Shokonsai – resultado de um ensaio
Ano passado consegui realizar uma de minhas grandes metas aqui na região de Presidente Prudente. Conseguir montar um grupo, com apoio da Oficina Cultural Timochenco Webih, para registrar o Shokonsai na cidade de Álvares Machado. Se você quer saber um pouco mais sobre isso, é só dar uma olhada no texto que escrevi na época da finalização do ensaio.
Foi uma grande atividade, envolvendo um público diversificado e que agora vai finalmente se transformar em uma exposição. A intenção é que ela seja inaugurada durante o Shokonsai desse ano, mas ainda não está nada fechado. O que posso dizer é que, além do resultado já alcançado, creio que consegui montar um grupo fixo para continuar registrando o evento com o intuito de ter (daqui uns 10 anos) uma quantidade de material realmente representativa do que estamos querendo mostrar. Uma exposição mais rica ou um livro não estão descartados. Se até a Maria Bethania conseguiu patrocínio, por que a gente não pode?
Um bom ensaio deve sempre primar pela unidade temática, uma boa história a se contar, e pela sua unidade formal, uma estética própria que vai garantir uma boa ligação entre todas as imagens. Portanto, um trabalho produzido em grupo deve estar muito bem afiado para que não fique parecendo uma sopa de letrinhas ao final. O vídeo abaixo é o resultado do que conseguimos no ano passado. Antes que alguém jogue pedras no trabalho, cabe lembrar que essa foi a primeira tentativa e estávamos em um grupo extremamente heterogêneo. Diversas idades, diversas faixas de conhecimento cultural, diversos objetivos e, acima de tudo, diversos níveis de conhecimento fotográfico.
Pela primeira vez trabalhei com adolescentes e pessoas da terceira idade. Alguns com conhecimento avançado de fotografia e outros que não possuíam nem câmera. A experiência foi enriquecedora e divertida. Para o próximo evento o grupo está um pouco mais compacto, porém mais decidido. Novos resultados vão aparecer por aqui em julho.
Cédric Delsaux mistura, em fotos, o caos do dia-a-dia com Star Wars
Nascido em 1974, Cédric é mais um dos que começam de um jeito e se desencaminham para outro.
Estudou literatura e cinema em Paris, porém nunca trabalhou realmente com isso. Começou a trabalhar mesmo como copywriter para a indústria da propaganda, antes de se dedicar totalmente à fotografia, em 2002. Há quem diga que anos são necessários para que se faça algo com imagem. Há quem discorde disso.
Uma de suas séries de trabalho chamada “Here to Stay” procura alcançar o ponto que, segundo a sua visão, explica melhor o relacionamento entre o homem e a natureza. Tão bom foi o modo com que seu olhar foi recebido que em 2008 o trabalho foi publicado como uma monografia e teve um ótimo retorno.
Lomografia, Serigrafia e Pictorialismo
Lomografia
Talvez o título desse texto tenha deixado a maioria de vocês confusos, mas já explico do que se trata. Nessa semana que passou tive contato com duas discussões muito bacanas. A primeira, que teve até uma pequena pontinha aqui no Meio Bit, foi a respeito da Lomografia e da matéria do Jornal O Estado de São Paulo intitulada Noronha, Soi Lomo por Ti. A discussão chegou até os alto escalões do jornal, mas isso não é o principal. O que acho mais importante é que, embora muita gente leve na brincadeira e tenha um apreço pela estética da coisa, o movimento Lomográfico é sério e demonstra uma forma de expressão artística. Arte é fruto de um trabalho intelectual humano e deve (sempre) passar uma mensagem, um protesto, uma forma de ver o mundo. Nem todos os seres humanos estão preparados para entender e apreciar propostas artísticas. Isso depende do grau de instrução do observador e de sua sensibilidade. Você não é obrigado a entender a arte, mas deve respeitar o artista e o seu trabalho.
Fora a discussão se devemos respeitar ou não a Lomografia, se ela é arte ou não, o interessante é que quem pratica e leva a sério o movimento está criando fotografia sobre uma estética diferente. Nada de tentar ser apenas o registro de uma realidade, eles estão intervindo nessa realidade e produzindo algo novo, fora dos padrões. Só por esse motivo já vale a pena dar uma olhada nos trabalhos produzidos. Embora a fotografia digital tenha criado uma facilidade para a produção de imagens e favorecido que um número maior de pessoas tenha contato com a arte fotográfica, o número de imagens sem graça que encontramos nas redes sociais e sites de compartilhamento de imagens é absurdamente grande. Estamos produzindo imagens, mas não estamos passando nossa mensagem. A fotografia se distingue basicamente por ser uma junção de técnica e arte. Estamos muito preocupados com a técnica e estamos esquecendo a arte. Não estamos pensando antes de fotografar. Estamos nos tornado meros apertadores de botão. A facilidade do registro e sua aparente falta de custos estão nos tornando preguiçosos. Por isso que saímos de férias e voltamos com mais de 2 mil imagens (das quais ninguém tem paciência de ficar olhando) ou produzimos mais de 1500 fotos em um casamento onde apenas 50 serão aproveitadas. O pessoal da Lomografia pensa na estética e na composição antes da técnica. Por conta disso, muitos os acham malucos.
Exposição Fotográfica – Imaginando Sons
Olha que legal, uma idéia bacana e simples que vai gerar um evento muito interessante. O Grupo de Fotografia Fotochimas, juntamente com o Coro Municipal de Novo Hamburgo, vai realizar no próximo dia 28 de agosto no Um Café Conceito de Morro Reuter, o evento intitulado Um Click Sonoro. A idéia é simples (mas, genial). O grupo musical vai interpretar músicas clássicas do repertório da MPB nacional (Belchior, Chico Buarque, Skank e outros) e os fotógrafos mostrarão suas fotos, tentando ilustrar trechos das musicas que estarão sendo apresentadas.
Para sermos honestos, o evento foi criado pelo Coro Municipal de Novo Hamburgo e os fotógrafos do Fotochimas foram convidados a participar com a sua intervenção visual. Os fotógrafos envolvidos no projeto são Jorge Luís Stocker Jr, Angela Rodriguez, Diego R. Carraro, Elis R. Berndt, Fabiano Coelho, Grazi Oliveira, Gustavo Bresolin, Juliana Fleck, Luty Mota e Suzana da Luz. Para participar do evento, que também vai servir um coquetel, é necessário pagar um ingresso de R$ 15,00. Depois, a exposição intitulada “Imaginando sons, fotos com interferências musicais” ficará no local até o dia 11 de setembro. Ótima oportunidade para que os moradores da região possam participar de uma atividade diferente e animada (pelo menos para quem gosta de música e fotografia).
Intervenção fotográfica juntamente com música não é uma novidade. Antigamente, na chamada “Era Analógica”, fazíamos isso com slides e a sincronização com a música tinha que ser feita manualmente, com o operador da máquina trocando as fotos. Hoje, com a tecnologia, qualquer adolescente monta um slideshow no Movie Maker, mas as intervenções sérias nesse formato acabaram diminuindo drasticamente.
Informações sobre o evento podem ser conseguidas no telefone (51) 3569-1113.
19 de agosto – Dia Mundial da Fotografia
Hoje, 19 de agosto, comemoramos o Dia Mundial da Fotografia. Poderia escrever um longo texto sobre a arte, a imagem, memória e tantas outras coisas que me levaram a ser um fotógrafo, mas prefiro deixar os leitores com o pensamento e a obra de grandes fotógrafos. Os verdadeiros mestres da arte de compor e escrever com a luz.
“A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são”. – Peter Urmenyi
“De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório” - Henri Cartier-Bresson
“A máquina fotográfica é um espelho dotado de memória, porém incapaz de pensar” – Arnold Newmann
“O que a fotografia realmente é: um tênue suporte de papel ou plástico sobre o qual se deita o desejo da memória” – Luiz Guimarães Monforte
“No ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” – Ansel Adams
“Treine seus olhos para capturar a história que seu cérebro quer contar” – Vered Koshlano
“Nunca fique completamente satisfeito com o que fez. É como se você ainda não tivesse capturado sua melhor fotografia” – Imogen Cunningham
Crie o hábito de sempre carregar sua câmera – assim nunca sofrerá com o desejo de que pudesse tê-la” - Elliott Erwitt
“Você não captura uma fotografia, você a faz” –Ansel Adams
“Para todos aqueles realmente capazes de ver, a fotografia tirada por você, representa o testemunho da sua existência” – Paulo Straub
“Quando as fotografias se tornarem inadequadas, me contentarei com o silêncio” – Ansel Adams
Portfólio do Leitor – Samantha Campos
Dando continuidade ao projeto de valorizar a produção fotográfica dos leitores, hoje trazemos um portfólio muito bacana da Samantha Campos, moradora da cidade de Belo Horizonte. Já acompanho o trabalho dela há algum tempo via flickr principalmente por conta da produção voltada para o universo das Pin-Ups (uma temática e estética que está novamente em evidência). Porém, a produção de Samantha vai muito além disso.
Samantha Campos é formada em Artes Visuais e a fotografia apareceu em sua vida como uma complementação do desenho e da pintura. Com o tempo, o ato fotográfico passou a ser mais intenso, mas o desenho e a pintura ainda se misturam com a imagem fotográfica para complementar a obra que está sendo construída.
A temática fotográfica apresentada por ela nas imagens enviadas para a publicação no blog vão de encontro ao excelente texto do Clício Barroso sobre o que é fotografia. As três primeiras imagens dessa seleção são enigmáticas, inquietantes e até difíceis de serem encaradas como fotografia para quem não tem contato com o trabalho das artes plásticas. São uma mistura de imagens em dupla exposição, cortes e uma intensa intervenção no pós processamento. Eu digo que o que temos não é apenas fotografia, mas um estágio mais avançado, onde a imagem se une a arte digital para gerar algo completamente novo.


