Call of Duty: WWII — Review

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A série Call of Duty voltou para casa. Após vários anos de títulos contemporâneos e/ou futuristas a franquia anual da Activision retorna às suas origens com um novo título novamente ambientado na Segunda Guerra Mundial, com a missão de inovar o suficiente para manter os fãs atuais interessados e trazer elementos clássicos de volta, a fim de atrair de volta os jogadores mais antigos.

O resultado? Call of Duty: WWII é divertido e desafiador, oferece um modo Campanha com uma excelente narrativa e um modo Multiplayer com diversas opções, mas a Sledgehammer Games preferiu não ousar e se manteve no feijão-com-arroz, ainda que isso não seja de todo ruim.


CoD: Band of Brothers

A comparação não é gratuita, o modo Campanha (que convenhamos, a grande parcela de fãs de CoD nem passa perto) foi construído de forma a entregar uma experiência cinematográfica, ainda que seja um tanto clichê. O roteiro não foge muito da história de camaradagem e sacrifício que vimos tanto na série da HBO quanto em filmes como O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg (que trouxe na esteira o primeiro Medal of Honor, o responsável pelo boom de games do gênero nos anos seguintes), mas ainda assim é uma aventura interessante que merece ser conferida por quem curte principalmente o tema.

A narrativa oferece 11 missões cronologicamente acertadas com acontecimentos reais, passando pelo Dia D à Liberação francesa e indo até o fim da guerra, apresentando diversos personagens interessantes, desde o intragável sargento Pierson à revolucionária Russeau, além dos membros mais próximos do esquadrão do soldado Ronald “Red” Daniels (o protagonista), enquanto passam por diversas locações da Europa ocupada pelo Reich nazista.

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Tecnicamente falando o modo é bem construído e possui uma dificuldade bastante elevada, principalmente pela eliminação do recurso de regeneração de energia quando em repouso. Agora o jogador vai depender de kits de primeiros socorros encontrados pelo mapa ou pedi-lo para um de seus companheiros, que ira montar um de tempos em tempos. Diferentes aliados oferecem recursos diferentes, desde mais munição a marcar os inimigos para que você possa abatê-los com mais facilidade.

O desafio pode não ser grande coisa na dificuldade Normal, mas no modo Veterano (que os caçadores de troféus/achievements serão obrigados a encarar) as coisas escalam um pouco: dois ou três tiros já são o suficiente para tirá-lo de ação e você se verá morrendo muito mais do que avançando, o que chega a esconder um pouco outros defeitos do modo: ele é curto demais (bastam de cinco a seis horas para finalizá-lo) e absolutamente “nos trilhos”, oferecendo poucas opções de exploração a não ser para encontrar itens escondidos no mapa ou para ativar as ações heróicas, como salvar um membro do pelotão prestes a ser morto por um nazista ou forçar os krauts a se renderem.

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Ainda assim ele é um modo interessante para quem quer curtir uma história de guerra antes de cair no Multiplayer, que é onde a verdadeira diversão de Call of Duty sempre se concentrou. Como eu disse antes, boa parte dos fãs da série passam longe da Campanha e vão direto para a jogatina online, portanto vejamos o que há disponível desta vez.

Multiplayer 3 em 1, mas sem ousadia

A construção do modo Multiplayer se focou em criar uma jogabilidade cooperativa entre os membros de um time, e dessa forma Call of Duty: WWII oferece cinco opções de criação para seu soldado customizado, desde a tradicional Infantaria à um membro da 101ª Aerotransportada (Airborne para os puristas), passando por tropas inglesas e canadenses. A grande e polêmica questão é que na hora do combate, não importa a cara que você deu a seu soldado (se homem, mulher, branco[a] ou negro[a]) para seu adversário ele vai aparecer trajado como um nazista, o que causou preocupação quanto à fidelidade histórica do game.

Só que sendo bastante sincero precisão histórica é a última das preocupações de quem joga online; o importante aqui são os modos e a jogabilidade e nisso a Sledgehammer não errou, até porque ela não se permitiu ousar.

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Digo isso porque a desenvolvedora preferiu não reinventar a roda, preferindo adaptar a jogabilidade já presente nos títulos mais recentes da franquia e adaptando-a a um modo de jogo mais cru e simples, sem as firulas de pulos duplos, drones e outras coisas. Aqui a habilidade individual do jogador e do time contam muito mais, e um tiro bem colocado pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. No entanto, quem espera por revoluções significativas pode tirar o cavalinho da chuva.

Os modos clássicos de Mata-Mata em Equipe, Baixa Confirmada, Destruição e Localizar e Destruir estão todos lá mais uma vez, sem muitas novidades mas receberam a adição do modo Guerra. Este, desenvolvido à parte pela Raven Software (que se especializou nisso a propósito; seu último game completo foi o CoD: Modern Warfare Remastered) é semelhante ao modo Rush da série Battlefield: nele você conquista ou defende objetivos no mapa, que vai se ampliando ou encolhendo conforme seu desempenho. Soa como uma cópia descarada (e é mesmo), mas o modo segue o ritmo mais frenético da série e menos cadenciado como o do rival.

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Um ponto a ser destacado no entanto é o Quartel-General, o grande lobby que você pode explorar enquanto aguarda por partidas. Ele é apresentado como a praia de Omaha, ocupada pelos aliados e é onde você poderá usar as moedas ganhas no jogo para comprar itens cosméticos, caixas de loot (o que, você realmente pensou que se livraria das microtransações?) e até partidas em uma tenda que disponibiliza 15 clássicos da Activision para o Atari 2600 (não pergunte) como Enduro, River Raid e Grand Prix, entre outros. Não, não tem Pitfall!.

Você também poderá contratar missões a serem cumpridas nas partidas online, como matar um número determinado de inimigos de modo a receber recompensas como mais experiência ou caixas de loot. Há também itens que podem ser comprados com dinheiro real, o que já era esperado visto que CoD sempre é um título dos mais esperados todos os anos, logo lucrar o máximo possível é imperativo.

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E tem o modo Zumbis Nazistas, novamente herdado de títulos passados e sem muitas novidades, ainda é um modo Horda em que você deve enfrentar ondas e ondas de criaturas querendo seu sangue a todo custo e a preocupação com a realidade e a fidelidade histórica é posta de lado em prol da diversão, pura e simples. Este é aquele modo em que você não quer pensar muito além de meter bala na maior quantidade de zumbis possível, ainda que ele possua um enredo até que minimamente bem construído.

E curiosamente este é o modo que conta com um total desperdício de talentos que poderiam ser melhor aproveitados no modo Campanha, com vozes de atores estelares (que você só ouvirá se mudar o idioma de seu sistema) como Katheryn Winnick (a Lagertha de Vikings), David Tennant (o 10º Doutor e atual Tio Patinhas), Élodie Yung (a Elektra de Demolidor/Os Defensores), Udo Kier (o Führer de Iron Sky) e Ving Rhames (Marcellus Wallace em Pulp Fiction), entre outros.

Tecnicamente Call of Duty: WWII não é nenhuma revolução. Os gráficos estão levemente melhores do que os apresentados em Infinity Warfare e o som é apurado, mas ainda é o melhor game visualmente falando a abordar a Segunda Guerra. A equipe de desenvolvedores e historiadores envolvidos no projeto tomaram todos os cuidados possíveis para recriar armas, uniformes, acessórios e locações (o mapa Carentan, um dos mais queridos dos fãs está de volta como DLC pago, obviamente) da forma mais realista possível e considerando que se passaram 11 anos desde Call of Duty 3, o último ambientado no fronte ocidental (CoD: World at War se passava no Teatro do Pacífico), havia muito trabalho a ser feito e nisso o pessoal da Sledgehammer acertou.

Uma dica: acesse o canal oficial no YouTube e assista os mini-documentários sobre a produção do game, incluindo as homenagens aos veteranos da Segunda Guerra, os que voltaram para casa e os que não conseguriram.

Conclusão

Call of Duty: WWII é um ótimo retorno da franquia às suas origens, o game fornece uma narrativa excelente (ainda que curta e com poucas opções de exploração) no Modo Campanha e um multiplayer com várias opções de modo de jogo, que estimula o jogador a ser cooperativo de modo a levar seu time à vitória seja no mata-mata, seja no modo Nazistas Zumbis.

Os pontos fracos ficam por conta de uma falta de ousadia por parte da Sledgehammer Games: os modos de jogo não são nada mais do que opções já fornecidas em títulos anteriores e com exceção do modo Guerra, não há grandes novidades no game. Ele continua ágil e frenético para atender os fãs que preferem a pegada mais futurista dos jogos recentes, mesclando-a com as limitações de época para fazer deste um jogo crível e adequado ao período histórico, também para atrair de volta os veteranos que se aposentaram da franquia.

Apesar dos pesares, Call of Duty: WWII continua sendo um game bastante divertido e oferece um desafio bruto e visceral, próprio para quem achava os FPSs atuais fáceis demais.

Cotação:

Cinco de cinco tenentes Richard David “Dick” Winters.


Official Call of Duty®: WWII – Story Trailer

Ficha Técnica

  • Título — Call of Duty: WWII;
  • Plataformas — PS4, Xbox One e PC/Windows via Steam (análise baseada na versão de PS4 Pro);
  • Desenvolvedoras — Sledgehammer Games e Raven Software;
  • Distribuidora — Activision;
  • Preço — R$ 249,99 para PS4 e Xbox One, R$ 199,90 para PC via Steam;
  • Pontos Fortes — modo Campanha bem construído, com variedade de locações e narrativa sólida e tensa; bons gráficos reconstroem cuidadosamente diversas locações do fronte; modo multiplayer variado, com destaque para o modo Guerra;
  • Pontos Fracos — modo Campanha é curto e bem linear; faltou ousadia para criar novos modos de jogo, ao invés de reembalar opções de versões antigas.

Agradecimentos à Activision pela cópia cedida de Call of Duty: WWII para review.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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