Algumas reflexões sobre o público-alvo do iPad

Lançado na última quarta-feira, o iPad da Apple recebeu muitos narizes torcidos. A julgar pelos comentários muitas vezes até raivosos do pessoal durante o lançamento no Twitter, o “iPod touch de Itu” (como ele vem sendo chamado) não agradou muito. Eesperava-se uma Tablet, um Macbook sem teclado, ou qualquer outro dispositivo que fizesse café e levasse o lixo pra fora. No meio de tantas reclamações, alguns críticos deram sua opinião positiva – recheadas, é claro, de muitos “poréns”.

David Pogue, por exemplo, diz em seu artigo para o New York Times que o dispositivo criado pela Apple, que difere muito das expectativas criadas sobre ele, é de fato algo novo, e que as críticas em cima do bicho não fazem jus às possibilidades que ele cria. Ele também chama a atenção para a tela: apesar das extensas reclamações por não ser na proporção widescreen, é um ótimo tamanho para leitura. Mas Pogue deixa claro que ainda é cedo para especular qualquer coisa a respeito do iPad, uma vez que a Apple não disponibilizou um único dispositivo para ser resenhado. E finaliza seu texto falando que o produto tem potencial para criar uma nova categoria, e que isso pode de fato acontecer. Ou não.

Um texto do Pedro Burgos, do Gizmodo Brazil, lembra que até mesmo o iPhone, lançado há alguns anos e hoje um inegável sucesso, também tinha uma lista de “falta isso” muito maior que a lista de recursos, e contrariou todas as previsões. Ele também destaca que há muitos mercados ainda não descobertos pela tecnologia onde o iPad pode se estabelecer. Entretando, aqui na Terra de Vera Cruz, a realidade é bem outra e o iPad pode não “funcionar”.

A Garota Sem Fio Bia Kunze também deu seu pitaco. Em seu texto, ela diz que para os pitaqueiros, “cada novo lançamento de Steve Jobs tem o dever moral de mudar o mundo”, e quando isso não acontece, milhões de doutores em Engenharia aparecem metendo o dedo na cara da Apple. Ela também deixa claro algo que muita gente por aí nem se deu conta: o iPad não é um netbook, muito menos um tablet. É um novo produto, que segundo ela vai vender bastante e fazer grande sucesso.

Um paralelo interessante pode ser feito entre os textos da Bia e do Burgos. A respeito do público-alvo que El Jobso pretende alcançar com sua pranchetinha, ambos os textos coincidem em um ponto: pessoas não muito afeitas a tecnologia.

O último parágrafo do texto da guria sem fio diz:

Espero sinceramente ter encontrado o dispositivo perfeito para idosos e crianças entrarem de forma mais natural no mundo da tecnologia móvel. O iPad não é um intermediário. É o primeiro. Acho que quando o iPad chegar às lojas, os nerds baixarão suas foices e entenderão o potencial verdadeiro.

O texto do Gizmodo vai ainda mais longe:

Mas a quem interessa algo que, você dirá, um smartphone ou um notebook já fazem? Em qualquer site gringo que deu a notícia sobre o iPad, você verá comentários do tipo “achei a máquina para comprar para minha avó.” O Gizmodo falou hoje mais cedo sobre o potencial do iPad para inclusão da terceira idade na informática, com letras grandes e sem mouse.

Começa a fazer sentido para você? E não serão só as vovózinhas da Flórida, que não comentam no Gizmodo, se interessando. Se você não consegue se ver usando um bagulho assim, pense no resto do mundo, em um lugar (os EUA) onde o preço não é necessariamente uma barreira. Lá, universitário que nunca deu bola pro Kindle se sentirá interessado, porque além de também possibilitar a leitura, poderá comprar e assistir seus seriados – ou abusar da possibilidade de navegar na internet com apenas uma mão, se é que você me entende.

Aqui mesmo no Meio Bit o Cardoso escreveu (grifo meu): “Olhe aqui o seu PC de 3 anos no futuro: [foto do iPad] Se não for seu, será o de sua mãe.”

Minha opinião? Todas as considerações dos autores citados fazem todo sentido. Um dispositivo tecnológico que não serve pra mim, nerd, aficionada em tecnologia, ligada nas últimas tendências, que exige uma máquina parruda que rode 365414 softwares ao mesmo tempo, não é necessariamente um dispositivo ruim.


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