Alan Wake, quando a história supera a jogabilidade

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Se você já leu algum livro do Stephen King, provavelmente conheceu algum personagem que é um escritor renomado que passa por uma entressafra criativa e por mais clichê que possa parecer, não há maneira melhor de descrever o jogo Alan Wake, exclusivo para Xbox 360, do que como uma versão interativa das histórias de King. De fato, a primeira coisa que ouvimos ao iniciar o jogo é o nome do rei do terror, quando o protagonista, que também é um autor de contos do gênero diz que certa vez o criador do Iluminado escreveu que “os pesadelos existem fora da lógica e não há diversão nenhuma nas explicações; elas são antitéticas à poesia do medo.”

Por falar em referências, elas serão feitas durante todo o jogo, seja com um policial que insiste em chamar Alan por nomes de escritores famosos, seja pelos pássaros que logo nos remetem a Alfred Hitchcock, pelo clima muito parecido com o da antiga série Twin Peaks ou mesmo pela homenagem a antigos trabalhos da própria produtora, como citações à mitologia nórdica ou sequências em que “flutuamos” através do pesadelo do personagem. Dentro do jogo ainda podemos assistir uma série muito parecida com a Além da Imaginação ou conhecer um senhor cujo sobrenome é Maine, cidade estado onde vive Stephen King e que serviu de cenário para vários de seus livros.

Mas voltando um pouco à história, é neste ponto que o jogo brilha. Tudo começa quando Alan está indo passar férias na bela cidade de Bright Falls a convite de sua esposa. O que ele não sabia é que Alice queria o levar para o lugar para que ele voltasse a escrever, algo que vem atormentando Alan há muito tempo. Ao chegar no lugar eles se instalam numa cabana a beira de um lago e logo a mulher desaparece de forma misteriosa e embora o enredo seja um pouco manjado, é a forma como ele se desenvolve que merece elogios, algo digno dos melhores filmes de suspense.

A produtora conseguiu fazer com que o desenrolar da trama tenha algumas reviravoltas, quase nunca deixando muito claro o que está acontecendo e sempre nos instigando a jogar um pouco mais. Na minha opinião o trecho final poderia ser um pouco menos… sobrenatural, mas gostei do final dúbio, mesmo tendo sentido falta de um desfecho para alguns personagens chaves, embora digam que muitas perguntas são respondidas ao jogarmos as duas expansões.

dori_ala_11.10Uma decisão de design que achei muito interessante e que contribui para o clima de suspense foi eles terem dividido o jogo em episódios, assim como uma série para TV, com direito a “Anteriormente, em Alan Wake” e tudo o mais.

Passamos para a parte técnica e então o belo trabalho da Remedy escoa pelo ralo. Alan Wake possui cenários muito bonitos, mas tanto a movimentação dos personagens quanto a animação facial são um desastre. Sua jogabilidade também não ajuda e é muito simples, não podendo ser considerada um total fracasso pelo bom uso da mecânica de iluminação, obrigando que usemos a lanterna ou outros focos de luz para que os inimigos fiquem vulneráveis. Felizmente a parte sonora não merece ser criticada, com músicas muito boas e efeitos sonoros que aumentam a tensão.

É uma pena que tanta demora tenha criado uma expectativa muito grande nos jogadores e que a desenvolvedora não tenha conseguido entregar um jogo mais do que bom, mas a história muito bem contada faz com que mesmo assim este seja um jogo altamente recomendado, principalmente para quem gosta de um bom suspense ou procura um jogo de terror decente.

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • Helder_Zero

    Bem, se deixam um final dúbio, com certeza já estão fazendo uma sequência!…ou não pois, muitos dos livros de Stephen King terminam com um final (eu sei, pleonasmo) que te deixam com a pulga atrás da orelha.

  • Esse eu preciso jogar melhor. Joguei na casa de um amigo e achei mediano. Não dava medo nem nada, apesar da história bacana ( fiquei pensando em Silent Hill 4 por um tempo… kkk ).

    • @Decapattack, Esse jogo não é pra dar medo exatamente. É uma história de suspense antes de tudo, com algumas pitadas sobrenaturais e terror. Como o Dori falou, é o desenvolvimento da história que te prende no jogo.

  • juniorcapua

    Dori, discordo um pouco de você quando diz que a jogabilidade é ruím. Tá, não foi “a melhor”, mas também não foi assim ruím não! Acredito que muito da experiência do jogo rola em relação como o jogador a joga. Eu mesmo joguei Alan Walker num quarto escuro, com um receiver 5.1 e o Dolby Digital ligado ao máximo numa LCD 42″ e a minha experiência foi a das mais interessantes. Sim, teve momentos que eu tomei alguns sustos durante a jogatina. Não esqueço de uma cena que estava entrando numa cabana e um gato pula na minha frente… Eu dei um pulo na cadeira também que foi terrível! Se tivesse alguém junto com certeza teria rido da minha cara… Mas, voltando a jogabilidade, eu creio que a mesma ficou no mesmo nível da história e acredito que ela vai ter uma continuação, pois a produtora deixou isso em aberto! Mas coloco Alan Walker como um dos melhores jogos que já joguei… Tem lugar na minha coleção!

    • @juniorcapua, Também joguei numa configuração parecida com a sua, mas a minha reclamação em relação a jogabiliadde é que ela é muito simples, exigindo pouco da inteligência do jogador, embora os inimigos sejam razoavelmente espertos, achei que faltaram quebra-cabeças e não achei o jogo tão assustador assim. Nesse aspecto ainda acho que o Silent Hill se sai muito melhor.

      • A jogabilidade é realmente simples, o que não quer dizer que o jogo é fácil. Há momentos em que você fica sem munição e a única forma de sobreviver é sair correndo como louco, se esquivando do ataque dos inimigos rezando pra ter um ponto de luz bem perto. Outra coisa é quando a tela enche de inimigos e você só tem 6 balas de revólver e 3 baterias!
        A minha opinião é de que Alan Wake é um jogo excelente, que pecou nos gráficos, pois apesar de serem elogiados na maioria das vezes, eu não achei tão bons assim e na movimentação do personagem. Lembrou muito o jeito do Max Payne de andar no MP1 e MP2, não gostei também, é muito artificial.
        Mas é um dos meus top 10 de jogos preferidos.

  • angraxs2

    Comprei usado no mercado livre por 30 reais, e pra minha surpresa o jogo estava mais bem conservado do que os meus 🙂 Valeu cada (pouco) real gasto!

    • @angraxs2, RS$ 30 pelo Alan Wake? O cara estava dando o jogo!

  • Excelente artigo. Se tivesse um xbox com certeza compraria o game.

    Só uma pequena correção: Maine é o estado americano onde se passam boa parte das histórias do Ste[hen King e não uma cidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maine).

    • @Ramon E. Ritter, Opa, valeu, corrigido.

  • Bem interessante a resenha. Eu não criei hype em cima do jogo e nem quis comprar em seu lançamento. Mas depois que minha fila de jogos andar, com certeza irei jogá-lo, até comprei adiantado os DLCs em promoção. Gosto muito do estilo dos jogos da Remedy. E Alan Wake é, para mim, uma oportunidade de jogar uma nova franquia do início.

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