Facebook quer que usuários informem quais fontes são confiáveis. O que poderia dar errado?

Zuck encontrou a desculpa perfeita para tirar o Facebook da reta quanto o assunto for Fake News

O Facebook tem um problema sério com sites e páginas de notícias falsas e gente replicando fanfics e histórias esquisitas, de frotas marítimas que não existem a crianças que aprendem a lacrar antes de tirar as fraldas. Para minimizar o alcance das Fake News a rede social fez modificações profundas em seu Feed de Notícias, de modo a privilegiar apenas postagens de indivíduos e sumindo com as páginas enquanto combate mendigos sociais e outras mutretas.

Ainda que o alcance de links externos e páginas tenha sido severamente reduzido no feed, o Facebook sabe que é preciso oferecer uma melhor qualidade de fontes e informações e para isso utilizar meios de identificar o que é real e o que é falso é essencial. O problema (só que não, mas chegaremos lá) é que a solução revelada pelo CEO Mark Zuckerberg na última sexta-feira (19) não é das melhores:

De acordo com o executivo, ao invés de apelar para soluções para filtrar conteúdos como fazer uso de algoritmos, moderação manual ou auxílio de especialistas externos, o Facebook deixará a tarefa de identificar quais fontes são confiáveis e quais não são nas mãos dos usuários. Eles indicarão para a rede social quais páginas e sites são confiáveis e quais não são, de forma a balancear não a quantidade mas as fontes que serão veiculadas com mais frequência. Quem tiver um score de confiabilidade alto aparecerá mais.

Obviamente que o grande, titânico problema com essa abordagem é que indivíduos não são confiáveis. A grande massa usuária do Facebook é o tipo que acredita em fanfics absurdos e vídeos de teóricos da conspiração, e por mais absurdo que seja esse serão os encarregados de dizer o que é real e o que é Fake News; não obstante, pessoas simpatizam com os conteúdos que mais lhe agradam e isso posto, muitos marcarão como confiáveis poços de maluquices como o InfoWars, por exemplo.

O real intuito do Facebook não é fornecer um “ambiente sadio” e sim tirar o seu da reta: ao passar para o usuário a responsabilidade de identificar quais fontes são confiáveis e se baseando em pesquisas de qualidade para medir tais números, no momento em que a primeira polêmica envolvendo Fake News e a rede social a óbvia desculpa que será dada é “a culpa é do público”, visto que ele indicou tais fontes como válidas. No fim a estratégia não só não fará nada para reduzir a quantidade de notícias falsas veiculadas na plataforma, como eximirá o Facebook de culpa quando tudo der inevitavelmente errado.

No fim das contas o Facebook conhece muito bem a natureza humana, e se valerá dela para se livrar de futuras dores de cabeça.

Fonte: Facebook Newsroom.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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