O BeOS morreu? Viva o Haiku
Um novo sistema operacional de código aberto está surgindo. Trata-se do Haiku, que é inspirado no extinto BeOS.
Quem já testou as versões preliminares considera o Haiku um produto leve e que inclui boas soluções. Uma delas é o sistema de arquivos OpenBFS, escrito em C++ e implementado por Bruno G. Alburquerque, brasileiro que trabalha nas equipes de desenvolvimento do Google . Albuquerque concedeu a este blog a entrevista abaixo, na qual fala sobre o projeto do Haiku.
Pergunta - Após a compra da Be Incorporated pela Palm, em 2001, os usuários do BeOS ficaram sem perspectivas de melhorias e atualizações nos seus sistemas. Como surgiu o Haiku e o por que ele seguiu os passos do BeOS?
Albuquerque - O projeto Haiku (originalmente OpenBeOS) foi criado por Michael Phipps pouco tempo após a compra da Be pela Palm. O projeto iniciou com um grupo de usuários e desenvolvedores de BeOS que acreditavam que o mesmo era bom demais para desaparecer dessa forma.
P - Qual o seu envolvimento com o projeto atualmente? Existem outros funcionários do Google envolvidos nesse esforço?
Albuquerque - Iniciei o projeto como líder do componente OpenBFS (sistema de arquivos do Haiku), mas trabalhei em várias partes do OS como um todo. Hoje em dia, não sou tão ativo quando já fui, mas continuo trabalhando esporadicamente em vários componentes. Além disso, faço parte do time administrativo do projeto. Existem vários engenheiros do Google com interesse no projeto, mas imagino que no momento eu seja o único trabalhando ativamente nele.
P - O BeOS era conhecido por implementar inovações no campo multimídia. Implementando com tecnologias de multiprocessamentro simétrico, sistemas de arquivos de 64 bits com journal e arquitetura cliente-servidor. Quais são os diferenciais do Haiku nesse sentido?
Albuquerque - Todas as coisas boas do BeOS foram reimplementadas no Haiku. Além disso, fizemos uma série de acréscimos, como a melhoria do sistema de arquivos, compatibilidade maior com o padrão POSIX (que permite portar aplicações Unix para o Haiku), aperfeiçoamentos no kernel, suporte a ícones vetoriais, e por aí vai.
P – Por que a adoção da licença MIT?
Albuquerque - A idéia é bastante simples: se em algum momento alguém quiser usar partes do nosso projeto em outro que seja de código fechado, nós acreditamos que será do interesse dessa pessoa (ou empresa) nos ajudar também, já que isso vai acabar proporcionando mão de obra gratuita. De qualquer forma, mesmo que alguém resolva criar uma versão de código fechado do Haiku, a versão livre sempre vai existir. Essa é a coisa boa de ser open-source.
P - Quantas pessoas atualmente estão trabalhando no projeto?
Albuquerque - Imagino que tenhamos uns 20 engenheiros ativos espalhados pelo mundo todo. E mais uns 20 contribuidores esporádicos.
P - Após a saída do Michael Phipps do projeto, um comitê de transição foi estabelecido para dar continuidade. Como as pessoas podem participar do projeto? O que já foi denifido pelo comitê para que o projeto não acabe?
Albuquerque - Antes de qualquer coisa, o Haiku não vai acabar porque uma ou outra pessoa saiu. Enquanto o projeto continuar atraindo o interesse de ao menos um engenheiro disposto a lhe dedicar tempo, ele vai continuar existindo. O comitê de transição foi criado para que a organização por trás do Haiku, chamada Haiku Inc., que era presidida pelo Michael Phipps, pudesse ser tranferida da forma mais transparente possível para um novo corpo administrativo. Isso não afeta em nada o desenvolvimento do Haiku.
P - Existe uma lista de compatibilidade de hardware?
Albuquerque - Ainda não. Mas a maioria dos computadores mais recentes deve funcionar com o sistema, talvez não de forma plena. Assim que decidirmos lançar a primeira versão, que está próxima, criaremos uma base de dados com o hardware compatível.
P – Quais são os passos que você indicaria para quem quer desenvolver para esta plataforma?
Albuquerque - Sujar as mãos. Baixe o código (instruções no site do projeto), dê uma olhada nos bugs abertos e veja se consegue ajudar resolvendo algum. Esse é um bom primeiro passo até que você consiga contribuir de forma mais constante.
P - Há alguma data estabelecida para a próxima versão?
Albuquerque - A "próxima versão" vai ser, na verdade, a primeira versão pública. Ela deve ser lançada no futuro próximo, mas ainda será apresentada como uma versão alfa (com todos os recursos planejados, mas provavelmente ainda com bugs).
Para conhecer mais sobre o projeto Haiku, siga os links:
Site do projeto:
http://www.haiku-os.org/
Documentação:
http://www.haiku-os.org/documents (As APIs estão no Haiku Book).
Download:
http://www.haiku-os.org/downloads (Há versões inclusive de vmware)
Postado por - Luiz Henrique dos Santos Cruz - 25/02/2008 - 19:32
http://info.abril.com.br/blog/luizcruz/