Simplesmente não há como o jornalista chegar antes…

Por: em 03/09/10 na(s) categoria(s): Internet, Meio Bit


Já são tantos os casos que não é mais possível considerar coisa pontual. Um avião pousa no rio Hudson em NY em 2009, um massacre acontece em Mumbai na Índia em 2008 e tantos, tantos outros… até mesmo por aqui — os da blitzes da Lei Seca não contam, ok?

O que todos tem em comum? O Twitter.

Picture 9.jpgA mais recente aconteceu no caso do homem que manteve como reféns diversos empregados do Discovery Channel em Maryland, nos EUA. Fotos tiradas pelos próprios funcionários e enviadas para o Twitter ajudaram a identificar James Lee, muito antes que qualquer jornalista ou emissora pudesse chegar no local.

Segundo o Washington Post, o mundo já estava sabendo através de imagens e texto o que estava acontecendo horas antes de qualquer outro que não fossem os próprios reféns. Em alguns minutos toda a rede estava sendo populada com atualizações em tempo real do que acontecia, dando uma cobertura o mais humana e colaborativa possível para a crise.

Através do hashtag #discovery, usuários da rede iam ajudando com o que podiam, enviando reports constantes como fotografias e posicionamento. Uma fotografia incrível foi tirada @jdivenere que mostra nítidamente, do alto, um homem armado a Picture 10.jpgcaminho da portaria do QG da Discovery Channel. Veja photo aqui (YFrog).

Horas depois, veio o tweet:

“Thank you everyone for your well wishes,” por volta das 14hrs, hora local “@Discovery_News team all safe.”

No meio de tanta informação, nem toda ela útil, foram encontrados uma série de links e dados bastante relevantes que ajudaram a polícia a compreender rápido e agir de acordo. Entre elas, a página de Lee no MySpace, uma outra página no YouTube onde ele jogava dinheiro para o alto na porta dos escritórios da Discovery em 2008 e alguns tweets contendo algumas das exigiencias dele durante a crise.

Inegavelmente parte do ecossistema de notícias, grandes redes sociais como o Twitter e o Facebook tem convertido este segmento em algo totalmente novo, recuperando inclusive o gosto pela exploração relevante de conteúdo atualizado. Aliás, mais atualizado impossível.

Picture 11.jpgCom a pulga atrás da orelha, os jornalistas investigativos não tão presos aos tempos em que a redação pegava fogo com qualquer notinha “quente” e todos saiam em disparada já repensam seu papel e procuram absorver o mais rápido possível esse novo jeito de noticiar.

Alex Priest escreveu para o Technorati que a mídia social simplesmente “revolucionou o mercado de notícias e muito rapidamente se converteu na fonte de notícias (quando o assunto é) de crise”. Muitos jornalistas, analistas e toda a polícia souberam filtrar rapidamente a informação mais relevante e deram um mapa ágil de todo o cenário.

O produto da rápida, porém difícil crise terminou com James Lee sendo alvejado e morto e todos os reféns libertados sem qualquer dano senão o incrível stress.

Viva o jornalismo não-editado, o não negociar com o terror e longa morte ao PIG.

  • randomtoor

    “longa morte ao PIG.” ?

    • Rickd

      @randomtoor, petralha que le paulo henrique amorim e luis nassif.

      • ppaulojr

        @Rickd, pois é, como escrevi abaixo: é uma expressão do subjornalismo a serviço dos petralhas

        • ThiagoTietze

          @ppaulojr,

          É, sei lá… Apesar do post muito bem escrito e “descrito”, com relação a sua intenção principal, a ultima frase saiu fora de esquadro :-)

  • ppaulojr

    PIG as far as I know é o Partido da Imprensa Golpista, um termo cunhado pelo subjornalismo a serviço do governo do PT que mesmo sendo tratado com incrível cortesia pela imprensa, considerando o que já aprontaram, insiste em chama-la de golpista para ser mais bem tratado ainda …

    Infelizmente nosso amigo San caiu nessa. Muitos outros que cairam nessa foram agraciados com cargos na TV Lula ou na Secom

    • zuzé

      @ppaulojr,
      Flame a vista!
      Partidarismo não é o assunto do post.
      Você deveria ter INFORMADO o conceito de “PIG” ao invés de ter tentado FORMAR OPINIÃO.

      • tiagodami

        @zuzé, discordo de vossa senhoria, o @ppaulojr [7tibs] está comentando, e não fazendo um artigo na wikipedia.

        • ppaulojr

          @tiagodami, na verdade quem criou a flame foi quem usou uma expressão, no caso o autor, que só existe num conceito partidário.

        • zuzé

          @tiagodami,
          Aham…
          inclusive o comentário deveria ser com relação ao conteúdo do post, que no caso só foi usado apenas como gancho pra um monte de opinião pessoal sobre outro assunto.

  • http://melinka.net tplayer

    Um via para os snipers também.

    • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

      @tplayer, puwrra!:)

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    Paulo e cumpadrada… Normalmente acho a coisa mais cagácia do mundo explicar a piada, mas confesso que posso ter forçado.

    É UMA PIADA!!!

    Longa morte…. é um contrasenso. OK?
    Morte é morte. Rápida. Poof! Desligou o plug! Puxou o fio do aparelho.
    Soltou uma bufa e… morreu.

    Na mesma linha que ‘jornalismo não editado’ e ‘não negociar com o terror’, não imaginei que não daria a conotação certa. Aliás, piadinha velha entre colegas. Enfim, sorry. kaghadinha minha…

    Longa morte = se arrastar morto!
    Capicce?

    (Antes que me trucidem me chamando de jornalista vendido!) :D

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    E Petralha é o c….

    :D

    • marcoscs

      @San Picciarelli, hahahhaahaha, o povo ultimamente tem estado muito sensível a piadas com conteúdo político, não sei porque, políticos adoram fazer piada com a gente…

  • http://murdock-brasil.blogspot.com Murdock

    Cara, eu odeio jornalistas, mais até do que advogados, mas vejo algo perigoso nisso. Não duvide ver gente fazendo piada com uma situação dessas, tentando aparecer, jogando informações falsas na rede enquanto a polícia tenta trabalhar com as informações valiosas passadas pelos reféns. Nessa hora um Foursquare da vida ajudaria a selecionar os tweets.

    A Wikipédia já é vítima disso e recentemente “mataram” o Britto Jr lá e saíram twittando o artigo dele como se fosse a fonte.

    Por piores que sejam, jornalistas de alguma forma filtram as informações passam pra frente algo com algum embasamento, alguma confirmação e não vão sair inventando abobrinhas para aparecer. Pelo menos é o que se espera de jornalistas mas o que esperar da massa internética?

    • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

      @Murdock, Aí é que está… Você está falando de outra salsa. Jornalista é outra coisa. É óbvio que a miopia dos dias de hoje deturpa um pouco a visão daquilo que realmente é jornalismo, em separado daquilo qué… sei lá, qualquer coisa.

      Existem muitas modalidades de jornalismo (mesmo), e um monte de braços alieníginas que se fundiram ao corpo base deste ofício e ‘funderam’ tudo.

      Sem querer ser saudosita, aliás a linha que puxa o artigo foca exatamente na ‘boa’ modernidade e nas ações rápidas e ágeis que podem dela serem originadas, pense no jornalista como o último cara em quem aquele que não pode contar a história para ninguém, pode (podia, ainda pode?) confiar?

      História = crônica = memória = registro = lembrar = honrar = aprender = reiterar = adiante = História

      O resto é conto da carochinha… valeu?

    • http://danielbastos.blogspot.com daniel.bastos

      Murdock, mas não é o que acontece.
      Jornalistas hoje tidos como sérios tem fontes de informações como twitter. E assumem aquilo como verdades absolutas.
      A máxima é velha, da época do mirc, mas cai bem quando o assunto é salas de bate-papo estilo twitter. “Na internet pode-se dizer tudo, até mesmo a verdade”.

    • Ticão

      @Murdock, diz a lenda que essa frase é do velho Robertão, o feliz proprietário da Globo.

      “O importante não é o que eu publico
      O importante é o que eu não publico”

      Portanto quando vc diz ” … jornalistas de alguma forma filtram as informações passam pra frente algo com algum embasamento … ” eu fico preocupado.

      Quem já foi entrevistado sabe como “filtram” o que vc disse. Um bom exercício é ler ou escutar jornalistas falando sobre temas técnicos que você domina por profissão ou hobby. E ver o tamanho da salada que fazem.

      Se os jornalistas ou jornais confundem tudo num assunto que você entende, o que você acha que fazem com os assuntos que você não entende? Só pararam de traduzir como “Vale do Silicone”. O resto continua igual.

      • http://murdock-brasil.blogspot.com Murdock

        @Ticão, Eu sei bem como é isso, a cada blecaute eu fico arrepiado com o que leio.

        Mas eu não quis entrar no mérito do jornalista mal intencionado, ou burro, porque aí f*deu tudo, a gente não tem pra onde correr.

  • http://www.terabitcast.com H123er

    Não a toa, todos portais tem um espaço dedicado ao leitor publicar noticias. Hoje você com um smartphone na mão e um plano de dados, pode deixar as pessoas informadas por onde você está passando. Para o Jornalismo é impossível estar em todos lugares

  • Rodrigo8

    resultado da inclusão digital esta ai
    aqui sempre tem q explicar a piada que o diga o Cardoso

  • lukeface

    Peraí, foi tanta “investigaçao” graças ao tuíter e a polícia foi lá e alvejou o cara? Qual foi a “relevância das mídias sociais” na resoluçao deste caso?

  • http://danielbastos.blogspot.com daniel.bastos

    Se não fosse uma rede social, e sim um forum ou comentários num site de jornalismo, não seria exatamente da mesma forma? Não teria acontecido a mesma coisa??? Então qual a importância REAL da rede social neste caso? Pq os usuários eram do twitter??? Se fosse no Brasil teria um post falando da importância do Orkut para a polícia em elucidações de casos?? Ou é só pq o twitter é “cool”???

    • thE Masterkey Blaster

      @daniel.bastos “Se não fosse uma rede social, e sim um forum ou comentários num site de jornalismo, não seria exatamente da mesma forma?”
      .
      R.: SE num fórum num site de jornalismo os reféns conseguissem tirar foto do bandido, colocar on-line e atingir um número tão grande “de ouvintes” em tão pouco tempo a ponto do Washington Post declarar que “mundo já estava sabendo através de imagens e texto ” pois os assuntos estavam nos TT do Fórum, e outros usuários do fórum saíssem postando informações que “foram encontrados uma série de links e dados bastante relevantes que ajudaram a polícia a compreender rápido e agir de acordo”, sim.
      .
      .
      “Se fosse no Brasil teria um post falando da importância do Orkut para a polícia em elucidações de casos??”
      .
      R.: Porque não?

      Só tenho uma pergunta: você está falando sério?

  • drcfilho

    e que venham os trolls partidários :)
    Aqui mesmo em minha cidade, que tem apenas 60000 hab ja tivemos um furo jornalistico via twitter.

  • http://ceticismo.net Pryderi

    Moral da história: quem tem tempo livre na frente do computador, acessando redes sociais ao invés de trabalhar, sabe de coisas no exato momento. Pessoas que trabalham estão ocupadas demais para estarem imediatamente informadas. A propósito, não vi uma única menção ao maluco que invadiu a sede do Discovery. Notícia tão morta quando o sujeito. E assim caminha a humanidade.