A brilhantemente simples estratégia da China para lidar com dissidentes online

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A China vive uma relação completamente esquizofrênica com a internet. Eles simplesmente não conseguiram encaixar um ambiente com informação rigidamente controlada pelo Estado, como em um regime comunista, com o fluxo rápido e livre de informações necessário para uma economia de mercado vibrante e livre. Eles chegaram a um meio-termo que pode ser chamado de Marketismo-Leninismo, ou Socialismo de Mercado, e é… confuso.

Quando mandaram o robozinho deles para a Lua, a China não anunciou o lançamento, aí do nada começaram a transmitir via streaming. Em seguida o streaming foi censurado mas as TVs chinesas reportavam ao vivo, inclusive com informações que as autoridades se recusavam a dar aos repórteres estrangeiros.

Depois disso eles se recusaram a divulgar qualquer foto ou vídeo, até que um belo dia surgiu um site oficial com todos os arquivos de mídia da missão.

A internet na China é fortemente censurada: palavras como Tibet são proibidas, buscas retornam vazias, mesmo no Google. Sites como Facebook e Twitter são bloqueados, mas de vez em quando são liberados. Todo mundo tem uma VPN ilegal e as informações continuam circulando, mesmo contra a vontade do governo de Pequim, que agora adotou outra estratégia (do grego Strategos) para conter os insatisfeitos e evitar que as mensagens subversivas contaminem a população.

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Em vez de sair apagando os posts problemáticos, a China se aproveitou do fato de que o usuário médio de internet tem a mesma capacidade de atenção de um furão chapado de cocaína, então eles colocaram seu exército de bots e estagiários para encher a internet chinesa de notícias favoráveis ao governo.

A idéia é genialmente simples: se alguém posta que na cidade de PingPongLuHan do Norte um escrivão está recebendo suborno, essa mensagem vai aparecer no meio de 20 posts sobre como PingPongLuHan é legal, como BlingLing do Mato Dentro, a cidade vizinha é uma droga, sobre como as vitórias do time de futebol bancado pela prefeitura foram emocionantes, etc, etc.

O cidadão comum vai ler aquele monte de notícias, passando os olhos e a menos que tenha sido diretamente afetado pelo tal escrivão, é só mais uma notícia, uma ruim no meio de um monte de notícias legais.

Não só ele não tem discernimento para perceber que está sendo manipulado, como, sejamos realistas, não liga. Perfeito, palmas pra China. Ah sim, a Rússia está seguindo o mesmo caminho.

Muitos anos atrás em traduzi o clássico texto “100 coisas que farei quando me tornar um senhor do mal”. A 100ª era Finalmente, para manter todos os meus súditos contentes e descerebrados, irei prover a cada um acesso internet ilimitado, grátis.”.  Quem diria, estava absolutamente certo.

Fonte: Vox.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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