Femtocells e Merakis… sabe como é?


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Trocando em miúdos, é o tal conhecido APBS (Access Point Base Station). O Femtocell é uma tecnologia (ainda) emergente, não devidamente explorada e de baixo custo que permite ligações e conexões em ambientes domésticos direcionadas para redes como ADSL, cabo, etc. Você pode chamá-lo de “sua rede 3G pessoal/doméstica” que cairia bem como definição.

Concebido a partir de tecnologias de banda larga para telefonia celular (3G para cima), não tem qualquer pretensão de substituir outras como WiFi, WiMAX, 3G-4G mobile, nada disso… Até mesmo porque trata-se de um ponto de integração que facilita a conversa com todas essas alternativas.

O lance é navegar, conectar e falar via VoIP de maneira convergente e, o melhor: sem fio. O foco dos Femtocells é o UMTS, mas atualmente iniciativas consistentes de desenvolvimento estão sendo trabalhadas para GSM, TD-SCDMA, WiMAX e também LTE.

Recentemente, começou a surgir um barulhinho na indústria que indica que a Google já está muito bem testada em sua sede em Mountain View com uma rede baseada em Femtocell para (adivinha?)… sim, o Android OS e toda a família de mobiles, tablets e por aí vai. (Cumpadre, imagine um Android-Femtocell? Agora imagine o maior chute no traseiro que a Apple já sonhou em levar…)

Isso seria muito bacana. Especialmente porque a empresa já está com o olhão grande na Ubiquisys, uma fabricante calibruda de equipamentos Femtocell. Poderia até passar despercebida se já também não estivesse a conversar diretamente com empresas como a Clearwire Corp, uma outra nada pequenininha e que é especializada em redes de banda larga para internet móvel. Isso sem contar os inúmeros boatos sobre a compra dessa ou daquela outra empresa…

A performance dos Femtocells é ruim para longas distâncias, mas esse não é seu objetivo principal uma vez que o alvo são as redes pessoais e/ou domésticas. O maior dos problemas muitas vezes pode ser o compliance com os contratos de prestação de serviços das operadoras de acesso à internet.

Meraki_Indoor200808.jpgTambém para longas distâncias e tecnologias para WLANs como as Merakis, por exemplo, praticamente todas as experiências de usuário final acabram lá atrás esbarrando em alguma peleja com a operadora; uma vez que você pega o sinal que compra dela e o redistribui em uma rede particular (como uma rede de mash-up, só que via outra tecnologia). A coisa pode degringolar fácil e o que se pode gerar de micro-operadoras digamos… piratinha-roots! não tem pula-pirata que dê conta.

E a coisa não precisa ser tão robusta para criar o mesmo tipo de caso. A própria Meraki, uma empresa inicialmente criada para levar conexão à internet via redistribuição de sinal em redes de WLAN privativas de longo alcance em áreas carentes — longe e carente mesmo, tipo Sahara ou no meio do Sudão — começou com a venda d’umas anteninhas bacanas de fabricação própria e a mesma idéia. Resultado: já teve o seu saculejo quando foi lançada. Quer dizer, nem tanto porque apenas as vendia… quem criava as “sub-operadoras” era quem comprava a anteninha (risos…)

Hoje, crescida e arrendondada em todas as pontas, a empresa oferece uma gama bem maior do que as duas anteninhas da época dos primeiros lançamentos e nos torna facilmente capazes de criar uma hotzone pessoal com cobertura de até 20 quilômetros de raio (sim, para os que não conhecem, pode pasmar mesmo!) e algo na casa dos milhares de caboclos conectados nela, ao mesmo tempo. Isso tudo com equipamentos baratos (mesmo), opções externas de carga solar, coisa fina.

Eu mesmo já tive a feliz oportunidade de utilizar uma das antenas em um projetinho experimental (das pequeninhas) para uma rede em um condomínio gigante e uma conexão da Virtua, na época, de apenas 2 mbps. Com justas duas semanas de testes tivemos a cabeça cortada pela ANATEL com um aviso da necessidade de uma licença que custa não sei quantos mil milhões (nem me lembro) e a possibilidade de ir em cana por redistribuir sinal como provedor, não sendo provedor, blá blá blá. Não fosse o contexto “experimental” do projeto e nenhum centavo ganho, o coronelismo da pior Internet do mundo ia nos fazer comer marmita fria no quartão de cimento. Eu e mais dois…

(Wi-HUG foi como alcunhei o projeto, que terminou por sofrer uma crise “embutecida” de raiva esquizofrênica e acabou virando bluetooth, se internando no meu portifólio e meio cabreiro com pessoas segurando palmtops/handhelds pé-de-chinelo) :)

Na Europa, por exemplo, existem trocentas startups e usuários como eu e você que desenvolvem cenários incríveis com wireless arquitetados mais pessoalmente. Agora, pergunta se a massa ouviu falar nisso aqui? Mai nem…

Até hoje, penso que a própria ANATEL faz de um tudo para que continue assim. Pode ser encrenca da minha parte, mas o que vou dizer? Que são fofinhos e amáveis? E o mundo anda: para frente. Mas aqui, coroné deixa não! Praticamente todos os protocolos, incluindo Femtocells, podem ser manipulados mais independentemente para trabalho ou uso pessoal.

O que você antecipa de controle, regulações e represálias das “porcarias” de operadoras que nos atendem hoje e dos organismos que as apóiam ao invés de as regular? Quer dizer, não atendem direito e também fazem a maior força política do baralho para não deixar nenhum refém escapar.

Já se imaginou fora disso… refenzão?

  • vitorrubio

    San Picciarelli, gostei muito desse texto. Além de instrutivo o tom ácido faz agente pensar: existem startups de tudo quanto é área nesse país, mas porque não tem startups de internet, telefonia etc?

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    @vitorrubio, Grande abraço Vitor.

  • drcfilho

    e o custo do meraki?

  • dieisondepra

    Picciarelli, ótimo texto.
    Eu não conhecia essas alternativas de redes, digamos, “multi mini wlan”, assim o texto foi providencial para dar o “start” na pesquisa.
    Quanto as reflexões sobre a Anatel e as operadoras bom isso é, no mínimo, esperado. O “sistema” serve para proteger o “sistema” e não os usuários, afinal povo (eu, você e todos os demais no comando financeiro) é, sempre foi e sempre será apenas “gado”. Tens casos semelhantes em diversas áreas como, por exemplo, os carros elétricos. A tecnologia para eles já existe em condições de “mercado” a quase 30 anos, porém até agora são incipientes, por quê? Pelo simples fato de que isso só é bom para o usuário, mas é ruim para o governo (R$ 1,50 só de impostos sobre o litro da gasolina) e é ruim para toda a indústria do petróleo (petroleiras, postos, etc…). Algo similar ocorre com as telecom, pois se a Anatel dêsse uma carta de “alforria” a todos os “consumidores” logo-logo WLAN comunitárias tomariam conta do cenário, as operadoras perderam milhões de “clientes” (gado), o faturamente iria sofrer uma queda brutal, o governo deixaria de ganhar em impostos, aumentaria o desemprego e toda a bola de neve que isso acarretá.
    Enfim o cenário é esse mesmo sem perspectivas de mudanças no horizonte.

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    @dieisondepra, PRE-CI-SA-MEN-TE !!

    Gratissimo pela menção.
    Cheers.

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    @drcfilho, Do equipamento: barato. Da dor de cabeça se você tiver sonhos de grandeza (ou inteligência): alto.

  • felipe.riffel

    Achei Otimo o texto, so me ficou uma pequenina duvia, caso a internet em si não seja “compartilhada” se utilize desse sistema para realizar uma grande rede pessoal, sera q a anatel pega no pé? ?

  • http://www.google.com/profiles/luizclaudioeudes Luiz_Claudio_Eudes

    @felipe.riffel, Conversando com meu professor de regulamentação sobre isso, ele me disse que se for uma rede privada (interligando um predio ao outro, por exemplo) a anatel não ira te incomodar (deste que use freqüências não licenciadas, como a de 2.4Ghz ou 5.8Ghz) porem se for pra uso comercial (um provedor de internet WiFi) ai teoricamente precisa de uma licença

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    @Luiz_Claudio_Eudes, Então Luiz, o buraco é mais embaixo. Mesmo sendo uma rede com apenas 30 máquinas (por exemplo), lá no quintal da casa da tia… Ainda assim, não pode ser explorada comercialmente. Fazer redes privadas de médio/longo alcance e broadcast de dados sem fio eu fiz. A peleja é que não se pode ganhar dinheiro com isso sem enquadrar-se de alguma maneira e incorrer em alguma infração. A lei é tão genérica (muitas vezes inexistente) que, mediante a vontade pura e simples qualquer coisa pode ser considerada ‘uso indevido’. Stone Age…

  • http://sanpicciarelli.co.cc San Picciarelli

    Esqueci de mencionar que, LAN Houses legalmente tbem não deveriam existir (pela regra, mesmo principio só que neste caso seria explorada sem fio) mas… ‘tá aí tio!’ :)

  • carlosmd001

    Olá Pessoal, lembra os dois caras que o San citou? Um deles voz fala. San me conhece a muito tempo e em todo esse tempo sabe que sempre trabalhei com telecomunicações e estive bem próximo a todas as operadoras e ainda assim, nem mesmo os acessos diretos criados possibilitou que hoje eu não fosse mais um refém como milhares de brasileiros. Serviços horríveis, custos absurdos, promessas enganosas tudo isso sem suporte algum. Agora, aqui na empresa, estamos próximos a lançar um produto de internet como serviços essencial em parceria com uma operadora que já faz parte do sistema, ou seja, possui todas as licenças e homologações para a exploração comercial dos serviços de telecomunicações, mas, propagandas a parte, estamos chegando o mais próximo possível de uma internet justa e de qualidade contando com as ferramentas de uma legislação constituída para favorecimento dos grandes Players de um mercado em que o consumidor é um mero detalhe.

  • Igor veltman

    Uma pergunta: e se a rede não for comercial, isto é, se for para dar acesso gratuito à população, como num hot-spot, é preciso autorização da Anatel do mesmo jeito?

  • Igor veltman

    Repito aqui a pergunta, pois creio te-la feito em local errado. E se a rede não for comercial, isto é, se for para dar acesso gratuito à população, como num hot-spot, é preciso autorização da Anatel do mesmo jeito?