Ozzmosis — 22 anos depois

ozzy-osbourne

Aqui vai uma declaração bombástica. Gosto muito mais da carreira solo de Ozzy Osbourne do que sua participação no Black Sabbath. Tudo bem, eles foram os precursores do Heavy Metal, mas os discos solo do Madman possuem a loucura e diversão que eu gosto muito. Em 1991 Ozzy se dizia cansado das turnês gigantescas e queria passar mais tempo com a família. Por isso, para surpresa de muitos, ele decidiu parar. Lançou o disco No More Tears (um dos melhores de todos os tempos)(naquela época já bem debilitado fisicamente. Basta assistir ao DVD para confirmar) conversando com seu filho Jack e dizendo que tudo finalmente havia acabado.


alejandro ereu — ozzy osbourne black sabbath changes

O último show da turnê apresentou uma reunião inusitada com os membros originais do Black Sabbath (primeira vez que isso acontecia) onde tocaram alguns clássicos da banda. Todo mundo pensava que essa era a última apresentação de Ozzy, mas ao fim do show uma bandeira foi estendida com a frase “Eu Voltarei”.

E ele cumpriu a promessa. No dia 24 de outubro de 1995 chegava às lojas o disco Ozzmosis. Junto com Ozzy nessa empreitada encontramos Geezer Butler (baixo), Zakk Wylde (Guitarra), Deen Castronovo (bateria) e Rick Wakeman e Michael Beinhorn (teclados). Esse foi um dos discos que tive o privilégio de comprar no lançamento e foi um verdadeiro impacto.

O álbum anterior (No More Tears) era cheio de músicas com melodia (quase pop) e baladas. Esse Ozzmosis enveredou por caminhos mais sombrios, tanto das letras quanto das melodias das composições. Eu ainda acho que a sonoridade deste disco tem muito de influência de Geezer Butler que, na época, estava flertando muito com o metal industrial. Mas, independente da pegada mais pesada, esse ainda é um disco de Ozzy Osbourne.

A bolachinha abre com Perry Mason e sua pegada certeira. Guitarra rasgada e muita pancada nessa música. Ela fez algum sucesso ao redor do mundo e cheguei a ouvir sua execução nas rádios de São Paulo. Uma música muito boa e que é perfeita para abrir esse disco mais soturno. I Just Want You e Ghost Behind My Eyes são as próximas composições. Tudo certinho e com refrões grudentos, mas ainda com a sonoridade mais crua. Thunder Underground é a próxima e é onde o lado mais industrial das composições fica evidente. Uma música para ouvir durante um pesadelo. See You on the Other Side é uma baladinha com refrão forte, e depois temos Tomorrow, a melhor música do disco (segundo minha humilde opinião).

Denial é uma música bem sem graça e logo em seguida temos uma pequena pérola chamada My Little Man, música escrita em parceria com  Steve Vai e que fala sobre o filho de Ozzy, Jack, que na época tinha apenas 10 anos. My Jekyll Doesn’t Hide traz de volta o peso ao álbum e fechamos a obra com a melodia bacana de Old L.A. Tonight.

Não é o melhor disco de Ozzy Osbourne, mas mantém uma linha criativa bem interessante e composições bem fortes. Vale a pena ouvir em uma noite deprimente.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • Esse disco é introspectivo (após a primeira faixa, claro), e o me faz ser também… creio ser o mais pessoal do Madman…
    É a consolidação do homem que seria até o final de sua vida, e por (pode não parecer, mas foi) se tornado um “cara família”, apesar de suas cagadas…

    Escuto-o pra relaxar, e por mais incrível que pareça, gosto mais do que o No More Tears…

    • Gilson Lorenti Fotografia

      esse disco veio depois da desintoxicação do álcool e das crises de abstinência. tem uma hora que o sujeito tem que colocar a cabeça no lugar e saber quais são as prioridades.

      • Julio da Gaita ✔

        E ae Gilsão, me fala de sons novos, clássicos são atemporais com toda certeza, mas nem só de clássicos vive o homen…

        • Acredite, tem muita coisa velha que nem eu conheço…. no caso, seria material “novo” pra mim…

          • Julio da Gaita ✔

            Sim, mas ainda acho que precisamos de algo “novo” que pode ser traduzido em uma roupagem nova pra um som ou estilo antigo.

            Mesmo na música comercial “mainstream” já da pra ver varios “estilos” perdendo fôlego, o (rap+eletrônico=trap,rap+jazz, rap+marijuana), (sertanejo, funk forró), que já se misturaram pra sobreviver.

            Sinto falta de uma pegada mais 90’s crítica com letras sujas e pesadas q reflitam o momento em que vivemos com um som bacana, se isso é pedir muito aceito um “som bacana”, cenário nacional tá bem fraco.

            *Gostei da ultima do Paralamas do Sucesso, acho que o nome é “medo” , sensacional.

          • Sou suspeito quanto ao cenário nacional…. já ouviu Azul Limão? Prefiro essas épocas…
            Viper! Escute os dois primeiros do Viper… e verá que o início dos 90 mataram o que havia de bom aqui….

            …a não ser Korzus, que até hoje é do caralho e…. viu que merda? Ainda existem coisas nacionais legais….

          • Rodrigo M

            Azul Limão é muito bom!

          • Viper é muito bom, qual a sua opinião sobre o Angra, dessa época pra cá?

          • Angra foi bom até o Fireworks (fui no show na epoca…). O Falaschi, é….. até que segurou por umas semanas… mas foi daí pra baixo…

            Teve um disco mais novo aí que a instrumental foi de deixar o DT no chinelo… mas escutei tudo, várias vezes… não rola mais…

            Kiko no Megadeth é ótimo…

          • kleber peters

            Orra… Dystopia pra mim está entre os melhores da banda. Bela pedrada.

  • Julio da Gaita ✔

    Opa, marcado aqui pra dar a devida atenção no Spotify…

    Mas e ae galerinha falando de sons novos, o que tem de bom pra ouvir?!

    • Dethklok, Austrian Death Machine, Rage (alemão), Black Country Communion, Dezperadoz, Jorn e o último do Exodus….

      • Julio da Gaita ✔

        opa. já tenho trilha sonora pra jogatina de hoje…

      • Black Country Communion nem é tão novo assim, mas tão com disco novo quebrando tudo!
        Eu curto bagaray o Baroness, que é de uma safra nova, mas não tanto.
        Sou fã de Mastodon, e além dos discos novos, recomendo Killer Be Killed, a nata da porrada na orelha, socando a sua orelha…

        *Esqueci do Royal Blood, esse sim é novidade! 2o disco só!

        • Julio da Gaita ✔

          orra Mastodon sou fan desde o primeiro disco, foi como uma lufada de ar fresco nos ouvidos, a arte dos discos, sensacional os caras…

        • Royal Blood me enjoou um pouco, o Red Fang tá mais “criativo”… é minha favorita do Stoner…

          • Julio da Gaita ✔

            opa, mas dá pra ouvir um disco inteiro do royal blood sem passar mal ou estuprar o botão de “next”, ainda mais se ouvir enquanto corre, trabalha…

    • Ouve o novo da nova (mais uma) banda do Portnoy, Sons of Apollo, só musicão. Pqp

      Também ando ouvindo muito Leprous, Haken e, como já disseram, o último do Exodus é (desculpe o clichê) uma porrada na orelha.

      • Julio da Gaita ✔

        opa curtido e comentado pra ouvir depois tomando uma breja! Valeu cara, ótimo fds!

  • Well Dias

    “A bolachinha abre com Perry Mason…”
    É biscoito.

    • Biscoito é Globo!

    • Gilson Lorenti Fotografia

      KAKAKAKAKA

    • Gilson Lorenti Fotografia

      Falar bolacha (para LP) e bolachinha (para CD) é coisa de quem passou mais da metade da vida lendo a revista Rock Brigade 🙂

  • Eduardo Alvim

    Lembro como se fosse ontem. Ficar velho é mesmo uma merda, kkk

  • Diego Ritzel

    Ouvi muito essa K-7…

  • Samuel

    “See You on the Other Side”…

  • Diego

    “Gosto muito mais da carreira solo de Ozzy Osbourne do que sua participação no Black Sabbath.”
    AHahahaha, digo o mesmo e pelos mesmos motivos.
    Black Sabbath para mim é com o Dio e pronto!

    • Poleeeeemico! hahahahaha

    • kleber peters

      Acompanho o relator na questão de gostar mais do Ozzy solo do que com o Black. Mas o Black não é só Dio. Apesar dos 3 discos com o carcamano serem os melhores, Born again e os discos com Tony Martin são bons também.

      • Wagner Felix

        Se contarmos o The Devil You Know, são 4. Só não foi lançado com o nome “Black Sabbath” porque o Ozzy não deixou 😆

  • Ana Paula

    O lançamento deste álbum coincidiu com a presença do Ozzy no festival Monster Of Rock, no estádio do Pacaembu, em São Paulo (02/09/1995). Com a participação de outras bandas de peso, o show do Ozzy foi memorável!!! Inesquecível!! E ele antecipou um sucesso do disco, I Just Want You.. foi de arrepiar!!!

  • Monstro Medieval

    Parei pra ouvir esse álbum agora.
    O que o Butler faz em “Perry Mason” e Zakk Wylde faz em “Thunder Underground” e especialmente em “Tomorrow” é absurdo. Nessa última ele mostra um arsenal de técnicas bizarro pra dialogar com o vocal do Ozzy.

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