Reprodução musical com alta fidelidade no PC – três caminhos possíveis

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Algo interessante que acontece quando você é constantemente procurado para determinado tipo de assunto é que o aprendizado naquela área nunca cessa. Você acaba aprendendo algo, seja porque retoma questões para dar orientação ou pelo simples feedback das experiências dessas pessoas. Como alguns me conhecem por estar sempre transitando entre os mundos do áudio e vídeo voltado para home theaters e os temas geeks mais corriqueiros, como hardware para PCs, acabo recebendo um monte de questionamentos quando alguma questão situa-se na intercessão, cada vez maior, desses dois universos.

Dia desses um colega que passou a nutrir maior interesse em qualidade de reprodução musical ali na mesa do seu computador, me procurou para trocar algumas ideias. Ele havia encomendado uma interface da M-Audio e um par de caixas tipo monitor, dessas voltadas para home studio, objetivando ter no seu PC uma reprodução musical de alta fidelidade. Enquanto os equipamentos não chegavam todos, ele resolveu sentir as diferenças entre as várias formas de ouvir música usando um PC e conversamos sobre essas experiências.

A primeira constatação foi de que a saída analógica de áudio, vinda do codec da placa-mãe, embora para muitos seja para lá de satisfatória, tem, via de regra, um resultado muito ruim para quem decide apurar mais o ouvido. No caso desse meu colega, ele estava usando um bom headphone da Koss para comparar a saída de áudio de um iPad com a reprodução musical obtida no line-out da placa-mãe, constatando claramente a fraqueza de um PC comum para quem deseja um maior refinamento. E olha que a comparação era com um iPad, que embora tenha um ótimo sistema de som, não é um equipamento destinado a audiofilia.

Embora ele tenha ficado surpreso com o tamanho da diferença, a existência dela já era esperada. Realmente, usar o line-out de uma placa mãe, por mais bem apresentado que seja o codec de áudio ali presente, não é uma boa ideia para quem deseja experimentar alta fidelidade usando um PC. Existem, no entanto, três caminhos possíveis para chegar a um patamar pra lá de satisfatório usando o seu computador para reproduzir música. Claro, audiófilos old school vão provavelmente torcer o nariz para todas elas, mas sigamos em frente — o pior que pode acontecer é uma multidão deles vir aqui trollar nos comentários.

A primeira e mais simples delas é usar a saída digital (SPDIF ou HDMI) e conectar o PC a um receiver que ficará encarregado do decode e da amplificação. Com essa solução, o PC ficará isento de interferir nos resultados. Tudo o que ele faz, no caso de formatos stereo como MP3 ou FLAC, por exemplo, é enviar o áudio PCM sem compressão para o equipamento, que usa seus próprios DACs para realizar a conversão digital-analógico. No caso de formatos multicanal, a participação do computador é menor ainda, pois o áudio digital vai completamente inalterado para o receiver (passthru), em forma de bitstream. O decode do formato fica completamente a cargo do processador do receiver. É claro que de nada adiantam esses cuidados se for empregado um receiver de má qualidade.

A segunda dica vale para quem possui um excelente amplificador, mas ele é completamente incapaz de lidar com qualquer tipo de áudio digital, e deseja usufruir de alta fidelidade em stereo. O que você precisa aqui é tirar a conversão digital-analógico das costas do codec mal afamado que equipa a placa mãe ou a placa de som “genérica”. A saída é usar um bom DAC que fique encarregado dessa tarefa, enviando o áudio analógico para o seu amplificador para que ele possa brilhar na sua parte do trabalho.

Levando essa proposta para o hi-end, há o promissor GT-40, da Furutech, que além de impecáveis componentes e especificações ainda possui uma entrada phono, possibilitando ouvir vinil em equipamentos atuais que não possuem mais essa entrada, além de possuir uma porta USB para ser conectada ao PC e gravar o áudio desses discos em resolução de 24bit/96kHz.

Por último, para aqueles que desejam apenas transformar seu PC do quarto em um impecável hi-fi stereo, é possível simplesmente fazer uma boa escolha em interface de áudio e conectá-la a um bom par de caixas amplificadas. Pode-se, apenas a título de exemplo, usar uma placa PCI como as M-Audio da linha Audiophile ou um modelo externo, como a Fast Track Pro. Para as caixas, é bom ter algo à altura e investir em um bom par de monitors.

Essa opção também funciona no caso anterior, com a M-Audio conectada a um amplificador dedicado no seu sistema de som. A verdade é que os DACs da M-Audio são mais competentes do que os de qualquer placa mãe ou mesmo do que os encontrados nas melhores placas de som dessas voltadas para jogos. Usando uma solução desse tipo você tem, de quebra, caminho aberto para instalar um Nuendo ou um Cubase e começar a construção do seu home studio, mas aí já é outro papo: fazer música, e não apenas ouví-la. Fica, quem sabe, para uma postagem futura.

Por fim, é fundamental que a sua coleção de música digital também esteja à altura desses aparatos, dando preferência ao armazenamento em formatos lossless. É bom lembrar que um arquivo MP3 com bitrate em 128Kbps possui deficiências que serão evidenciadas muito mais claramente em sistemas capazes de alta fidelidade.

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Autor: Ticiano Sampaio

Formado em direito, especialista em direito constitucional, curioso compulsivo por tópicos de ciência e tecnologia, geek desde os tempos do MSX.

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