Grindr compartilhou status de portadores do HIV com outras empresas

O Grindr, a rede social de encontros voltada à comunidade LGBTQ+ lançada em 2009 (três anos antes do Tinder) se envolveu numa polêmica e tanto: a plataforma estaria compartilhando grandes quantidades de dados sensíveis de seus mais de 3,6 milhões de usuários com duas empresas de consultoria, inclusive informações médicas referentes a portadores do vírus HIV.

Tudo começou quando uma empresa de análise de dados revelou que o Grindr estava compartilhando uma série de informações de toda a sua base instalada com duas consultoras, chamadas Localytics e Apptimize. Os dados iam desde localização via GPS, endereços de e-mail e IDs de telefone ao estado de saúde dos usuários, especificamente se eles são soropositivos ou não. Acontece que a rede social não exige tal informação que é absolutamente opcional, mas as informações daqueles que escolheram preencher o cadastro completamente também eram igualmente compartilhadas.

Após o caso estourar o Grindr veio a público confirmando que de fato coleta e compartilha tais dados, porém afirmou que segue contratos sólidos de modo a proteger privacidade dos usuários. Assim sendo, tais informações só seriam mantidas entre o Grindr e as duas consultoras e não poderiam de maneira alguma ser compartilhados, vendidos ou coisa que o valha.

O problema é o velho ditado “três homens podem manter um segredo se dois estiverem mortos”: ao manter o compartilhamento de dados sensíveis entre três companhias diferentes, o Grindr corre o risco de que um vazamento exponha as informações de todos os seus usuários e de qualquer forma, os soropositivos não devem ter gostado nem um pouco de saber que consultorias estariam triangulando dados dos portadores de HIV com seus endereços, posição no GPS e desenhando padrões, o que pode vir a se tornar uma tremenda fonte de constrangimento e dores de cabeça para eles.

Em nota recente, o Grindr afirma que deixará de compartilhados dados referentes ao status de portadores ou não do HIV, mas a verdade é que o estrago já foi feito e a confiança em torno da rede social foi colocada em cheque.

Fontes: BuzzFeed e Ars Technica.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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