Minilab inglês se recusa a imprimir fotos porque elas são muito boas

Olhem só que rolo gigantesco. Malgorzata Kulinsha, 26 anos, nasceu na Polônia, mas vive atualmente em Coventry, no Reino Unido. Grávida de 8 meses e de viagem marcada para visitar seus parentes na Polônia, ela pediu para sua amiga Joanna Ornowska, estudante de fotografia, fazer algumas fotos dela nesse momento tão especial para poder mostrar para os parentes na terra natal. Infelizmente, o local onde os parentes residem não possuí internet, então ela decidiu se dirigir até uma das lojas da Boots Photo e fazer algumas cópias impressas para deixar de lembrança na Polônia.

Assim que chegou ao local com o cartão de memória os funcionários se recusaram a imprimir as fotos porque elas eram boas demais. Explico. Os funcionários tiveram receio de que as fotos tivessem sido feitas por um profissional e que a moça estivesse tentando fazer cópias sem a autorização do fotógrafo. Até ai, tudo bem, pois estavam seguindo a Lei de Direitos Autorais (isso também deveria valer no Brasil, mas aqui ninguém está nem aí com a paçoca). Depois desse pequeno problema, ela foi informada que para poder fazer as impressões, era necessário uma autorização por escrito de quem fez as fotos.

Nesse ponto é que começa a parte maluca da coisa. Joanna Ornowska, a fotógrafa, fez a autorização e foi até a loja com os originais para a impressão. A loja se recusou novamente a fazer as cópias, pois o papel com a autorização deveria ser timbrado, com a marca do fotógrafo que fez as fotos. Ao afirmar que ela era a proprietária das fotos e que não possuía papel timbrado, pois não trabalhava ainda com fotografia profissionalmente, os atendentes não acreditaram, dizendo que uma moça tão jovem não teria condições de fazer um trabalho daquela nível.

Para finalizar, todo o rolo acabou na imprensa e depois de aparecer em vários blogs, a empresa se pronunciou através de um porta voz que reafirmou o compromisso da Boots Photo em continuar exigindo autorizações de trabalhos que parecerem ser profissionais. “Com o advento da fotografia digital, tornou-se cada vez mais fácil para os membros do público fazer suas próprias cópias de fotografias tiradas  por um fotógrafo profissional, ao invés de obter estas diretamente do fotógrafo. Para cumprir a legislação de direitos autorais e para proteger os direitos de propriedade intelectual, a expressa permissão deve ser dada pelo fotógrafo.”

Então, vamos pensar juntos. A proteção de Direitos Autorais tem que ser levada a sério, mesmo em países primitivos como o nosso. Fotógrafos, como qualquer outro profissional que produz trabalho intelectual e cultural, vive da venda de seu produto. Nada mais justo do que ter o seu direito preservado em todo o processo produtivo. Mas a atitude da Boots foi um pouco severa. Se a posse dos arquivos originais não provar que sou dono das imagens (nenhum profissional que leve a sério a fotografia vende os originais), então nada mais vai provar. Temos que ter atitudes que se direcionem pela Lei, mas absurdos também não podem ser tolerados. Se isso acontecer no Brasil, existem vários usuários aqui do Meio Bit que não conseguiriam revelar suas fotos, por conta do alto nível técnico. E olha que as fotos envolvidas nesse rolo nem eram tão boas assim…

Fonte: Daily Mail

Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

Compartilhar
  • Não tenho conhecimento das leis de direito autoral, mas acho estranho o laboratório negar a cópia das fotos por “achar” que as fotos não eram dela. A responsabilidade (e a culpa) pelas cópias não seriam da pessoa que as fez e não do laboratório?

  • Tem em algum lugar as fotos para vermos?

    • no link do Daily Mail na fonte tem as fotos na reportagem.

      • Ops…hehe.

        Pois é.. São fotos boas, mas acharem tão profissional assim a ponto de não imprimir…

         

  • allcontaktmail

    Adorei a reflexão e o espaço! Mas aqui… Você, Gilson, realmente precisa falar TÃO mal do Brasil? Quanto à idéia de propriedade intelectual acho que é, como qualquer outra idéia de propriedade, nociva ao avanço social e, no caso, artístico. Acho exageradas exigências assaz oficiais e oficiosas como essa do timbre… Sem falar do preconceito contido em frases como “você é muito nova para ter feito um trabalho desta qualidade.” Além do que, o lhama tá certo… A responsabilidade deveria ser da pessoa que pede as cópias.

    • @allcontaktmail, bem, a propriedade intelectual é o que garante que pessoas com talento continuem produzindo. Se eu não posso viver do que produzo então não vale a pena continuar fazendo, não é verdade? Mas, podemos distinguir a coisa em duas vertentes. Temos a fotografia de arte, que pode ser apreciada por todos, mas não apropriada como vemos em muitos casos. A fotografia comercial é algo que vendemos para um cliente, então não cabe a ele decidir como reproduzir sem a minha permissão. Quando falei sobre o Brasil, é somente pelo fato de qualquer coisa que você mandar para um minilab vai ser reproduzida, mesmo que seja uma foto famosa ou a capa da veja daquela semana. Não existe a preocupação que vemos no Reino Unido em preservar direitos de reprodução. Mas, no caso acima a coisa toda beirou o ridículo. Não existe essa de ser muito jovem para ter feito as fotos, até porque não são nenhuma obra de arte.

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Walmart, Cupom de desconto Ricardo Eletro, Cupom de desconto Extra, Cupom de desconto Martins Fontes Paulista, Cupom de desconto Empório da Cerveja