. Mesmo não precisando de interação física, o técnico precisaria ir no local ligar/desligar.

laertesss's picture

Pois é, sem detalhes é difícil dizer, ainda mais que eu não sei dizer como é feito o corte de energia atualmente, eles cortam o fio? arrancam o wattimetro? derrubam o padrão?

Esse sistema é eletrônico, e para o corte, o técnico tem que ir até o local e mandar um "sms" pro contador cortar a energia, sei lá. Se proibirem o acesso ao hardware, pode ser que não tenha tanta falta de segurança assim, se bem implementado é claro.

"Sou analfabeto, não sei assinar."

H123er's picture

Será que inventaram o dispositivo pronto para quando bater palmas acender as luzes??? Sticking out tongue

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"Nada é Impossivel o Impossivel Só demora mais um Pouco"

trabalhevoce's picture

Eu penso que isso não vai funcionar,hoje em dia tem jeito de hackear tudo

manuelB's picture

Inclusive o medidor convencinal.
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Dodge this!

Tango's picture

Esse nem se fala. Tecnologia de 50 anos atrás, QUALQUER UM consegue fraudar um medidor eletromecânico.

Felizmente o setor já está no caminho da medição eletrônica, e isso é uma direção sem volta.

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Tango's picture

Putz, você está no SENDI, Marcellus? Era para eu estar aí, mas acabou que tive que apagar uns incêndios e outra pessoa foi no meu lugar.

Essas idéias "brilhantes" sempre aparecem aqui e acolá. Veja que foi uma "sugestão", logo, ninguém ainda parou pra pensar nas consequências.

A empresa onde trabalho tem um produto com vários projetos-piloto no Brasil, utilizando tecnologia GPRS/PLC (PLC para "the last mile") com teleleitura e telecomando, inclusive de corte e religamento. Além de ser mais seguro que o uso de BT, as operações são feitas do Centro de Medição, sem necessidade de ir ao campo. O tempo médio entre o envio do comando e a execução da ação é de 32s.

Se quiserem, posso falar mais disso. INCLUSIVE, este sistema está sendo demonstrado no SENDI, então se você estiver aí, dá uma passadinha que tem coisa bem interessante.

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Marcellus Pereira's picture

Não, não estou não... larguei essa vida há uns... 10 anos. Laughing out loud

E marcellus... Você sempre com essa visão de estudantes de eng eletrica são maus.. Aqui no predinho dos goianos não ia acontecer nada não.. hehaehaheha Primeira fetin seguinte a implantação ia aparecer alguem com um projeto pra burlar.. hahahaha

xultz's picture

A questão está distorcida.
Primeiro, o sistema pré-pago tem uma severa restrição ao usuário final, muitas pessoas acreditam que ficar sem luz porque o cartão acabou é muito pior que ficar sem o celular. Aqui onde trabalho foi feito alguns pilotos de energia pré-paga, mas as concessionárias acharam imprudente implantar no mercado.
O sistema de corte e religação remoto é uma necessidade, e aqui também estamos desenvolvendo um sistema de telemedição e comando via PLC, inclusive, preciso fazer a placa PLC funcionar, está em cima da minha mesa Smiling
A idéia via BT é bastante interessante, porque em regiões mais pobres realizar o corte de luz é um risco de vida, via BT o corte é feito sem que ninguém saiba quem fez. É claro que prá tudo tem o jeitinho, inclusive o bom e velho gato (muito mais fácil que hackear o protocolo). Isso é o que as concessionárias chamam de perdas não-técnicas, ou seja, provocado de propósito por outras pessoas, e estas iniciativas todas tentam diminuir as perdas não técnicas, mas não foi encontrada ainda uma solução definitiva para eliminar por completo estas perdas.

Tango's picture

Hum, acho que você é concorrente meu. =)

Muito boa sua experiência, só discordo do que você falou sobre as concessionárias acharem imprudentes a implantação.

NA MINHA EXPERIÊNCIA, várias delas estão buscando incessantemente uma solução assim, só precisam de um sistema e de idealizar a estrutura e o modus operandi para tal.

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xultz's picture

Sim, na verdade é exatamente isto. O que eu quis dizer é que o produto foi desenvolvido, porém acharam imprudente com o modelo de negócio proposto, onde iriam oferecer o sistema pré-pago aos usuários e trocar os medidores dos que queria. Só que prá isso precisariam produzir um lote inicial, e acharam o modelo insipiente demais para dar este passo, demanda uma pesquisa mercadológica maior, porém aparentemente a energia pré-paga vai se tornar uma realidade mais cedo ou mais tarde. Foi isso que eu quis dizer com imprudência: pegar este produto e tentar enfiar no mercado. Se por algum motivo o consumidor reclamar, acender as tochas e se revoltar com o modelo, pode inviabilizar o sistema pré-pago por muito tempo, mesmo que depois o sistema seja melhorado e corrijido, porque o filme foi queimado.

shimatai's picture
Quote:

É claro que prá tudo tem o jeitinho, inclusive o bom e velho gato (muito mais fácil que hackear o protocolo)

Onde eu moro é impossível se fazer gato sem levar processo por furto. Os medidores nos postes dizem quanto de energia foi enviado para cada residência, então o que o fiscal faz é ler o poste e conferir com o relógio da casa, se não bater os valores, o cara tem gato e ele abre chamado na concessionária pra averiguar o gato. Se constatado existência de gato, a empresa entra com ação judicial por furto de eletricidade.

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"Uma pessoa inteligente resolve um problema, um sábio o previne." Albert Einstein

"Sou só eu ou há mais alguém aí imaginando a farra que será nas repúblicas de estudantes de engenharia elétrica?"

República de engenheiro já é farra.

leoreinaux's picture

Nem sabia desse evento que estava acontecendo aqui bem perto

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Inovação e negócios na era da internet
www.inovacaoenegocios.com

manuelB's picture

Ô Marcellus... tu sabe os detalhes do projeto por acaso?
Até sinal de fumaça fica seguro depois de uma boa camada de criptografia em cima.

Já soube de vários casos do sujeito ir cortar energia num local mais "boca braba" e depois que o cara subiu na escada o cara grita lá de baixo com uma arma na mão... "vai descer ou quer que eu ajude"?

Se o cara puder passar de carro na frente e desligar via bluetooth e saltar fora é muito melhor.
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Tango's picture
manuelB disse:

Se o cara puder passar de carro na frente e desligar via bluetooth e saltar fora é muito melhor.

Defasado. Com as tecnologias atuais o cara pode fazer o corte do conforto do centro de medição, com cadeiras giroflex e ar-condicionado.

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xultz's picture

Pois é, mas a que custo? O PLC de longo alcance não é ainda uma opção tecnicamente viável.

Tango's picture

Baixo. O PLC é somente a última milha (para a tecnologia urbana - existe PLC para rural que chega 30km) o canal de longo alcance é GPRS. A taxa estimada é de 3MB por mês para 2000 pontos.

Ou seja, viável. E indo mais longe, poderia ser 50MB por mês, as concessionárias estão desesperadas por soluções de telemedição e telecomando massificadas.

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Não só das elétricas, mas qualquer estudante de Física também saberá fazer umas gambiarras.

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