Resenha — Amazon Fire TV Stick: agora sim, temos opções

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O Chromecast não mais reinará sozinho no mercado brasileiro: a Amazon lançou no país o Fire TV Stick, a versão compacta e modesta de seu principal dispositivo para consumo de conteúdo destinado a “inteligentificar” TVs, com características interessantes e preço bastante competitivo.

E então, compensa? Eu o testei por dez dias e estas são as minhas impressões.


Do que se trata

A linha de set-top boxes Fire TV da Amazon conta com uma boa gama de dispositivos, que permitem desde streaming em 1080p e 4K a apreciação de games simples disponíveis no catálogo do Android. O Fire TV Stick é a versão mais básica e de entrada, voltada principalmente para o mercado externo aos Estados Unidos como uma opção dedicada de hardware aos assinantes do Amazon Prime Video, que chegou a 200 países um ano atrás. Em casa o Stick conta com uma versão compatível com a Alexa, que não custa lembrar ainda não está disponível no Brasil então nem faria sentido lançar esse modelo aqui.

A principal razão de ser do Fire TV Stick é bater de frente com o Chromecast, oferecendo mais recursos do que o dongle do Google principalmente por se tratar de um hardware completo: diferente do rival, que funciona única e exclusivamente como um acessório de espelhamento de conteúdo o gadget da Amazon conta com um SoC ARM quad-core da MediaTek de 1,3 GHz, GPU Mali-450 MP4, 1 GB de RAM e 8 GB de armazenamento interno, o que faz dele uma caixinha independente e que permite a instalação direta de aplicativos, tal qual a Apple TV mas mais modesto e muito mais barato.

O que você leva para casa: um dispositivo que ao sair da caixa é plenamente compatível com o conteúdo oferecido pela Amazon, principalmente pelo serviço Prime Video que é bom lembrar, não é compatível com o Chromecast e conhecendo o CEO Jeff Bezos nunca será, jamais será. Por ser um produto mais modesto ele é compatível com reprodução apenas Full HD no máximo, ainda que em 60 frames por segundo; na parte do áudio temos suporte a som Dolby Digital Plus em até 7.1 canais, o que é muito bom dadas as suas capacidades.

O Fire TV Stick é bem pequeno, se conecta facilmente à qualquer porta HDMI de seu televisor (o kit acompanha um extensor para facilitar o acesso e melhorar a recepção) e a alimentação é feita através da fonte padrão via conexão Micro-USB, algo necessário principalmente para utilizar seus recursos de HDMI-CEC que permitem ligar a TV através do controle dedicado, ou utilizar o controle do próprio monitor para operar o gadget.

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Falando no controle, ele é o principal diferencial frente ao Chromecast. Por contar com um acessório dedicado e graças à capacidade de armazenar apps localmente, o usuário não depende de sincronização com o smartphone, tablet ou desktop para fazer uso dele. Os controles são absolutamente minimalistas, com um direcional circular e um botão de ação no centro e comandos para executar vídeo, pausar, retroceder e avançar, bem como atalhos para a Home, voltar e acesso rápido ao menu. Ele funciona com duas pilhas AAA, que acompanham o kit.

Performance

Vamos ao que interessa. Ao liga-lo pela primeira vez o Fire TV Stick pede para que o usuário conecte-o à rede Wi-Fi local e entre com sua conta da Amazon, e a partir daí operá-lo é moleza. O fato de não depender da sincronização com o smartphone dá mais liberdade de uso para o espectador, que não precisa depender de um dispositivo conectado para acessar o que desejar. Ele é voltado para uso por toda a família, diferente da mentalidade do Google de ainda focar no usuário “geek” no que tange ao Chromecast.

A navegação é igualmente bem melhor. Diferente do rival, em que tudo deve ser feito pelo smartphone ou tablet utilizar a TV para isso não é só mais simples, é o certo a se fazer. Você pode utilizar uma série de serviços e navegar entre eles rapidamente, sem ter que utilizar a opção Transmitir toda a vez que sair da Netflix e pular para o Plex ou YouTube, por exemplo. Basta um comando no controle e pronto, você já trocou. O algoritmo ASAP (Advanced Streaming and Prediction) analisa o gosto do usuário e pré-carrega os programas que ele pode por ventura vir a assistir, evitando os segundos de carregamento do buffer e agilizando um pouco o uso.

Ainda assim você pode utilizar o app Fire TV Remote (iOS e Android) como um controle remoto alternativo, principalmente para ter acesso a um teclado virtual completo e a comandos de voz.

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Desnecessário dizer que o foco do Fire TV Stick se concentra principalmente nas soluções da Amazon. O Prime Video recebe grande destaque e também pudera, conta com uma sére de conteúdos de peso como The Grand Tour, The Man in the High Castle, Hand of God, The Tick e etc. principalmente por serem conteúdos exclusivos; da mesma forma o Twitch, a plataforma de streaming de games e outras coisas é igualmente oferecida com a devida atenção, mas o forte da Amazon nesse quesito é igualmente seu calcanhar de Aquiles: a dashboard oferece sugestões de serviços como Starz, Hulu e outros que não operam no Brasil. Da mesma forma a loja carece de opções de serviços disponíveis aqui como Telecine Premium e Globo Play, bem como o desejado por muitos HBO Go.

Por outro lado, por rodar Fire OS o Kindle Fire TV é uma opção bastante interessante para fuçadores de plantão, que costumam contornar suas defesas facilmente e instalar apps de fora da lojinha da Amazon ou do Google. Há quem o transforme num servidor Plex ou o faça rodar apps que a lojinha do Bezos não fornece, mas estão presentes na Play Store original mas no entanto, o sistema não é lá muito estável. Apps podem ou não funcionar e mesmo alguns famosos, como o Spotify parecem um tanto incompletos.

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Há algumas curiosas limitações, como a restrição de contas. Por algum motivo inexplicável o gadget não me permitiu adquirir apps enquanto eu não transferisse minha conta da Amazon para os Estados Unidos, o que é no mínimo estranho: por estar disponível no Brasil ele deveria funcionar com contas nacionais mas ao menos no meu caso, não foi o que aconteceu. De qualquer forma a pouca RAM se fez sentir: apps como Netflix e games simples como Pac-Man 256 e Crossy Road deram algumas engasgadas. Games mais pesados exigem um controle gamer dedicado, mas é bom ter em mente que a performance não será tão suave quanto em um smartphone ou tablet Android de ponta.

Por fim, o espelhamento. Como o gadget não é compatível com Google Cast ele faz uso da tecnologia Miracast, mais do que experimentada mas um terror para transmissão de vídeo simplesmente porque ela não foi desenvolvida para isso. O protocolo foi criado tendo em vista um “HDMI via Wi-Fi”, com suporte a 1080p e som 5.1 mas na verdade ele funciona de forma excelente para a exibição de fotos e slides, e sem muita surpresa é ideal para ambientes corporativos. Usar Miracast para espelhar vídeos é pedir para passar raiva, as travadas serão constantes e por isso não dá para pedir muito aqui. Reserve-o para quando você tiver que fazer uma apresentação na escola ou quando sua avó vier visitar e cismar de exibir suas coleções de fotos recém-digitalizadas para todo mundo na ceia de Natal.

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Conclusão

Se você procura um aparelho com capacidades de streaming mais estáveis que o Chromecast, o Amazon Fire TV Stick é uma excelente escolha. Por contar com um controle remoto dedicado ele é extremamente user-friendly, e conta com um catálogo exclusivo bem interessante. Além disso ele permite instalação local e até pode executar alguns games e uma vez configurado, você pode levá-lo para qualquer lugar e basta se conectar à rede local para sair usando, sem depender de um smartphone.

No entanto, ele não é a melhor opção para espelhamento de vídeo e o desempenho por conta do hardware limitado pode ser inferior ao do concorrente do Google, bem como seu catálogo no geral é um pouco mais limitado. Tal qual o Chromecast ele é uma adição interessante para TVs antigas mas dispensável para quem já conta com uma Smart TV da LG ou Samsung que rodem webOS ou Tizen respectivamente. Sabendo de suas limitações, o set-top box compacto da Amazon pode ser uma opção bastante atraente principalmente por custar apenas R$ 289, contra R$ 349 do valor oficial do dongle do Google no país (ainda que ele possa ser encontrado por bem menos).

De qualquer forma, é sempre melhor termos opções.

Agradecimentos à Amazon por gentilmente nos ceder o Fire TV Stick para a resenha.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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