Apple sobre iPhones antigos com performance mais lenta: “não é um bug, é uma feature” [UPDATE]

[UPDATE 22/12/2017 6:40] é, a desculpa não colou. Dois residentes de Los Angeles, Stefan Bogdanovich and Dakota Speas entraram com uma ação contra a Apple na Corte do Distrito Central da Califórnia, alegando que a companhia fez uso de práticas desleais com a intenção de favorecer os novos lançamentos e induzir o consumidor a erro, falhando em esclarecer os motivos pela limitação de perfomance em iPhones antigos e estimulando a ideia de que a solução é sempre comprar aparelhos novos todos os anos.

A Wilshire, escritório de advocacia que representa os reclamantes está buscando representação nacional do caso, o que pode gerar jurisprudência e beneficiar todos os norte-americanos que se sentirem lesados e resolverem processar a Apple. Isso vai longe.

Segue abaixo a notícia original.


Tudo começou no ano passado, quando usuários dos iPhones 6 e 6s começaram a se queixar de problemas na bateria de seus duspositivos, que se desligavam antes da carga ser zerada. A Apple liberou a versão 10.2.1 para corrigir o problema, que seria essencialmente de de hardware mas aí os donos dos aparelhos passaram a reclamar de outro problema: o software estaria limitando a performance após constatar que a bateria não mais estaria em sua melhor forma.

As especulações em torno da chamada correção se concentraram na possibilidade da Apple tê-la liberado para minimizar a substituição de baterias gratuitamente (no Brasil o procedimento custa em torno de R$ 450), com o iOS forçando o iPhone a rodar mais lentamente ao detectar o início do desgaste da bateria; com o tempo ela se tornam menos capazes de fornecer picos de energia e como forma de prolongar a vida útil e não ter que trocar componentes de todo mundo, o software atuaria como uma babá.

O problema é que muita gente começou a apontar os mesmos problemas de performance também nos iPhones 7 e 7 Plus, que não contariam com baterias problemáticas e não teriam que ser submetidos a esse tratamento. O Geekbenck, que foi o primeiro a expor o problema investigou o problema a fundo e descobriu que a maçã tem sido bem pouco transparente, ao prejudicar intencionalmente a performance de modelos mais antigos sem explicar ao usuário o que está acontecendo; dessa forma, ao invés de investigar os problemas o dono de iPhone leigo prefere trocar de modelo, o que é bom para a maçã. Basicamente ela estaria aplicando um plano mesquinho de obsolescência programada, ao depreciar iPhones velhos em prol dos novos.

O desenvolvedor iOS brasileiro Guilherme Rambo encontrou inclusive um elemento no iOS 10.2.1 chamado powerd (de power daemon), que seria o responsável por controlar a performance do iPhone com base na saúde da bateria:

A coisa pegou tão mal que a maçã acabou vindo a público explicar o que de fato está acontecendo, tendo admitido a prática mas deu seus inacreditáveis motivos:

“Nosso objetivo é entregar a melhor experiência para os consumidores, o que inclui a performance geral e o prolongamente de vida de seus dispositivos. As baterias de íons de lítio se tornam menos capazes de atender demandas de picos de corrente em condições de clima frio, com uma carga baixa de energia” ou a medida em que se desgastam com o tempo, o que pode levar a um dispositivo desligando-se de forma inesperada para proteger seus componentes eletrônicos.

No último ano nós introduzimos um recurso nos iPhones 6, 6s e SE para limitar os picos instantâneo apenas para quando necessários, a fim de prevenir que tais dispositivos desliguem repentinamente nessas condições. Nós agora estendemos esse recurso para o iPhone 7 com o iOS 11.2, e planejamos adicionar o mesmo suporte para outros produtos no futuro.”

A lógica da Apple, que não é de todo errada é que as versões mais antigas do iPhone são incapazes de fornecer uma performance topo de linha em comparação aos modelos mais recentes, devido ao hardware mais defasado e maiores exigências do iOS com o passar do tempo. O problema, ao meu ver no entanto é o sistema intencionalmente capar o desempenho geral abaixo das suas capacidades e a Apple não ter deixado isso claro desde o início, induzindo (intencionalmente, sejamos francos aqui) o consumidor a erro ao fazê-lo pensar que o iPhone em si é incapaz como um todo e estimula-lo a trocar de dispositivo.

E como é intenção da companhia aplicar o mesmo “feature” em modelos futuros, tão logo a próxima geração seja lançada o powerd entrará em ação, de modo a limitar o desempenho dos atuais iPhones 8/8 Plus e X. Tudo “para sua segurança” e de modo a garantir a vida útil da bateria de dois anos, conforme a Apple defende ser o mínimo aceitável.

Faltou transparência nesse caso, pois se a Apple pretendia mesmo proteger as baterias em prol de manter os iPhones saudáveis, o mínimo que ela deveria ter feito era se pronunciar sobre isso desde o início. Ademais, embora outros fabricantes tenham seus próprios problemas de bateria vez ou outra (a Samsung que o diga) modelos Android fornecem controles de modo de economia ao usuário, enquanto a maçã é bastante conservadora nesse ponto; ela nunca foi muito clara quando se trata de informar ao usuário quando a bateria irá para a casa do chapéu.

No mais, é preocupante saber que daqui a um ano o iPhone X terá sua performance capada por uma atualização de software mas hey, é para seu próprio bem.

Fonte: TechCrunch.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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