YouTube e Google perdem mais anunciantes por vincular anúncios a vídeos impróprios

Não é segredo que o Google tem sérias dificuldades quando o assunto é fazer a coisas certa. Quando uma grande quantidade de anunciantes puxou o carro do YouTube, basicamente porque a plataforma vinculava anúncios a conteúdos controversos, de canais extremistas mesmo (racismo, discurso de ódio, apologia a terrorismo e etc.) simplesmente porque os mesmos tinham um grande volume de visualizações a divisão se comprometeu a dar um jeito na bagunça, e promoveu uma suposta faxina na casa.

No entanto as medidas vem afetando bem mais o criador de conteúdo legítimo, que anda sendo impedido de monetizar ao contrário do que acontece com os nadadores de Nutella e/ou pirateiros descarados. O YouTube se revestiu do mantra “conteúdo para toda a família” e vem privilegiando que posta vídeo todo santo dia, o que mandou a qualidade do conteúdo geral para a vala e como o algoritmo é burro, ele filtra qualquer coisa aleatoriamente dos canais menos populares. Os grandes passam incólumes mas se lembrarmos do que aconteceu com o AdSense, tal situação não deve durar muito mais.

Só que o mantra de conteúdo saudável não estava alinhando com a realidade: não é de hoje que o YouTube recebe duras denúncias de canais que se passavam por infantil de modo a entrarem no acervo do app dedicado YouTube Kids, com vídeos em que personagens de quadrinhos, desenhos animados e filmes voltados para crianças e adolescentes apareciam nas mais impróprias situações. Valia tudo, desde mutilação a sexo e outros temas bem pesados, nada adequados para menores. Como o algoritmo do YouTube é uma bela porcaria, ele confiava na declaração do autor de “conteúdo livre” e liberava tudo.

Foi então que a plataforma resolveu reagir, obviamente devido o medo de perder mais anunciantes descontentes ao ver suas marcas associadas a vídeos tão perturbadores. De duas semanas para cá não só as regras mudaram como o YouTube exterminou uma série de canais de vídeos infantis piratas, só que havia outro tipo de conteúdo que o site não estava fazendo por onde para aniquilar, o de vídeos que veiculavam imagens de menores com pouca roupa. Tais conteúdos, que podem ser facilmente encontrados estavam recheados comentários de pedófilos e para completar, os vídeos foram vinculados a anúncios de marcas grandes como Mondelez (Cadbury, Nabisco, Lacta), Mars (M&M’s, Pedigree, Snickers, Whiskas), Diageo (Smirnoff, Johnny Walker), TalkTalk (Virgin, Sky UK), BT, HP, Deutsche Bank, Adidas e a rede alemã de supermercados Lidl, entre outras. Estas removeram a totalidade de seus anúncios do YouTube, e só retornarão caso a plataforma venha a dar um jeito de uma vez por todas nesse tipo de material.

Dessas companhias a Mars, a Diageo, a HP, a Mondelez e o Deutsche Bank foram ainda mais longe, já que tiraram a totalidade dos anúncios da plataforma Google como AT&T e outras fizeram no passado, que ainda não retornaram e provavelmente não o farão tão cedo. Resumindo, a gigante irá perder muito dinheiro por culpa mais uma vez dela mesma principalmente porque quase 90% de sua receita vem de propaganda.

Um porta-voz do YouTube se limitou a dizer que “isso não deveria acontecer” e que estão trabalhando para resolver a situação, mas a verdade é que o estrago já está feito: segundo a VP de Gerenciamento de Produto Johanna Wright a plataforma irá endurecer ainda mais suas diretrizes, de modo a remover conteúdo impróprio e desmonetizar quem não se adequar com as regras atuais de criação de conteúdo. Na prática, o YouTube vai continuar batendo cada vez mais no pequeno e médio Youtuber legítimo enquanto canais de pegadinhas e nuteleiros passam ao largo, bem como dificilmente a totalidade dos vídeos verdadeiramente nocivos será removida.

Aguardemos os próximos capítulos.

Fonte: Reuters.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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