Resenha — LG Q6+: belo design, mas falta alguma coisa…

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A linha Q6 da LG veio para tampar um buraco enorme em sua linha de dispositivos móveis, visto que ela não atendia o consumidor de aparelhos intermediários: há o G6, seu top de linha e os da linha K, de entrada. Eles chegaram para brigar com modelos mid mid-high de marcas como Samsung e Motorola, com gadgets aparentemente potentes e atraentes.

O LG Q6+, a versão mais poderosa nos foi cedido para testes e estas são as minhas impressões após três semanas de uso.


Design

Vamos começar pela listinha fria:

  • SoC Snapdragon 435 da Qualcomm, octa-core Cortex-A53 com clock de 1,4 GHz e GPU Adreno 505;
  • 4 GB de memória RAM;
  • 64 GB de espaço interno (expansível via Micro-SD de até 256 GB, com slot dedicado);
  • display LCD IPS de 5,5 polegadas com resolução de 2160 x 1080 pixels HD (442 ppi) e proporção 18:9;
  • câmera principal de 13 megapixels com abertura ƒ/2,2; autofoco com detecção de fase, Flash LED, HDR e que filma em 1080p a 30 fps;
  • câmera selfie de 5 MP com abertura ƒ/2,2;
  • 4G/LTE Dual-SIM, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.2, AD2P, BLE, NFC, A-GPS, GLONASS;
  • bateria de 2.900 mAh;
  • saída para fone de ouvido estéreo;
  • porta Micro-USB;
  • Android 7.1.1 Nougat;
  • dimensões: 142,5 × 69,3 × 8,1 mm;
  • peso: 149 g.

Não há muito o que discutir aqui, o LG Q6+ é bonito a beça. Ele pega emprestado a identidade visual do G6 e entrega um design sem bordas, com o display de 5,5 polegadas ocupando quase a totalidade da parte frontal do dispositivo. Seu corpo plástico com acabamento brilhante é liso porém não chega a ser um sabonete, e confere uma pegada até razoável.

Seu problema no entanto é outro: ele risca com facilidade, se você olhar feio para o Q6+ ele já ficará marcado. Mesmo um uso extremamente cuidadoso não consegue evitar que os riscos apareçam mesmo na parte traseira, obrigando o usuário a acondiciona-lo em uma capinha se desejar que ele permaneça esteticamente agradável por um longo período de tempo. Em apenas quatro dias de uso, mesmo com o gadget saindo da mesa de trabalho para o bolso e de volta para a mesa a impressão é que eu passei o case numa parede de chapisco.

Se a LG tivesse optado por um corpo em plástico fosco ou texturizado o resultado seria muito mais agradável aos olhos, mas não se pode ter tudo.

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O aparelho possui entrada Micro-USB padrão, o que se espera de modelos mais modestos e o conector de fone de ouvido permanece no lugar, como era de se esperar. Já o som do Q6+ não é excepcional mas também não é ruim ele não distorce os graves tanto quanto se poderia esperar e até dá para apreciar uma musiquinha sem fones de ouvido. O par que acompanha o aparelho está dentro do aceitável, nada demais.

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O LG Q6+ é Dual-SIM, algo ao que até os aparelhos de ponta finalmente se curvaram: os fabricantes entenderam que ter dois números num smartphone é uma questão de escolha, muitas pessoas possuem números pessoais e profissionais e ter que andar com dois dispositivos não é lá muito agradável, logo é importante que os fabricantes dêem espaço para os dois chips SIM cada vez mais.

Ao mesmo tempo a LG deu uma dentro ao oferecer um slot dedicado para o cartão Micro-SD: não são todos os smartphones que contam com essa opção e é muito comum a bandeja ser híbrida, o que força o usuário a escolher entre usar dois chips ou apenas um e expandir a memória externa. Ainda que o Q6+ possua 64 GB de espaço, armazenamento nunca é demais.

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O display LCD IPS no entanto é muito bom. Com 5,5 polegadas e proporção 18:9, ele entrega uma resolução de 2160 × 1080 pixels e conta com ajustes de brilho e contrastes bem decentes, além de uma boa definição. No entanto a LG inseriu no Q6+ um filtro de Sharpening na tela, algo inédito até então (normalmente os fabricantes o utilizam nas câmeras, quando elas não são boas o bastante). A impressão é de que a fabricante não estava tão confiante da qualidade da tela do dispositivo ou queria vendê-lo como um “G6 Mini” (o mais provável, visto que ele conta com uma tela de 2880 × 1440 pixels) e isso mais atrapalha do que ajuda, ao dar à tela que já era boa uma impressão de artificialidade, como quando você atocha uma foto de filtros do Instagram.

A maior bola fora no entanto foi a decisão de abrir mão do leitor de impressões digitais, preferindo abraçar totalmente o reconhecimento facial para o desbloqueio do aparelho. Embora todo mundo ache que a Apple vá fazer direito com o iPhone X, os primeiros aventureiros não estão se dando bem: mesmo a Samsung ainda não fez a funcionalidade dar certo em seus modelos de ponta e aqui não é diferente.

Eu cadastrei meu rosto duas vezes, com e sem óculos e mesmo em condições ideais de iluminação, com luz natural ou lâmpadas acesas a câmera frontal tem sérios problemas para identificar a face e desbloquear o aparelho. Testes revelaram inclusive que o sistema é desbloqueado com o uso de uma foto em outro smartphone, ao passo que basta uma leve alteração em seu rosto para o gimmick falhar.

Em suma, não funciona.

Performance e autonomia

O LG Q6+ conta com um SoC Snapdragon 435 da Qualcomm, um octa-core de 1,4 GHz e GPU Adreno 505, além de 4 GB de RAM (o Q6 conta com 3 GB), o que aliado aos 64 GB de armazenamento interno dá a entender que estamos diante de um smartphone intermediário premium de qualidade, com performance satisfatória para a sua categoria mas que ainda não é um aparelho premium.

Pois bem, não é o que acontece. Talvez pelo fato de que a GPU não ser tão potente o Q6+ sofre de travadinhas constantes, mesmo nas tarefas mais mundanas. A simples navegação pela timeline de apps como Twitter, Facebook e Instagram já fazem os irritantes congelamentos aparecerem, ainda que eles não durem.

A versão do Android 7.1.1 para o Q6+ é muito boa, bastante limpa e séptica (o branco em excesso faz isso) e que faz bonito em aparelhos com menor capacidade, algo em que a LG é especialmente boa. Não há uma grande quantidade de bloatware instalada, os apps nativos são competentes e há opções interessantes como a opção de assistir TV digital (a antena acompanha o kit), mas no geral tem-se a impressão de que estamos com um dispositivo de entrada nas mãos.

O estranho é que concorrentes como a Motorola conseguem melhores resultados com um hardware semelhante, o que me leva a crer que os coreanos não souberam otimizar o hardware ao ponto de evitar que a CPU e GPU agissem como um gargalo. Apps mais pesados ou games medianos irão cobrar seu preço, e o aparelho tem a tendência a fechar apps em segundo plano e prejudicar o multitarefa. Enfim, ele é bem limitado.

A bateria no entanto é decente. A princípio pode-se pensar que 2.900 mAh não é o bastante mas nos testes executados, tirando-o da tomada às 8:00 e utilizando redes sociais, streaming de música e podcasts, execução de vídeos e games (quando ele colaborava) e tudo com 4G ativo, ele batia a marca de 30% em torno das 23 horas. No fim das contas, nada mau.

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Claro que forçamos a barra, e para isso o VLC é excelente. Ao rodar um filme em Full HD de duas horas de duração, no modo de aceleração por software a bateria foi de 100% a 66%, algo esperado dada a natureza do player. No fim é uma boa marca, indicando que o Q6+ deve aguentar um dia de uso longe das tomadas sem esforço.

Ah, vale lembrar que o carregador do Q6+ não é compatível com carga rápida. Novamente, alguma coisa teria que ser sacrificada.

Câmeras

A câmera principal conta com resolução de 13 megapixels, abertura ƒ/2,2; autofoco por detecção de fase, HDR, sensor de 1/3″ e pixels de 1,12 µm, mas no geral ela é apenas… regular.

Em situações ideais, com bastante luz disponível ela é capaz de capturar boas fotos e com um nível de detalhes satisfatório, mas conforme a iluminação diminui os problemas aumentam. A nitidez permanece aceitável mas a quantidade de ruído aumenta bastante, e o mesmo vale para fotos internas.

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Sem HDR

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Com HDR

O uso do HDR corrige algumas situações, como capturar mais detalhes perdidos no pós-processamento ou cores estouradas mas no geral, ele não é um santo. Haverá perda de informação dependendo de quanta luz você tiver disponível, logo o mais adequado é utilizar o Q6+ como câmera de bolso em dias ensolarados ao ar livre. Nessas condições suas fotos terão bastante qualidade.

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A câmera selfie possui apenas 5 MP, mas conta com o mesmo tamanho dos pixels da principal e também abertura ƒ/2,2 além de um sensor de 1/5″; aqui não há muito o que fazer, haverá ruído e conforme a luz, o pós-processamento irá meter a mão de forma pesada para tornar suas imagens minimamente apresentáveis. Você ficará entre fotos lavadas ou granuladas e por isso a recomendação é a mesma: use-a ao ar livre em dias com muito Sol.

Como sempre, você pode conferir as fotos originais no Flickr.

Conclusão

O LG G6+ é um aparelho bom à primeira vista, que chama a atenção pelo design minimalista quase sem bordas e o espaço generoso de 64 GB é digno de nota. No entanto a performance em geral é regular para insatisfatória para um dispositivos da sua categoria, principalmente pelo gargalo representado pelo Snapdragon 435 e sua GPU limitada. Nessas condições mesmo os 4 GB de RAM não fazem milagres.

As câmeras são apenas boas, entregando o básico do que se espera em situações ideais e abrir mão do leitor de impressões digitais em prol do reconhecimento facial não foi a melhor das decisões, visto que o sistema quase nunca funciona. Ah sim, a traseira vai riscar e muito se você não usar uma capinha.

Isso posto, o preço sugerido de R$ 1.599,00 não faz sentido. Por R$ 1 mil aí temos uma opção bem mais interessante para quem não quer gastar muito e não deve demorar para que ele chegue a tal marca, afinal a Black Friday está logo aí.


LG do Brasil — LG Q6

Pontos fortes:

  • ele é bonito, não dá para negar;
  • 64 GB de espaço interno, a casa agradece;
  • Dual-SIM com slot dedicado para Micro-SD, o que é muito bom;
  • bateria adequada para a categoria.

Pontos fracos:

  • falta de leitor de digitais se fez sentir;
  • reconhecimento facial quase nunca funciona;
  • a traseira plástica vai riscar, aceite;
  • performance regular para insuficiente, com travadinhas constantes.
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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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