Rodrigo Ghedin 15 anos atrás

Hoje saiu a versão final do GNOME 3, rompendo com muitos paradigmas não só do próprio GNOME, como do que se convencionou ser o "padrão" das interfaces gráficas de sistemas desktop. Baixei uma das distribuições sugeridas pelo próprio site do GNOME para testar a novidade, no caso, o Fedora, joguei a imagem para um pen drive e inicie uma sessão temporária num netbook Lenovo X100e. As impressões, a seguir!
A primeira é, devo confessar, muito boa. Mesmo num netbook, o sistema conseguiu subir o GNOME Shell. O papel de parede padrão, com listas azuis, e o esquema de cores das janelas e elementos da interface misturando tons de cinza e preto, agradam muito. E isso é crucial, já que, a menos que esteja muito, mas muito escondido, a única coisa passível de ser alterada na interface é o wallpaper. O esquema de cores, não.
Esqueça menus tradicionais e outras convenções há anos usadas pelo Windows e seguidas à risca pelas interfaces do universo Linux. O GNOME 3 apresenta apenas uma barra, no topo, dividida em três partes:
O Activities é ativado pelo simples passar do mouse sobre, dispensando clique. Ele esmaece a imagem e divide a tela em três blocos. Na barra à esquerda, ficam os programas favoritos, "pinados" pelo próprio usuário.
No centro, há duas abas, uma "Windows", onde as janelas em execução ficam dispostas num esquema que lembra muito o Exposé, do Mac OS X, e a Applications, que é o menu contendo todos os programas instalados no sistema, divididos em categorias. Além disso, ainda tem a busca universal, que funciona simplesmente digitando, sem a necessidade de apontar o mouse para o campo de busca.
Por fim, os ambientes virtuais, à direita, sempre exibindo um ambiente a mais do que o usado. É possível arrastar janelas entre o Exposé-like e as miniaturas dos ambientes virtuais, um sistema bem lógico e intuitivo.
Outro detalhe pra lá de legal é o sistema de notificações, no rodapé da tela. No bate-papo, por exemplo, aparecem ali as últimas mensagens. Se você passa o cursor do mouse sobre, a linha se expande e dá, inclusive, para responder a mensagem por ali mesmo.
Muitos elogios, mas há críticas, também. A decisão de remover os botões de minimizar e maximizar janelas foi bem infeliz, principalmente porque não há atalhos no teclado, nem um comando fácil com o mouse (como o clique duplo para maximizar) que supra essa ausência. Quer minimizar? Botão direito na barra de título, clique em "Minimizar".
Ainda falta (muito) polimento no sistema. O esquema de notificações não raro fica meio maluco e dessincronizado da janela de bate-papo, essa dentre outras inconsistências pequenas, mas que incomodam.
O pior, mesmo, é a abordagem restritiva à personalização do sistema. Justo no Linux, onde isso era, até pouco tempo atrás, exaltado como uma das melhores características do sistema/ambiente gráfico. Não dá para mudar o esquema de cores, e o painel de controle é mais enxuto que, se duvidar, o do Windows 95.
Isso não seria muito problema se as opções fossem concentradas em poucos menus, mas não parece ser o caso. Vira e mexe se tem a vontade de alterar um detalhe e, ao dar de cara com o System Settings, cadê? Não tem, ou se tem, está num campo sem sentido, de difícil acesso e/ou compreensão.
O GNOME 3 é uma quebra dramática de paradigmas, mas uma quebra ainda cheia de arestas a aparar. A interface é intuitiva e muito bonita, mas ainda carece de refinamentos que a longa estrada de desenvolvimento do GNOME 2, por exemplo, alcançara após anos de trabalho duro. Com a Unity se tornando padrão no Ubuntu, a distribuição que, vendo de fora, puxa tendências no Linux, a situação é bem complicada para os que curtem o GNOME. A história, afinal, se repete; lembro, apesar de não ter testado na época, da chuva de reclamações que foi o lançamento do KDE 4. Demorou alguns meses e algumas versões para acertarem os detalhes. O GNOME parece trilhar a mesma direção nessa terceira versão.