Os videogames são arte?

Por: em 16/11/09 na(s) categoria(s): Cultura Gamer, Destaque


Definir algo como uma expressão artística é um tanto complicado. Embora a velha discussão se os jogos eletrônicos possam ser considerados arte pareça nunca ter fim, de acordo com esse artigo publicado no site Brasil Escola, “A arte pode ser representada através de várias formas, em especial na música, na escultura, na pintura, no cinema, na dança, entre outras” e talvez ainda mais importante, “A arte é uma forma do ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio.”

dori_art_27.10.09-3 Isso posto, se os games são capazes de reunir todas essas características, é válido questionar porque não os considerar uma forma de arte? Não estou querendo com isso dizer que qualquer coisa possa ser classificada como arte, porém, acho que há muito os videogames deixaram de ser meros aparelhos para ocupar o tempo das crianças e se tornaram uma forte ferramenta de disseminação cultural, possuindo algumas criações que merecem ser apontadas como os jogos que ajudaram a mídia a amadurecer e ser vista, até por quem não gosta de games, como algo a ser respeitado.

Pensando nisso, o site AskMen fez uma lista onde são mostrados os dez melhores “jogos artísticos” já feitos. Listas são sempre muito subjetivas, principalmente quando se trata de um assunto tão discutível e mesmo que ela conte com vários jogos espetaculares e que gosto muito, em se tratando de jogo como arte, não consigo colocar lado a lado um Final Fantasy VII e um Shadow of the Colossus, por isso, resolvi citar aqui algumas modificações que eu faria na lista deles, portanto, vamos à elas.

Minha lista:

10 – Killer 7
9 – Machinarium
8 – Okami
7 – Rez
6 – Braid
5 – BioShock
4 – Flower
3 – Out of this World
2 – Shadow of the Colossus
1 – Ico

Minhas justificativas:

- Killer 7
Mesmo não tendo gostado muito desse jogo, na minha opinião é o típico caso de game arte. A sensação que tive ao jogar o Killer 7 é que os criadores não se importaram muito se o jogo venderia pouco e resolveram fazer uma série de experimentos.

Com um estilo gráfico amparado pelo cell shading, enredo bastante maduro e diversas referências à cultura pop, como a banda The Smiths, acho que o jogo é uma espécie de Roy Lichtenstein dos games.

dori_art_27.10.09-2 - Machinarium
Desenvolvido pelas mentes brilhantes da Amanita Design, este point-and-click possui, além da linda trilha sonora, um estilo gráfico belíssimo baseado no steampunk. O cuidado com o visual é tão grande que cada tela merecia virar um quadro e ficar pendurado na parede de nossas casas. 

- Out of This World
Um dos maiores clássicos da indústria, OotW serviu de inspirações para vários games que seriam lançados muitos anos depois (como o que está no topo da minha lista) e introduziu o conceito de cutscenes aos games.

Além dos impressionantes cenários, a movimentação do protagonista era algo e encher os olhos e mesmo que nenhuma palavra fosse dita durante todo o game (com exceção da abertura) era fácil compreendermos o que estava acontecendo ali.

dori_art_27.10.09 - Ico
Além de contar com uma narrativa similar ao do Out of this World, onde precisávamos interpretar o enredo, Ico fugiu do padrão ao não exibir informações como energia ou armas na tela, o popular HUD

Os vastos cenários em tons pasteis e a arquitetura fantástica ajudavam a passar a sensação de que o jogo era uma pintura em movimento e talvez não haja forma melhor de escrever essa obra-prima.

Por enquanto é só, mas se você tem interesse pelo assunto, recomendo dar uma olhada neste artigo do blog Big Download e neste outro do GameCritics, ambos em inglês.

  • ovtbqr

    Killer7 provavelmente tem o melhor diálogo não escrito por Itoi em videogames.

    [quote]Would you like to join me for a game of Russian Roulette?
    If you win, I’ll tell you a secret. “How to hit on women with 100% success!”[/quote]

  • http://www.xboxplus.net marcos.zy

    Interessante artigo, que leva a gente a pensar em como, muitas vezes nós mesmos, gamers, encaramos os jogos sem levar isto em conta. Acho que isso fica mais “na cara” quando o gamer se depara com FPS’s ou jogos similares, onde os gráficos e a engine utilizados são elevados às alturas e esquece-se do trabalho artístico, da criatividade.

    Eu concordo mais com a sua lista, Dori, e apesar de toda a inovação do game, não entendo como o pessoal do AskMen colocou “Portal” na frente de Braid e BioShock. Que que é isso, BioShock e todas aquelas construções em Art Déco é uma verdadeira obra de arte, também.

    Falando em Machinarium, comprei essa preciosidade na pré-venda, no Steam, e não me arrependo. Fantástico! :)

  • Mutyler

    Não joguei alguns desses titulos mais uma coisa é certa shadow of colossus, ico e okami acertaram em cheio no quesito “OMFG ISSO EH MUITO DOIDO”

  • hEaD_cRaB

    Limbo of the Lost  }:)

    Não sei o que mudaria nessa lista , talvez colocaria Aquaria por ser um jogo bom e pouco conhecido (ou pouco jogado).

    Machinarium eu só joguei o demo e gostei do que vi.

  • ovtbqr

    Portal > Bioshock.

  • http://estadocronico.blogspot.com goette

    Acho que a principal questão para considerar os video-games (ou qualquer outra coisa) como arte é o estabelecimento de uma linguagem.

     

    Não é possível voce considerar que um jogo será arte apenas pelas cut-scenes, pelo cenário belíssimo ou por sua música fantástica. Esses são elementos de outras artes que se expressam em um jogo, mas não o tornam arte. Na verdade, o jogo teria um conteúdo artístico, mas não seria ele mesmo arte.

     

    A única possibilidade de considerar um jogo arte é a partir da interatividade, a única característica exclusiva do video-game. Como fazer dessa interatividade um mecanismo de expressão de sentimentos, carregado de significados? Não sei, mas é uma coisa a ser evoluída.

     

  • zedopovo

    Não vejo como ICO não está presente na lista do site AskMen, talvez eles tenham pensado em não colocar mais de um jogo do mesmo produtor. ICO é simplesmente o jogo mais bonito que já joguei, não é um jogo pra qualquer um.

  • http://twitter.com/max_laguna Max_Laguna

    O que é que o FF7 está fazendo numa lista desse tipo?

    :O :?

    Na boa, FF7 é um jogo até bom, mas ser encarado como arte são outros quinhentos: FF6, por exemplo, mereceria muito mais tal posto, isso se desconsiderássemos muitos outros jogos que não sejam de tal franquia de J-RPGs da Square. Também achei estranho ver o MGS4 e o Portal na lista original, mesmo eu gostando muito da franquia Metal Gear. :P

    Sobre a lista do tio Dori, acho que eu só trocaria o Another World e o Shadow of the Colossus de posição.

    ;) 8)

  • Compostela

    Essa discussão me parece ultrapassada já.

     

    As vezes, acompanho minha namorada – estudante de Artes Plásticas – em exposições de arte. E um dos maiores “ramos” (acho q ela me bateria se ouvir eu falando assim) da arte contemporanea é o “Multimidia” que, nada mais é do que instalações q em muito lembram videogames. Em São Paulo, direto se tem exposições assim – sem contar o proprio Museu da Lingua Portuguesa e outros museus modernos, que tiram muito da sua linguagem do videogame, embora com algumas restrições.

     

    Deixando isso de lado e expondo apenas a minha opinião – de leigo, q fique bem claro – acho q o “papel” da arte é te dar um empurrão, algo q te tire do lugar. Ou seja, vc olha para uma coisa, inicialmente de forma passiva, mas ela te traz um sentimento qualquer que te faz sair um pouco diferente do que quando interagiu com aquilo, mesmo q por alguns poucos momentos. A maioria das vezes, através de uma reflexão – mas as vezes insconscientemente. Algo q te faz pensar sobre algo, ou se sentir mal, ou apenas te passar uma emoção qualquer pela forma que seus elementos são apresentados. E, pensando assim, os videogames fazem aquilo que é o papel da arte.

  • Alexandre h

    [FF6, por exemplo mereceria muito mais tal posto]

    Na boa, não estou falando como “fã de Final Fantasy VII”, e sim como “jogador de RPG”, acho que a história de Final Fantasy VII é bem superior a de Final Fantasy VI.

    No sétimo focalizaram melhor o enredo que gira em torno de Cloud e CIA contra Sephiroth, enquanto que no sexto lotaram de personagens, porém com uma história pobre (na minha opinião) em torno dos protagonistas.

    Alías, a não ser que minha memória esteja bem fraca, FF6 tinha 14 personagens jogáveis, mas acho que boa parte deles entraram “do nada” na história, e não fariam falta nenhuma no enredo.

  • thE Masterkey Blaster

    eu tinha uma revista SuperGamePower com um artigo falando exatamente sobre isso. Tinha um homem lá, um artista que defendia encarar os games como arte. E citava o Shenmue do DreamCast como uma obra de arte. Agora nem sei onde ela foi parar…

  • garoa

    meh, parece que essa lista de videogame-arte só contempla a parte visual:  tudo que parece um quadro é arte.

    E a engenhosidade do design de intrincadas, labirínticas e intelectualmente estimulantes fases (Metroid)?  E jogos com histórias realmente emocionantes (FF6)?  E a música?  nada disso conta muito nessas listas…

    e que tal o jogo na minha assinatura? ;)