Puxando filme Kodak Tri-X 400 para 6.400

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Houve uma época, crianças, muito primitiva e quase esquecida na história, onde eramos obrigados a utilizar filmes fotográficos para fotografar. E o que era isso? Eram películas com produtos sensíveis à luz que eram colocadas dentro das câmeras fotográficas. Elas possuíam um número limitado de fotos (no máximo 36 fotos, olha que pobre), e para você ver a foto era necessário que essa película passasse por um processo químico que chamávamos de revelação. Outra limitação era que cada película tinha uma velocidade ISO específica. Não era possível mudar isso durante o processo de fotografar, a menos que você trocasse a película por uma mais sensível. Mas, na revelação isso não era uma verdade.

Quem aqui é da antiga e já teve que puxar um filme fotográfico? Essa prática, muito comum com os filmes preto e branco (mas no começo era possível fazer com os coloridos também), era uma coisa muito simples. Frente a dificuldade de encontrar filmes com ISO elevado, era só comprar um filme ISO 400 (mas, já fiz com 200 também) e regular a câmera como se ele fosse um ISO mais alto, como 1.600, 3.200 ou 6.400. Fotografar normalmente respeitando as leituras do fotômetro e a pegadinha estava na hora da revelação. Esse filme tinha que ser revelado com o processo do ISO que você simulou na câmera. Sim crianças, cada ISO tinha um processo específico para ser revelado, assim como cada marca de filme necessitava de uma temperatura específica. Então você tinha um ISO 400 que era revelado como um 1.600 (apenas 2 pontos de luz acima).

O resultado era um filme com ganho de luz acima do que seria normal, mas com uma granulação muito maior também. Para filmes preto e branco isso era tranquilo, pois era um charme interessante. Para os coloridos nem tanto. Filmes preto e branco podem ser puxados até 5 pontos, enquanto os coloridos até 3 pontos. A brincadeira chegou ao fim com as primeiras câmeras fotográficas eletrônicas (que já faziam a leitura automática do ISO e não permitiam mudança) e quando os laboratórios começaram a utilizar os minilabs digitais que também faziam a leitura automática do ISO no filme. Se tiver uma câmera mecânica e um laboratório da velha guarda, ainda é possível.

Vincent Moschetti é um fotógrafo com que mora na Irlanda e que está no meio de uma experiência de um ano onde ele está fotografando apenas com filme. Ele publicou recentemente um vídeo em seu canal mostrando o processo de puxada de filme. Ele usou uma Leica M6, a lente Voigtlander 35 mm Nokton f/1,4 e um rolo de filme Kodak Tri-X ISO 400. Vincent levou o filme 4 pontos de luz acima do seu ISO nativo. O resultado foi bem interessante.


One Year With Film Only — Developing Kodak Tri-X 400 Pushed to 6400

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams "Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio".

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