Mitos: eles estão entre nós
Em seu ótimo “O mundo assombrado pelos demônios”, Carl Sagan conta como, conforme avançávamos nas descobertas dentro de nosso próprio mundo até o infinito e além, paulatinamente a humanidade foi substituindo mitos de aparições de santos e demônios trazendo mensagens ou machucando pessoas por mitos de extraterrestres idem. No auge da corrida espacial eram tantos homenzinhos verdes dando as caras no planeta Terra quando havia homenzinhos minúsculos em continentes perdidos amarrando marujos desavisados no auge das explorações marítimas.
Quando, inconscientemente, alguém deu por si que tantos os primeiros quanto os últimos mitos podiam ser frutos de um mesmo tipo de experiência, surgiram os deuses astronautas. Se todas aquelas experiências religiosas em eras passadas tinham por trás de si alguma explicação simples e racional, certamente é porque eram provocadas por… E.T.s! Se você nunca ouviu falar de Eric Von Däniken (não que vá fazer alguma diferença na sua vida a falta de conhecimento desta curiosa personalidade), saiba que foi este suíço um dos principais divulgadores desses mitos.
Neste início de século, depois de corridas espaciais dispendiosas, parece que não tão cedo retornaremos a explorar a fronteira final. Sondas, satélites e outros artefatos humanos circulam entorno da Terra e adiante, mas dificilmente a única forma de vida inteligente conhecida no universo vai ir muito além disso, pelo menos nessa geração. Pode parecer um cenário bastante desolador para seres curiosos como somos, mas acho que nossa jornada agora é outra. E os mitos, consequentemente, também.

Nicolelis é o Brasil na Copa
Pipocam todos os dias notícias sobre os avanços da robótica em conjunto com a neurociência. Elas vão desde mini robôs controlados por células cerebrais de ratos até exoesqueletos que permitem andar novamente quem perdeu movimentos e precisa de ajuda para coisas banais. O ASIMO, que no próximo dia 31 completa seus dez anos, e ainda surpreende, não por ser o robô humanóide mais avançado do mundo, mas porque o robô humanóide mais avançado do mundo, assim como um recém-nascido, ainda está literalmente dando seus primeiros passos.

ASIMO, Advanced Step in Innovative MObility
Esses dez anos de ASIMO me fizeram pensar num possível marco quanto ao estágio embrionário dessas pesquisas: a não existência de mitos a respeito. A literatura está cheia de especulações sobre um futuro com robôs e ciborgues, oferecendo tantos cenários possíveis que até leis específicas quanto aos limites comportamentais de um robô ela já nos ofereceu. Talvez porque esses avanços ainda não estejam ainda tão evidentes e presentes em nossas vidas, talvez porque o pensamento crítico humano esteja avançando em relação aos mitos (eu duvido muito). Os extraterrestres estavam/estão presentes numa época em que, apesar de a maior parte das pessoas não ter contato com estações espaciais, esses acontecimentos traziam grandes mudanças e estavam de alguma forma presentes. Os frutos exóticos e as especiarias vieram da mesma forma que nossos travesseiros de espuma “da Nasa” que não deforma.
Cada época teve suas explicações extraordinárias para fatos que a maioria da população não compreendia. Alucinações viraram espíritos, e depois santos, e depois ainda, extraterrestres. Mesmo depois de as alucinações terem sido fatiadas com a lâmina de Occam e terem encontrado sua explicação não tão emocionante, ainda há quem confunda tecnologia suficientemente avançada com mágica.
Isso me traz à memória um texto que circulava pelos emails nos anos 90 e alarmava os crentes no apocalipse de João: chips de identificação seriam usados no futuro para controle da população e seriam a Marca da Besta de que falava o homem da ilha de Patmos, conhecida pelos seus cogumelos alucinógenos. Vez ou outra essa lenda urbana (que é o nome que damos a mitos que ainda não fizeram aniversários o bastante) reaparece com outra cara. Uma hora são códigos de barras, outra são etiquetas de RFDI e, quem sabe?, logo chegará a vez dos QR codes.
Quais serão as alegações extraordinárias buscando explicar as maravilhas das tecnologias neuro-robóticas? Façam suas apostas!
Game baseado na mitologia judaico-cristã é lançado
Ocidentais que somos, adoramos ver com admiração e espanto a mitologia alheia e até mesmo nos apropriarmos dela para criar nossa ficção. Nossos amigos do outro lado do mundo também gostam de se apropriar de nossos mitos e lendas, que o diga a Mistureba Generalizada de Todas as Coisas em jogos orientais de RPG como Ragnarok e Zenonia – onde neste último bispos católicos e magos celtas vivem em harmonia, combatendo forças do mal em formas tão distintas quanto cthulhus e golens.
Claro que esse costume de pegar uma lenda de uma terra distante e modelar de acordo com as necessidades narrativas tem um motivo. Mexer com lendas ainda vivas e tomadas como verdade por 90% do público-alvo pode ser bastante prejudicial do ponto de vista econômico, e ofender os brios do cliente é a última coisa que um vendedor quer. Por isso, não é de se estranhar todo o cuidado com que Shane Bettenhausen pisa nos ovos ao falar do jogo que sua empresa vem promovendo, baseado na mitologia judaico-cristã e batizado de El Shaddai: Ascension of Metatron.
O estado da arte da tecnologia 3D. Em 1972.
Nos anos 70, quando os primeiros polígonos renderizados começaram a aparecer nos laboratórios de pesquisa e departamentos de P&D das universidades e empresas, o futuro da computação gráfica estava começando a se delinear. Até aquele momento, o máximo de gráficos gerados por computador de que se tinham notícia eram os osciloscópios das máquinas americanas e inglesas, restritos aos mesmos laboratórios já citados. Ao público, a interação com esses gráficos começaria bastante passiva, no cinema e em comerciais de televisão. E em videoclipes, claro.
(Sobre)Viventes da primeira década do século XXI, temos a oportunidades de apreciar o estado da arte da computação gráfica, e ainda de vê-la se construindo em tempo real diante dos nossos olhos em nossas próprias máquinas. Para quem se interessa pela história das coisas, é até emocionante ver o vídeo abaixo, onde Ed Catmull (nome bastante familiar para quem já usou qualquer software 3D na vida) e seu colega Fred Parke fazem experimentos no departamento de informática da Universidade de Utah.
40 Year Old 3D Computer Graphics (Pixar, 1972) from Robby Ingebretsen on Vimeo. Continue lendo »
Um HD cheio de arquivos confidenciais diretamente das mãos da Apple. True story?
Vocês conhecem a história do cara que perdeu um protótipo do novo iPhone. E a outra também. Se perder dois protótipos de um produto que ainda nem chegou ao mercado não é estupidez suficiente para uma empresa que preza pelo segredo em função de aumentar o hype e a expectativa por seus produtos, imagine então perder planos e estratégias, antigas e recentes, e tê-las às vistas de qualquer um?

É chegada a temporada de cabeças rolarem na Apple Inc. Segundo nos conta o Cult of Mac, um cara teve problemas com seu Time Capsule e levou-o a uma Apple Store de Connecticut para conserto e, alguns dias depois, foi chamado para buscá-lo de volta. Dado a um defeito no HD, o mesmo teve de ser trocado e, junto com o Time Capsule, ele levou um outro HD, supostamente o antigo, defeituoso. Chegando em casa e dando uma olhadinha no drive antigo, uma surpresa: centenas de arquivos confidenciais de Cupertino, com datas entre 2009 e maio de 2011!
Aparentemente, esses arquivos faziam parte de um backup da empresa, e entre eles estão documentos confidenciais, manuais internos, registros fotográficos e vídeos de atividades corporativas da Apple, coisas que apenas empregados devem ter acesso. Em uma nota ao rodapé da notícia, o Cult of Mac dá uma agulhadinha no Gizmodo (que prontamente respondeu às críticas em seu texto a respeito do ocorrido), fazendo referência ao contraditório episódio do primeiro iPhone sumido:
Originalmente, nossa fonte entrou em contato com o Cult of Mac esperando vender o HD contendo esses backups, e mandou-nos screenshots como prova. O Cult of Mac não paga por notícias, e especialmente não paga por coisas como informações confidenciais e protótipos de iPhones. Logo, o aconselhamos a devolver o HD à Apple, e nos oferecemos a ajudá-lo nesse processo caso ele estivesse nervoso. Não ouvimos mais falar dele desde então.

A imagem acima é um dos screenshots citados pelo Cult of Mac, enviados pelo cara que teve a sorte (ou azar, depende do ponto de vista) de receber das mãos da própria Apple o misterioso e recheado HD. Se a história for mesmo verdade, logo a Apple entrará em contato com o rapaz e ele ganhará um lindo par de sapatos de concreto para usar no fundo do oceano Pacífico certamente devolverá o disco, nem que seja sob processo judicial.
É, basta tio Jobs se aposentar pra confusão se instalar na Apple.
[via @graveheart no Twitter]
Inkling: o mais novo sonho de consumo dos ilustradores
Todo mundo que alguma vez na vida já trabalhou com ilustração não-digital e teve que transpor seu trabalho para o meio digital para fazer ajustes já passou por isso: desenha no papel, escaneia em alta resolução, trata no Photoshop, modifica o que der (geralmente de maneira muito limitada) e, dependendo do caso, desenha tudo de novo no mouse ou na tablet. Dependendo do suporte, da pressão sobre ele e do número de vezes em que a borracha foi usada, algum trabalho terá de se feito apagando eventuais marcas e borrões.
Apresentado ao mundo hoje, o Inklinkg propõe acabar com esse esforço considerável dos ilustradores e rabiscadores em geral. Trata-se de uma canetinha conectada a um receptor que utiliza tecnologias simples como infravermelho para captar os traços do artista e transformar em linhas vetoriais que podem ser posteriormente editadas nos Illustrators da vida. Com uma bateria de duração de aproximada de 8 horas, o Inkling possui limitação de tamanho que nem chega a ser um grande problema, aceitando desenhos de tamanho máximo equivalentes ao A4. Continue lendo »
Dez anos de Mac OS X
Em dez anos, o Mac OS X da Apple percorreu um longo e tortuoso caminho até se tornar o que é hoje. Antes do retorno de Jobs a Apple em 1997, a empresa já havia, sem sucesso, tentado desenvolver uma versão mais moderna de seu sistema operacional, que estava se tornando um verdadeiro bloatware instável e decepcionante.
Se por um lado o velho Mac OS não tinha os problemas de “plug and pray” do concorrente de Redmond, outros haviam para preocupar a cabeça dos macmaníacos.
Quando Jobs retornou, a Apple adquiriu a NeXT e, com ela, o NeXTstep. E então as coisas finalmente entraram nos eixos: o sistema UNIX-based da NeXT combinado à bela interface projetada pelo time de designers vigiados o tempo todo por Steve Jobs deram origem ao que hoje se conhece como Mac OS X, que ontem (24/3) completou seus dez anos de estrada.


