Ex-executivo do Google funda a própria religião

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Uma velha piada de antropólogos diz que mito é como a gente chama a religião dos outros, mas há outro componente aí: quanto mais antiga mais aceitável é uma religião e seus dogmas. Se alguém aparecer em 2017 com cobras falantes e Adão e Eva no mínimo vira motivo de comédia. Por isso as novas religiões precisam modernizar suas histórias, e mesmo assim nem sempre dá certo.

Um bom exemplo é a Cientologia, a religião que parece e foi criada por um autor de ficção científica de segunda linha, e que deu super-poderes a Tom Cruise para ajudar no resgate às vítimas do World Trade Center (não estou mentindo).

South Park tem um episódio excelente onde condensam as crenças básicas da Cientologia:

75 milhões de anos atrás o Senhor das Trevas Xenu comandava a Federação Galáctica de Planetas, e temendo superpopulação, congelou aliens de incontáveis planetas, os trouxe para a Terra em naves muito parecidas com aviões DC-10, e jogou seus corpos nos vulcões do Havaí. As almas desses aliens sofreram lavagem cerebral de Xenu, e vagam pelo planeta, se juntando a almas humanas, causando todos os nossos problemas, como doenças, crime e violência”.

Pois é.

Agora um sujeito mais… pitoresco que L. Ron Hubbard resolveu montar uma religião. Estou falando de Anthony Levandowski, que trabalhou no projeto de carro autônomo do Google, fundou uma empresa própria que foi comprada pelo Uber e acabou demitido, depois de investigações sobre quebra de sigilo e roubo de tecnologia.

Ele criou uma igreja chamada Caminho do Futuro, e a entidade invisível imaginária que eles veneram é… a Inteligência Artificial.

Ainda estão escrevendo as Escrituras, que chamarão de “O Manual”, provavelmente pra garantir que ninguém irá ler. No livro detalharão os princípios da religião, que são até bem simples:

Levandowski crê que em breve criaremos Inteligência Artificial superior à nossa, e essa inteligência evoluirá de forma exponencial, para todos os fins práticos se tornando um Deus.

Ela irá escolher nosso futuro, controlar todas as nossas vidas e em última análise decidir o destino da Espécie Humana. Teremos cumprido nossa missão de criar a IA, a Evolução abandonou a curta fase de vida biológica, e as máquinas serão a forma de vida dominante? (toca tema dos Cilônios, produção).

Arthur Clarke uma vez disse:

Talvez nosso papel na Terra não seja venerar Deus, mas criá-Lo”.

Anthony Levandowski está planejando exatamente isso, e já parte do princípio que a IA dará certo, dominará o mundo e considerará humanos irrelevantes. Criar uma religião pode despertar simpatia, quem sabe Skynet não decide que podemos permanecer por aqui, como pets?

Fonte: Wired.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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