Apple Keynote: Problemas no Paraíso?
O Keynote de ontem da Apple teve duas ausências marcantes: A primeira, claro, Steve Jobs. Tim Cook fez muito bem seu trabalho e demonstra paixão, mas não é Steve. A segunda, e mais preocupante, foi Jonathan Ive.
Chefe de Design da Apple, Ive é um gênio, com uma equipe de semelhantes e com um histórico de produtos lindos e funcionais. Mais ainda, ele era “parceiro espiritual” de Jobs, compartilhando da mesma visão, da mesma busca por perfeição.
Por isso ele se tornou a pessoa mais poderosa da empresa fora Steve.
Na biografia de Jobs é dito que ele preparou o terreno para que Ive se tornasse intocável. Em suas próprias palavras, “ninguém na empresa pode me dizer o que fazer”.
A ausência de Ive inclusive do tradicional vídeo final do Keynote pode indicar que ele não é mais intocável, que um monte de gente ressentida com seu excesso de poder e liberdade está começando a flexionar os músculos.
Também pode não significar nada, pode ser que Jon não tenha se interessado em falar das mudanças mínimas de design. Talvez a Apple tenha um grau de informalidade que permita esse tipo de ausência sem significar uma conspiração palaciana. Mesmo assim, fica o registro.
Novo iPad: Retina Display: É ou não é? R: É e não é.
Quase 3 anos atrás escrevi este artigo onde explicava como a Retina Display do iPhone 4 era uma tecnologia maravilhosa mas era improvável que chegasse tão cedo ao iPad.
Gerações depois (3 anos em informática é tempo pacas) minha previsão se concretizou. Tanto se você entender que ela continua valendo, por não existir ainda Retina Display no iPad, como se você achar que sim, ele tem Retina Display, mas levou mesmo um bom tempo.
Como assim, Bial? Tem ou não tem?
Apple Keynote: Resumão
Ontem fiz uma experiência e foi excelente: Acompanhar o keynote da Apple com o Twitter desligado foi excelente. Toda a carga negativa dos haters habituais foi anulada, e deu para apreciar a apresentação sem ter que parar para explicar mimizentos que a Apple NÃO quer ser a Sansa e lançar um MP18.
Como será dividido em vários posts, vamos falar só resumidamente dos lançamentos aqui, para evitar duplicação de conteúdo, até porque se essa fosse minha praia, mandava currículo pro Luciano Huck, soube que abriu vaga… <== veneno
Vamos, então, aos lançamentos:
iPad 3–Mesmo Hype, mesma encheção de saco
dica: não é um Playbook
O estado da mídia de tecnologia –e isso é mundial, não falo de Brasil- é preocupante. Há um desespero por novidade que se Steve Jobs anunciasse a cura do câncer (too soon?) e não encerrasse a apresentação com um One More Thing, teria colunista dizendo que a Apple foi fraca e se restringiu a um único lançamento.
Não sei se a empresa está perdendo a mão nos vazamentos ou o jornalismo está ficando melhor, mas vazou bastante coisa do iPad 3, o suposto (primeiro uso correto do termo em MESES, aliás) lançamento que será feito amanhã em um evento da Apple.
Juntando vazamento com especulação, os blogs e sites de notícias fizeram a festa, com os resultados patéticos de sempre. Tem gente dizendo que o iPad 3 com 2048 x 1536 de resolução não atinge os 300dpi da Retina Display (o que é verdade) mas tratam como se fosse um FAIL absurdo. Pelo visto o mercado está cheio de tablets xing-ling com essa resolução e eu não estou sabendo.
Já pode tirar aquele peixe horroroso da orelha: Tradutor Universal para iOS.
A tradução automática está longe de ser perfeita, mas excetuando-se casos de má-fé, já é funcional para o dia-a-dia. Só não é muito prático ficar digitando, e se estamos na rua, tentando entender um estrangeiro, fica complicado. Como se digita “não expor ao Sol, não molhar e não dar comida após a meia-noite” em chinês?
O Vocre é uma App de tradução pensada em conversação, e que reconhece os problemas do reconhecimento de voz. O uso é bem interessante, a interface usa o acelerômetro para alternar entre os idiomas reconhecidos/traduzidos.
Os idiomas aliás são o ponto-alto do Vocre, nada menos que 23, com direito a português brasileiro E português português.
Depois que é feito o reconhecimento de voz, você pode editar o texto, o que é bem mais rápido que ficar tentando de novo até ele reconhecer 100%, coisa que nem nem sempre é possível.
Também há um modo tabletop, onde as duas partes acionam manualmente o gravador/tradutor.
Ah sim, além da tradução aparecer em texto, ela também é sintetizada em áudio, veja o vídeo demonstrativo e deliciosamente brega deles:
Eu preferia um phaser, mas ter um tradutor universal de bolso ainda é um excelente presente para um trekker. Esse com certeza não sai mais do meu iPhone.
Detalhe: O Vocre é gratuito, e pode ser baixado aqui do iTunes.
E o Oscar vai para… uma App de iPad?
Quando William Joyce e Brandon Oldenburg subiram ao palco na cerimônia do Oscar, para receber o prêmio de melhor curta de animação, pouca gente ali sabia que “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr Morris Lessmore” não era originalmente um curta de animação.
Quer dizer, até era, mas ele fazia parte de um projeto bem maior: Era uma App de iPad, uma história interativa como só é possível nos tablets de última geração. Disponível no iTunes por US$4,99, é uma oportunidade única de ter um vencedor do Oscar que você pode levar pra casa brincar, por menos que um MacLanche. Isso até a Lindsay Lohan ganhar um prêmio da Academia, claro.
Veja o demo da aplicação:
O curta inteiro você pode (e deve) assistir aqui no YouTube.

