No início desse mês muitos gamers brasileiros foram surpreendidos com a notícia de que o projeto de lei 170/06, aquele de autoria do ilustre senador Valdir Raupp (PMDB-RO) que pretende tornar crime o comércio de jogos ofensivos aos "costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos."
Então saiba que recentemente a Abragames divulgou uma carta pública (PDF) onde se mostra totalmente contra a iniciativa, afirmando que os jogos não estão sendo tratados como outras formas de entretenimento como livros, filmes e músicas. Segundo eles, o projeto de lei vai contra a nossa constituição, que garante a liberdade de expressão.
Outros pontos criticados são a aparente falta de conhecimento em relação a classificação etária que os jogos já recebem no Brasil e que se for aprovada, a lei deverá tornar ainda menor nossa indústria, já que apenas 6% dos jogos comercializados no país são originais.
Embora possa não ter nenhum peso no desfecho desta história, acho extremamente importante uma grande entidade se mostrar contrária a proposta do político e só lamento o fato de algumas gigantes do ramo já instaladas no Brasil não terem feito o mesmo, pelo menos não que eu tenha tomado conhecimento.
"Carta aberta à população brasileira sobre o PLS 170/06.
A Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames), como representante do setor de produção de jogos no Brasil, sente-se no dever cívico de protestar contra a potencial censura dos jogos digitais proposta pelo projeto 170/06, de autoria do excelentíssimo senhor Senador Valdir Raupp, do Estado de Rondônia, aprovado pela Comissão de Educação (CE) e encaminhado para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Como publicado em 01 de Dezembro no sítio do Senado Federal e amplamente divulgado por veículos especializados no Brasil e no mundo, o projeto "torna crime a fabricação, importação ou distribuição dos jogos considerados ofensivos".
Esta carta tenta esclarecer quatro pontos a respeito do projeto:
- primeiro, de que o discurso ignora a criação artística em jogos digitais, tratando-os de forma diferente de outras mídias, como por exemplo filmes, livros, música e emissões de televisão; segundo o Artigo 20 da Lei 7716, de 5 de janeiro de 1989, que o projeto propõe alterar, a prática de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional já é crime caso cometida por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza;
- segundo, parece-nos que, em função do julgamento das obras de arte em questão, o projeto pode ser contrário aos parágrafos IV, VIII e IX do Artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988, que somam a indicar a liberdade de expressão, da manifestação do pensamento, da crença filosófica ou política e da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação; ou seja, há o risco de que o projeto abra margens para a prática de censura no País;
- terceiro, o projeto parece desconhecer ou crer insuficiente que jogos, assim como qualquer obra audiovisual publicada, já recebam no Brasil eficiente classificação indicativa, fornecida pelo Ministério da Justiça, por meio de seu Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação;
- quarto, o projeto é sobretudo ineficiente para o fim que propõe, pois parece desconhecer o mercado de jogos digitais no Brasil ao tentar tornar crime trabalhos que, em apenas seis por cento (6%) dos casos, segundo estimativas da própria Abragames, são atividades legais. Ou seja, estima-se que noventa e quatro por cento (94%) do comércio de jogos no Brasil já seja atividade ilegal, por se tratar de pirataria ou importação não registrada. Neste caso, o projeto tenderia a reduzir de seis por cento de a zero por cento a atividade legal para os jogos (correta ou incorretamente) julgados, o que na prática não reduziria o consumo de tais produtos no Pais, mas poderia aumentar o volume absoluto de produtos ilegais consumidos.
Em nome da Indústria Brasileira, afirmamos que o objetivo é de fato respeitar a Constituição e cada uma das Leis de nosso sistema regente. No entanto, é nosso receio que a má interpretação do texto em questão possa gerar censura. Vale lembrar que a simples divulgação de nota sobre o projeto pela imprensa internacional já dificulta a ação de exportação da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, essencial para a manutenção de importantes empregos e geração de valores no País. Pelos argumentos listados, a Abragames solicita aos Senhores Senadores, em especial aos senhores relatores do projeto na CCJ que não dêem suporte ao projeto. A comunidade de produtores de jogos entende que as atuais regras colocadas pela Lei 7716 de 1989 já são suficientes para evitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Com agradecimentos, subscreve-se em nome da Abragames com muita consideração,
André Gustavo Gontijo Penha
Vice-presidente de Relações Públicas, Abragames."
[via Uol Jogos, com dica do leitor ChronoGlenn]
Isso mesmo! Ele está correto! Não quero essas coisas interferindo nos meus costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos. Pensou já o que isso pode fazer com meu funk com putaria? Melhor deixar ele puro e de raiz do jeito que está. Daqui a pouco vão até falar de educação e essas coisas não importantes.
Gostei da posição do André Penha, estava com medo deles ficarem quetos em relação a isso.....
se for assim nem simcity vai poder ser vendido, pq tu pode destruir escolas/igrejas, colocar fogo em hospitais etc etc...
the sims tb, pq afinal fazer os personagens andarem nús, pode simplesmente ser contra o credo/religião de alguma pessoa...
essa lei é simplesmente ridícula... a frase "costumes e às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos." da uma brecha mtoooo grande para qualquer um entrar com algo contra algum jogo...
imaginem um jogo pós apocaliptico onde o cristo redentor foi quebrado, como fazem nos filmes, AH SIM não vai poder, pois seria um absurdo e contra a religião de alguem...
lei completamente ridicula, como tudo nesse país...
Só no Brasil mesmo, tantas coisas muito mais importantes para se fazer neste pais e este senador fica perdendo tempo com um projeto de lei ridiculo.
Deveria mesmo é criar uma lei de insentivo para criação de jogos brasileiros, para tentar pegar um pouco do farelo da fatia desda industria.
Daqui a pouco vão querer limitar até o volume dos nossos fones de ouvido.
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Como aqui é comum se imitar tudo que fazem lá fora, acho altamente provável :P
É como a carta diz: '' o projeto é sobretudo ineficiente ''. Vão classificar isso e aquilo como sendo ruim e ilegal, enquanto que a pirataria tende a crescer. Seguindo padrões humorísticos: FAIL
Sou totalmente a favor do projeto de lei ,afinal game não é coisa de deus rs
Seu comentario foi meio idiota, pois a primeira religião citada no projeto de lei foi o satanismo, onde nao devemos ter preconceito com ela
Acho que ele nao é considerado religião, mas ta valendo
Esqueceu de ligar o seu?
i
agora já era
lerdão de sono
acontece :)
Não sei se eles sabem, mas novelas são muito mais manipuladoras do que jogos. Acho que eles deveriam se preocupar com outras coisas muito mais importantes, como a própria pirataria citada na carta.
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Dori.. favor informar o partido e estado pelo qual ele é senador.
Como já havia dito no outro post, acabei esquecendo, mas atualizei lá.
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Então vamos proibir o futebol também, já que é uma forma de entretenimento que causa muito mais mortes e prejuízos do que os jogos eletrônicos.
e também senadores, eles ofendem meus bons costumes }:)
Infelizmente são muitos os fatores que não deixam a indústria brasileira crescer, esse será apenas mais um.
Continuarei importando meus jogos do Ebay e afins ou trocando nos fóruns da vida, comprar jogo oficialmente aqui no Brasil é uma piada.
Quem não deve estar feliz é a Sony que nã faz uma semana deu um empurrão na venda de jogos oficiais, baixando o preço de vários deles.
Piada ! É nessas hora que fica evidente o nível do nosso legislativo !
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