Diretor de Testes diz que F-35 não está pronto pra combate, é não-confiável e componentes precisam ser reprojetados

cashjet968

Pode parecer um contrassenso mas a pior época pra desenvolver tecnologia militar é em tempo de paz, quando ninguém está atacando você. Teoricamente há mais tempo para planejar e especificar os projetos, fornecedores podem ser escolhidos com calma, técnicas de produção desenvolvidas e aprimoradas e os testes podem ser exaustivos. Na prática, não é o que acontece.

Projetos são empurrados com a barriga, especificações alteradas toda hora, a decisão dos fornecedores é essencialmente política, e se o produto final funciona ou não, é irrelevante pois não será usado em combate…

Algumas vezes até dá certo, é o caso do Bradley, um blindado de infantaria que levou 17 anos pra ficar pronto e comeu US$ 14 bilhões de dólares, em uma série de decisões que vão do incompetente ao criminal, passando pelo irresponsável. Em determinado momento o laboratório responsável pelos testes se recusou a usar munição real para determinar a capacidade da blindagem do bicho.

Mesmo assim o Bradley acabou responsável por mais tanques iraquianos destruídos na Guerra do Golfo do que os tanques M1 Abrams americanos. No final só perderam 20 Bradleys, sendo 17 em incidentes de fogo amigo.

Para saber mais sobre a história do Bradley, assista Máquina de Guerra, é tão surreal que tiveram que transformar em comédia.


Francisco Morbiolo — Pentagon Wars – Legendado PT-BR

No caso do F-35 talvez não tenhamos tanta sorte. Com canhões que não podem ser usados por falta de software e asas que precisam de reforço pra poder pousar em porta-aviões, todo dia surge um entrave na vida do bicho, e agora foi o relatório dos programas do Departamento de Defesa pra 2017.

Pra começar, a disponibilidade da frota de F-35 está pouco abaixo de 50%. Tecnicamente estão na média, 50% dos caças dos EUA não têm capacidade de voar, por questões de manutenção, necessidade de reformas ou falta de peças de reposição. O problema é que o F-35 é uma plataforma 0 km: ter o mesmo nível de disponibilidade de uma frota de aviões velhos, é feio, muito feio.

Mesmo com a entrada de novas unidades, o relatório não prevê um aumento de disponibilidade.

O canhão? Apresenta uma falha de alinhamento, puxando pra direita e ninguém sabe o motivo. A “Capacidade Operacional de Sobrevivência” do avião continua abaixo das exigências, e depende de gambiarras que não atender às expectativas de serviço em condições de combate. A confiabilidade geral da plataforma está “estagnada”. Não se alterou no último ano.

Ao menos corrigiram as “oscilações verticais desorientantes” das decolagens de porta-aviões. Céus.

O relatório inteiro é uma sucessão de desastres, prometidos evitados ou em suspenso.

Ah sim, o F-35B, a versão dos fuzileiros tem problemas com os pneus. Eles não são fortes o bastante para pousar convencionalmente em alta velocidade, não são macios o bastante para pouso vertical e são pesados demais. Resultado: duram 10 pousos, quando o requerido era que durassem no mínimo 25 pousos completos em porta-aviões.

Parabéns a todos os envolvidos, que devem estar aliviados por não haver nenhuma guerra de verdade no horizonte.

Fonte: Next Big Future.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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