Descoberta causa do acidente com o foguete russo, e é Facepalm Level 8000

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No dia 28 de novembro decolou do Cosmódromo de Vostochny um foguete Soyuz levando um Meteor M2-1, um satélite meteorológico de 2,7 toneladas e outros 18 satélites menores.

A decolagem foi um sucesso, a separação do primeiro estágio foi perfeita, o segundo idem e o terceiro estágio colocou o resto da espaçonave quase em órbita, como planejado.

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O trabalho agora estava a cargo do Fregat, o “rebocador espacial” que cuidaria da aceleração final que posicionaria o Meteor em uma órbita a 825,5 km de altitude.

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Eu disse posicionaria, pois não posicionou. O Fregat não respondeu aos comandos de terra e mais tarde o NORAD avisou que ele não estava na posição indicada.

Quem descobriu o Fregat foi um piloto voando sobre o Atlântico Norte, que fez este lindo e caro vídeo:

 

O mistério do que aconteceu com o Fregat foi resolvido rapidamente, e mostra como a tecnologia russa é pé-de-boi, resistente mas ao mesmo tempo completamente inflexível.

Tudo começou quando os russos inauguraram o Cosmódromo de Vostochny, no Amur, bem a leste na Federação Russa. Ele é bem distante do Cosmódromo de Baykonur no Cazaquistão, de onde a maioria dos lançamentos eram feitos.

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É importante para um foguete saber de onde está sendo lançado e para onde deve ir, e o Soyuz sabia, ao menos boa parte dele. O problema é que o Fregat não foi avisado. O estagiário esqueceu de programar no Fregat que ele iria decolar de Vostochny, não de Baykonur.

O módulo achou que estava no Cazaquistão, e quando executou a manobra de acionamento de motor, ele se posicionou como se tivesse sido lançado de lá. Só que os ângulos e direções eram completamente diferentes.

O Fregat usa navegação inercial, ele se localiza levando em conta aceleração, ângulos, quanto tempo ele se moveu em determinada direção, assim não depende de sinais externos que podem ser interceptados ou simplesmente não funcionar. É uma tecnologia mais que comprovada, usada até hoje em aviação, pra muita gente o GPS que é o backup.

Para o módulo ele não fez nada errado, após X segundos de acionado inclinou-se na direção correta e acionou o motor, infelizmente ele era burro demais pra perceber que estava fazendo tudo certo mas com o ponto de referência errado (foi um pouco mais complicado que isso mas estou simplificando).

Ao invés de ganhar velocidade e entrar em órbita, ele acelerou lateralmente por 77 segundos, saindo mais ainda de curso. Sem conseguir escapar da atmosfera, o bicho queimou na reentrada sobre o Atlântico Norte.

Agora uma comissão foi criada para investigar o caso, mas em verdade eu acho que a maior parte do tempo será usada decidindo qual destino terrível terá o sujeito que esqueceu de reprogramar o Fregat.

Fonte: Russia Space Web.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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