BGS 2017 — os indies brasileiros continuam mandando bem

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Enquanto os jogadores se engalfinhavam nos estandes da Sony, Microsoft, Warner, Ubisoft, CD Projekt Red (que montou outro torneio de Gwent: The Witcher Card Game) e do MMO Black Desert Online, a área indie da BGS 2017 trouxe mais uma vez bons títulos que passam ao largo da maioria dos mortais, e alguns deste ano merecem destaque pelo nível que atingiram. Vamos conferir os mais interessantes:


Black Iris

Talvez um dos dois mais refinados exibidos na BGS tenha sido o título da Hexa Game Studio, desenvolvedora fundada com o intuito de criar games de alto nível com esforço máximo e budget mínimo. O resultado visto em um ano e meio de trabalho é bem satisfatório, com boas texturas e dificuldade elevada, própria para agradar os fãs da série Souls e que sentem falta dos títulos da franquia. A história é centrada numa jovem chamada Iris, que vaga por um mundo caótico com a missão de sobreviver o máximo de tempo possível para que ela possa recuperar sua memória perdida e entender qual sua razão de ser.

Segundo Abraham Kim, programador-chefe de Black Iris o intuito é provar que o Brasil tem potencial de desenvolver não apenas games retrô com temáticas antigas, por mais que eles façam sucesso e que nossos profissionais são qualificados o bastante para oferecer uma experiência AAA de verdade. Tanto é que o Hexa Game Studio chega chutando alto, Black Iris será lançado tanto para PC/Steam quanto para PS4.

Durante os testes constatamos que Black Iris é de fato bem cascudo, com um desafio elevado mas não é mal feito e punitivo de propósito, mas algumas arestas deverão ser aparadas até o lançamento final principalmente nos gráficos. Sobre decisões de roteiro, Kim explicou que Iris não é uma personagem escolhida nem nada (logo foge da síndrome de Mary Sue/Dragonborn) e buscaram inspiração m novelas coreanas, em que o principal muitas vezes é um qualquer jogado no meio de uma tempestade, tendo que se virar com o que tem à mão.


Hexa Game Studio — Black iris – 2017 First Trailer

Black Iris deverá chegar ao mercado até o fim do ano, com preços de US$ 19,99 a US$ 24,99 para PC/Steam e de US$ 29,99 a 39,99 para PS4, valores finais ainda indefinidos.

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RestLess: Face do Demônio

Já os paulistas da Vneta Games se inspiraram em títulos como Silent Hill e outros de suspense mais recentes (como a série Outlast) para compor o tenso RestLess: Face do Demônio, no entanto ele é dotado de características próprias. Originalmente um game em terceira pessoa, conforme visto no demo apresentado anos atrás ele evoluiu para um jogo em primeira pessoa, com um recurso de randomização de ambientes.

O desenvolvedor Rafael Coelho explicou que o game surgiu originalmente como um Trabalho de Conclusão de Curso, mas evoluiu para um produto completo nos últimos anos em que o jogador controla um juiz chamado Tom Medson, procurando por sua filha (similar?) em um hotel absolutamente incomum: dependendo das ações do jogador o ambiente por trás de cada porta se revelará diferente, oferecendo uma miríade de desafios, puzzles e perigos diferentes a cada partida, em cada andar. Cabe ao jogador quebrar a cabeça para resolver o mistério e não se ater ao cenário como referência.

Segundo Coelho o núcleo do jogo está pronto, mas ainda falta um longo trajeto até entregar a versão completa de RestLess. O fator de aleatoriedade não estava presente na demonstração mas ele já teria sido implementado, faltando algumas adições extras para concluir o desenvolvimento. Os modelos de personagens seguiram o de um ator para Medson e da própria filha do desenvolvedor para a garota raptada.

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A meta da Vneta Games é lançar a versão completa de RestLess: Face do Demônio, que é exclusiva para PC durante a BGS 2018. O demo já está disponível.

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Dolmen

A desenvolvedora potiguar Massive Work Studio é a responsável por Dolmen, que segundo os criadores mescla a vibe de terror espacial vista na série Dead Space e em Alien: Isolation com a dificuldade elevada da franquia Souls. Embora futurista a maioria dos inimigos só se permite ser nocauteada utilizando armas brancas, como espadas e machados. Há uso de armas de fogo também, mas elas são voltadas para atordoar os oponentes e permitir que o jogador encaixe golpes potentes no corpo-a-corpo. No fim é uma forma de aumentar a dificuldade e forçar o jogador a se arriscar, já que um ataque mal colocado pode lhe custar caro.

A qualidade visual de Dolmen é seu ponto forte e não é para menos, pois a Massive Work contou com profissionais brasileiros que já prestaram seus serviços a títulos da Warner (Injustice 2) e Blizzard (World of Warcraft). A jogabilidade é sólida e o desafio de fato é bem elevado, mas por se tratar de um demo deveras cru não é sábio avaliar se será um bom game ou não neste momento. Por ora, ele parece promissor.


Dolmen Game: Trailer

A Massive Work Studio abrirá uma campanha de financiamento de Dolmen em janeiro, e até abril de 2018 ele deverá ser incluído no Steam Greenlight. A intenção é oferecer o game concluído apenas em 2019, tanto para computadores quanto para PS4 e Xbox One; logo devemos ter novidades sobre ele na próxima BGS.

Bônus: Behold Studios

A Behold é nossa velha conhecida, um dos estúdios indie brasileiros que de fato conseguiu seu lugar ao Sol com títulos de qualidade. A desenvolvedora brasiliense tomou as plataformas móveis de assalto com o excelente Knights of Pen and Paper, um RPG de bolso que parodia as clássicas partidas de RPG de mesa com todas as maluquices que daí poderiam vir, com uma execução de produto sensacional.

Já Chroma Squad, o RPG tático inspirado nos Super Sentais foi o pivô de uma celeuma que no fim das contas foi uma bênção para a Behold Studios: ainda que eles tenham escapado do processinho ao serem forçados a mencionar a Saban Brands e a franquia Power Rangers em todos os seus materiais de divulgação (a Saban comprou briga até com a Square Enix e venceu, do you feel lucky, punk?), o caso jogou a desenvolvedora sob os holofotes e o alcance do título foi muito maior do que seria caso não tivesse havido problema algum, ainda mais considerando que o game saiu para consoles.

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A Behold no entanto queria voltar ao formato Pen and Paper, mas havia um problema: quando a versão +1 Edition foi lançada para PC/Steam o estúdio vendeu a marca para a distribuidora Paradox Interactive (fazia parte do acordo), que pouco tempo depois lançou uma sequência desenvolvida pela Kyy Games (a responsável pela expansão Haunted Fall do original). O estúdio ainda prestou consultoria mas não só não colocaria a mão na série, como havia aberto mão da marca.

A solução foi lançar uma versão diferente porém similar, onde saem as picuinhas medievais e entram os combates cósmicos. Galaxy of Pen and Paper segue a mesma temática do original com a simulação de RPG de mesa, mas desta vez os temas envolvem aliens, colônias espaciais, viagens interplanetárias e tudo o mais que o gênero Ficção Científica permite explorar. Claro, com a mão pesada na sátira e galhofa que já é característica dos desenvolvedores.


beholdstudios — Galaxy of Pen & Paper – Announcement Trailer – “Anyone can be a game master!”

Embora já tenha sido lançado para PC e Mac via Steam, iOS e Android, a Behold Studios estuda a possibilidade de levar Galaxy of Pen and Paper para os consoles tal qual Chroma Squad. Aguardemos.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Onemaster

    Uma produtora potiguar ??? Aqui da minha terrinha ? Que orgulho.

  • Henrique Peres

    Como esse Dolmen está lindo e a movimentação parece boa tb, se está assim agora no começo da produção, imagina quando estiver quase pronto em 2019! Agora o Black Iris eu gostei do visual dos cenários, mas a personagem principal parece carecer de mais detalhes em seu rosto e achei estranha a detecção de hits apresentada no vídeo, parece que a personagem demora a cair depois de ser atingida! Provavelmente irei comprar os 2 para apoiar a industria brasileira, comprei o Toren em seu lançamento no Steam e o Vida na Nuuvem.

  • Fernando Silva

    Tirando o Pen & Paper on Space, os outros parecem Dark Souls wannabe…

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