Estudantes chineses fizeram horas extras ilegais na Foxconn para montar o iPhone X

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Que a Foxconn explora em demasia seus funcionários não é novidade, vira e mexe a montadora chinesa (que hoje é dona da Sharp) é protagonista de denúncias sobre abuso e práticas nada salutares, tudo para atender os interesses de seus principais clientes (Apple, Google, Motorola, Dell, HP, Microsoft, Nintendo, Sony… a lista só tem filé) e não falhar no fornecimento dos itens que manufatura. Certa vez ela tentou importar seu estilo de operação para cá, mas não deu muito certo.

O fato de todo mundo só lembrar da maçã quando o assunto são as presepadas da Foxconn é compreensível (embora não seja uma desculpa), ela é  companhia mais valiosa do mundo e seus iPhones e iPads, itens que vendem como água são todos fabricados por ela. A Apple frequentemente realiza inspeções na Foxconn para garantir que a empresa preze por normas mais saudáveis e não sobre demais dos seus colaboradores, mas a bem da verdade é uma só: há uma demanda e para ser cumprida, sacrifícios serão feitos.

Invariavelmente quem se ferra é o trabalhador da linha de produção, e o caso do iPhone X não foi diferente.

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Informes anteriores já apontavam que a Foxconn estava tendo problemas para cumprir os prazos de entrega do novo smartphone de ponta da Apple, e como forma de garantir o fornecimento de uma quantidade saudável para o lançamento ela se valeu mais uma vez de serviços compulsórios de estudantes chineses. Esses internos são deslocados para fábricas no país de modo a garantir créditos estudantis necessários para concluir suas graduações, e tal como aconteceu no passado a montadora estipulou horas extras ilegais dos funcionários sob ameaça de não se formarem. Segundo a notícia as escolas técnicas estavam cientes e autorizaram a prática, obviamente porque é bom para o estado.

Seis alunos entre os 3 mil da Escola Técnica de Transportes Urbanos de Zhengzhou, todos com idade entre 17 e 19 anos alocados na Foxconn informaram que eles trabalhavam 11 horas por dia montando unidades do iPhone X, por três meses o que é ilegal segundo a lei chinesa (o limite é de 40 horas semanais), mas a prática foi implantada de comum acordo entre a manufatura e a unidade de ensino. Os que se recusassem ficariam sem os créditos e consequentemente, sem o diploma. A escola os forçava a sair das aulas e irem direto para a Foxconn, e o trabalho em si nada tinha a ver com seus cursos.

A Apple, através de nota informou que sabia das horas extras que os estudantes chineses fizeram para montar o iPhone X a tempo, mas segundo ela a adesão ao programa era “voluntária” e que eles foram devidamente compensados. Só que não é o que parece e a Foxconn faz isso direto, sempre que precisa cumprir prazos. A escola em questão não se pronunciou.

No fim das contas o consumidor terá o seu iPhone X nas mãos, a Apple e a Foxconn continuarão contando a grana e os estudantes chineses seguirão sendo explorados pela manufatura e pelas instituições de ensino, ou ficarão sem se formarem.

Fonte: Financial Times (paywall).

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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