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Pentax 645D – revolução no médio formato?

Por: em 28/09/10 na(s) categoria(s): Equipamentos


Um pouco longe do que costumamos reconhecer como nosso mundo da fotografia, existe uma realidade alternativa de qualidade elevada e preços estratosféricos. Estou falando das câmeras de médio formato. Mas, isso não é uma novidade do setor digital. Há muito tempo atrás, quando todas as câmeras trabalhavam com filme fotográfico, o médio formato era reinante. Assim como na construção do sensor digital, com o filme também se conseguia uma melhor qualidade com o maior tamanho da área de captura. Para falar a verdade, em alguns mercados mais evoluídos, como os das grandes capitais, só era considerado fotógrafo profissional quem fotografava com o médio formato. Câmeras como a Hasselblad (para os mais endinheirados) e a Pentax ou Mamiya 645 (para os menos providos de recursos) eram as principais ferramentas de trabalho nesse mercado.

Mas, ai chegou o digital. No começo dessa transição, até as câmeras DSLR mais baratas custavam uma fortuna. Era mais ou menos como comprar um notebook 10 anos atrás. Muita gente caiu para as prosumers (como a Fuji S7000 e S9000), outros investiram muita grana em DSLR e o médio formato ficou em segundo plano, até porque no começo da revolução digital ninguém pensava em uma câmera dessa envergadura equipada com um sensor de imagem gigante. Porém, com o desenvolvimento tecnológico (e uma grande quantidade de dinheiro investido) o médio formato entrou na era digital e nos mostrou equipamentos com qualidade de imagem invejável e preços que chegavam a ser obscenos. Porém, isso pode estar mudando.

Pergunte a qualquer fotógrafo sobre seus sonhos de consumo e provavelmente uma médio formato digital estará na lista. Fator que torna isso quase impossível é o preço desse tipo de equipamento. Mas, a Pentax pode estar a ponto de causar uma revolução. Quando anunciou o seu modelo 645D duas coisas tilintaram em minha cabeça. A primeira é que a empresa tem conhecimento nessa área e iria fazer um equipamento de cair o queixo. A segunda é que o preço estaria além das minhas meras expectativas mortais. Porém, com as primeiras imagens e anúncios oficiais, o preço de US$ 10.000,00 foi citado e muitos não acreditaram. Tudo bem que ainda é um valor acima do que estamos acostumados a pagar por nossas DSLR, mas estamos falando de uma categoria de equipamentos que costuma ficar na casa dos US$ 30.000,00. A câmera chegou e esse valor se confirmou. Uma câmera de médio formato com 40 megapixels de resolução máxima e que estava no mercado por um terço do valor da concorrência. Infelizmente a câmera estava disponível apenas no Japão, mas isso também está mudando.

No dia de hoje, o Photography Bay publicou que a Pentax tem planos de colocar a 645D no mercado americano ainda no ano de 2010 ao preço de US$ 9.999,99 (por que não arredonda logo esse preço?). E olha que a história saiu da boca do presidente da empresa nos Estados Unidos, Ned Bunnell. Esse é o tipo de concorrência que pode fazer muito bem a um mercado que anda meio inflacionado. A própria Hasselblad anunciou essa semana a H4D-31 por “apenas” US$ 13.000,00. Alguns especulam que pode ser um resultado da nova concorrência com a Pentax, ou apenas a redução normal de preço no mercado, mas isso abre precedentes para que o preço caia ainda mais nos próximos anos. Quem sabe não seja uma completa heresia sonhar com uma médio formato de US$ 5.000,00. Quem viver verá.

pentax 645D

Ricoh G700SE – Wireless, Bluetooth e GPS


Parece que os fabricantes estão colocando cada vez mais funções em seus equipamentos e mandando o design para o espaço. Tudo bem que essa linha de câmeras da Ricoh nunca primou pela beleza, mas essa nova G700SE é mais parecida com algo que encontraríamos em uma caixa de ferramentas ou em uma oficina. Sério mesmo, achei-a muito feia. Mas, algumas particularidades do equipamento são muito interessantes.

Em primeiro lugar, ela pode se conectar via wireless ou bluetooth para fazer o upload das fotos. Como muita gente possui sua própria rede wireless em casa (ou no escritório) eu admito que essa funcionalidade é muito bacana. Só de não ter que ficar conectando fios no computador ou tirando o cartão de memória da câmera eu já fico muito feliz. A câmera também é equipada com uma bússola eletrônica e pode se conectar a um acessório (opcional) de GPS para o georeferenciamento das imagens. Mas, não é só isso caro consumidor, a câmera também pode ser conectada a um leitor de código de barras (outro acessório opcional) fazendo com que ela se encaixe em uma ampla gama de usos (em supermercados talvez?).

Como características básicas dessa linha de equipamentos, ela é selada contra água e poeira, fazendo com que o público alvo dessa câmera sejam os fotógrafos aventureiros, ou fiscais de obras, controle de desastres ou outros serviços públicos (essa descrição está no press release oficial da empresa). Do ponto de vista fotográfico (que é muito pouco tratado no texto oficial), a câmera possui 12 megapixels de resolução máxima (em um sensor CCD de 1/1,2 polegadas), 5x de zoom ótico (equivalente a uma 24-140mm), visor LCD de 3 polegadas e está preparada para receber os cartões de memória SD Worm.

Infelizmente não existem informações sobre a data de lançamento ou preços da câmera e dos acessórios.

ricoh g700SE

Zenit – o tanque de guerra russo

Por: em 24/09/10 na(s) categoria(s): Equipamentos


Hoje vamos fazer uma pequena viagem pela nostalgia de um fotógrafo, que nesse caso sou eu mesmo. No dia de hoje, um amigo chegou de São Paulo e me trouxe um presente, uma câmera Zenit. Vocês que são jovens não vão se lembrar disso (aliás, eu já tenho alunos em meus cursos que nunca viram um filme fotográfico), mas para quem queria começar na fotografia nas décadas de 80 ou 90 e não tinha grana para comprar uma Pentax K1000 (campeã de vendas no mundo da fotografia), tinha que acabar se virando com um dos vários modelos da Zenit.

A câmera, fabricada na Rússia pela Krasnogorskiy zavod im. S. A. Zvereva (até 1950) e pela BelOMO (a partir da década de 70), era carinhosamente apelidada pelos fotógrafos de Tanque de Guerra. E não era para menos. O corpo inteiro era feito de metal e com curvas bem rústicas. Para falar a verdade, a primeira Zenit foi uma cópia descarada da rangefinder Zorki, que por sua vez era uma cópia descarada da Leica II. Com o tempo ganhou um espelho, prisma e se transformou em uma SLR 35mm. O bacana é que em décadas o design do equipamento pouco mudou e fez a alegria de diversos fotógrafos iniciantes que pagavam muito barato pelo equipamento.

A minha primeira câmera foi a Zenit 12XP, comprada com o suor do meu primeiro salário como funcionário registrado. A câmera era pesada, feia, totalmente manual e possuía limitações gritantes. A primeira delas era o fotômetro que teimava em parar de funcionar com poucos meses de uso. Todos que possuem a câmera reclamam desse detalhe. Existe até uma piada dizendo que como ele foi planejado na Rússia, ao atravessar o Equador ele parava de funcionar. A segunda limitação é o foco dificílimo de ser feito. Alguns modelos ainda possuíam a marcação central na lente, mas esse que estava em minhas mãos era através da nitidez da área central, o que tornava o processo muito penoso para quem não têm experiência.

câmera zenit

No mais, a câmera possuía velocidade de obturador entre 1/30 e 1/500, sendo que o 1/30 era a única velocidade de sincronismo de flash. Como era totalmente mecânica, ela não possui leitura de barra DX no filme, o que fazia com que o usuário tenha que lembrar sempre de regular no equipamento o ISO que estava sendo usado. Porém, havia pontos positivos. A existência do modo B no obturador proporcionava a captura de cenas noturnas em longa exposição e, acima de tudo, a câmera é acompanhada por uma excelente lente Helios de 50mm com abertura máxima de diafragma em f/2.0.

Que fique claro para os fotógrafos da Era Digital que no tempo da fotografia analógica (sei que muitos odeiam essa indicação) duas coisas eram importantes para uma fotografia de qualidade. A primeira era a qualidade da lente, e isso a Zenit tinha de sobra, e a segunda era a qualidade do filme fotográfico que você estava usando (isso vale até hoje para quem fotografa com filme). Ou seja, com uma câmera barata, cheia de limitações e um pouco de conhecimento, era possível fazer imagens estupendas.

Mesmo com todos esses problemas, a Zenit foi um grande aprendizado. Sempre digo que quem aprendeu a fotografar com ela consegue usar qualquer câmera fotográfica nos dias de hoje. O modelo que acabei de ganhar foi o 122K e, melhor ainda, Made in Russia. Muito bacana, já que a minha foi de um lote fabricado na Zona Franca de Manaus. É possível achar a câmera usada por preços variando de R$ 80,00 a R$ 150,00. Vale a pena pela brincadeira e pela oportunidade de aprender realmente fotografia.

Hasselblad H4D-31 – nova médio formato no mercado

Por: em 24/09/10 na(s) categoria(s): Equipamentos


Para muitos de nós, o mercado de câmeras DSLR profissionais está muito distante, afinal de contas não é todo mundo que pode ter uma Nikon D3s ou uma Canon 1D MarkIV. Então o que diríamos do mercado de câmeras de médio formato? Bem, mesmo sendo uma realidade (e um sonho) distante, é bacana sabermos o que está acontecendo. A Hasselblad anunciou nessa semana o seu novo modelo H4D-31 que deve ser o modelo mais barato a venda pela companhia. A câmera é equipada com um sensor de médio formato de 31 megapixels e também com o sistema True Focus, inventado pela companhia para garantir um correto autofocus em imagens em que o fotógrafo desloca o tema central para o canto do fotograma com o botão de foco travado.

A câmera traz toda a qualidade de imagem e representação de cores que tornaram a Hasselblad uma unanimidade entre fotógrafos profissionais de grande nome (Mário Testino, por exemplo). Junto com a câmera foi lançado o adaptador CF-lens para que o equipamento seja compatível com as lentes V-System. A câmera deve chegar ao mercado custando US$ 13.000,00.

 

hasselblad H4D-31

Outra novidade da Hasselblad foi o back digital CFV-50 com resolução máxima de 50 megapixels (imaginem o tamanho do arquivo). Ele foi desenvolvido especialmente para ser acoplado a série V de câmeras da empresa. Ele possui um visor LCD de 2,5 polegadas e vai estar disponível com a tecnologia DAC lens correction que permite corrigir distorções das lentes. O back digital é compatível com cartões compact flash, mas também pode ser utilizado ligado diretamente ao computador. Vai estar disponível no mercado ao preço de US$ 15.500,00.

hasselblad-cfv-50

Fonte: Dpreview

Sigma SD1 – 46 megapixels


Vocês já estavam achando que a corrida dos megapixels havia esfriado? Engano de vocês. A Sigma chegou para colocar um pouco mais de lenha nessa fogueira. Durante a Photokina (que está acontecendo essa semana) eles anunciaram a Sigma SD1, câmera voltada para o mercado profissional com o corpo construído em magnésio e equipada com um sensor Foveon (CMOS X3) APS-C de 46 megapixels. Isso mesmo meus amigos. Um sensor com fator de corte 1,5x e com tamanha resolução deveria ser um total desastre. Mas, lembremos que o sensor Foveon trabalha com 3 camadas que representam (cada uma) uma das cores primarias do sistema RGB (vermelho, verde, azul). Assim, cada camada possui 15,3 megapixels, o que várias câmeras de entrada estão usando atualmente.

O pulo do gato aqui é o modo como a câmera vai juntar a informação de todas essas camadas. Talvez, por esse motivo, é que a câmera possua dois processadores de imagem TRUE II em vez de apenas um. Embora apresente um sensor poderoso, a câmera é equipada com um visor LCD bem pobre (3 polegadas com apenas 460.000 pixels) e 11 pontos de autofocus (dois pontos em forma de cruz). Como todos os lançamentos mais promissores dessa temporada, a câmera também possui conectores e botões selados contra água e poeira. Ao que parece, pelas especificações, a câmera não gravará vídeos, o que é uma decisão esquisita em tempos de Full HD.

Não existem informações sobre a data oficial de lançamento e nem o preço. Mas, aposto um saco de balas 7Belo que não vai ser um valor acessível.

Sigma SD1

Fotografia Digital? MORREU!


Claro, num universo alternativo, onde as propagandas refletem alguma realidade.

Já vi muita gente negando que o céu é azul, uma vez um freetard bateu pé dizendo que a busca do Windows Explorer era um lixo, e que uma secretária acharia muito mais intuitivo usar o grep em linha de comando, algo amigável como:

grep '[0-9][0-9]*[.][0-9][0-9]*[.][0-9][0-9]*[.][0-9][0-9]*'

Por mais patético que soe, há gente que acredita, basta não pensar muito sobre o assunto. No caso do anúncio do vídeo, a Vivitar está tentando uma desova de suas câmeras de filme apelando para o maior FUD desde que a Microsoft colocou o famoso erro falso do DR DOS (DÊ ERRE, de Digital Research, não era Doutor) no Windows 3.1.

As afirmações são hilárias: Computadores são complicados, há muitos cabos, a TELA é pequena, você não consegue ver a foto, imprimir é complicado, etc. As vantagens da câmera convencional é que tem autofoco e produz… fotos impressas.

Eu sei, eu sei, eu sei que não faz o menor sentido, mas eles realmente estão usando essa lógica. Eu sei que dá para levar o cartão de memória e imprimir as fotos na loja, eu sei que o fato da tela da câmera digital ser pequena NÃO pode ser logicamente considerada um problema diante da AUSÊNCIA de uma tela na câmera convencional, mas assim como o papel, a televisão aceita tudo.

O pior de tudo: Estão se dirigindo a um público mais velho (e preguiçoso, diriam os freetards e concordo eu) que tem medo de qualquer coisa com luzes e botões. Um público que esqueceu de como achou complexo e difícil quando usou uma máquina fotográfica pela primeira vez, e não tem o menor interesse em experimentar o digital, prefere temer à distância.

Os fabricantes por sua vez estão preocupados demais em atingir seu público jovem, os hipsters e profissionais, o que abre espaço para esse tipo de abordagem por parte de vendedores de lixo obsoleto.

Seria mais esperto se olhassem para a 3a Idade com mais carinho. Não, não estou sendo piegas, é pragmatismo, os coroas têm dinheiro pra gastar.

Do contrário, sobra pra nós, filhos e netos explicar os fatos da vida e reclamar, com a mão na cabeça, quando chegam felizes com uma quinquilharia dessas, achando que fizeram um bruta negócio.

Fonte: BoingBoing