Fotógrafo transforma trailer de US$ 200 em câmera gigante

Eu adorava fazer fotografia pin-hole. Era uma diversão você ficar dentro do quarto escuro improvisado revelando as fotos. A expectativa de ver a imagem se formando no papel. Não tenho saudade da fotografia de filme, mas o pin-hole é um processo artesanal. Bom para utilizar como uma brincadeira e mostrar para as pessoas que o processo fotográfico é antigo e, no começo, feito praticamente na unha. Uma das grandes diversões do processo é construir sua própria câmera. Caixas de papelão, madeira ou latas de metal eram as escolhas mais práticas. Mas, usando a imaginação, qualquer coisa em que a entrada de luz pudesse ser controlada poderia ser transformada em uma câmera fotográfica. Dessa maneira era possível fazer uma câmera pin-hole com uma caixa de fósforo ou com um ovo de avestruz (sim, eu participei da construção dessa insanidade, hehe). No fundo, toda câmera é uma caixa preta com um buraco em uma das extremidades.

Dentro deste espírito, o fotógrafo Brendan Barry colocou a criatividade para funcionar e utilizou um trailer de acampamento usado (que segundo ele custou US$ 200,00) para construir uma gigantesca câmera fotográfica. E não só isso. Dentro do trailer também foi construída uma sala escura para revelação das fotos. Essa não é a primeira aventura de Brendan na construção de câmeras em locais inusitados. Ele já havia feito isso em quartos e e até em um galpão, mas essa é sua primeira experiência com um equipamento que pode ser levado a locais diferentes. Para construir é fácil. Ele vedou todas as janelas, pintou o interior de preto, tapou todos os buracos por onde a luz entrava, e adaptou um suporte de madeira para lentes da Nikon em um dos lados do trailer. Dentro da câmera ele adaptou um sistema para visualização das fotos (muito parecido com o encontrado em câmeras de médio formato) e um cavalete onde seria fixado o material sensível à luz (ele não cita no site, mas acredito ser o papel fotográfico diretamente, uma vez que ele está revelando um negativo em papel no vídeo de demonstração). E pronto, temos uma gigantesca câmera fotográfica. O detalhe bacana é que ele precisa entrar dentro da câmera para poder executar o processo fotográfico. Finalizando tudo, uma amiga do fotógrafo, Pat Cullum, fez a pintura externa do trailer.

O projeto, chamado de Caravan Camara, é voltado para retrato de pessoas. Brendan estaciona o trailer em um local movimentado das cidades e convida as pessoa a serem retratadas. Depois do retrato ele mostra o interior do equipamento e um pouco do processo de revelação. Algum tempo depois as pessoas podem voltar para ver a foto em uma cópia positiva. Porém, o processo não é tão fácil. Além de possuir uma profundidade de campo muito pequena (vejam o desfoque bacana no fundo dos retratos), o material sensível utilizado possui uma sensibilidade ISO muito baixa. Isso leva a uma velocidade de obturador muito lenta para conseguir captar as imagens. Ou seja, as pessoas precisam ficar paradas por um certo período de tempo para a fotografia acontecer. Isso pode causar algumas fotos borradas. Mas, tudo vale pela diversão da coisa. Vejam abaixo algumas fotos do projeto.

Embora siga os mesmos princípios, o projeto não é uma câmera pin hole, pois possuí uma lente para amplificar o poder da luz na entrada e diminuir o tempo do processo. Mas, já existiram projetos parecidos utilizando câmeras pin hole gigantes. Em 2008 o fotógrafo português Mica Costa Grande percorreu o nosso país com o projeto “Brasil pelo buraco da agulha”. Ele transformou o baú de um caminhão em uma enorme câmera pin hole e produziu fotos panorâmicas de 3,7×1,13 metros dos principais pontos do Brasil. Eu tive o privilégio de visitar esse caminhão em uma das Photo Image Brasil que participei. E também temos o projeto “Cidade Invertida” do fotógrafo paulistano  Ricardo Hantzschel que desde 2006 percorre o país com um trailer transformado em uma enorme câmera pin hole. Eles participam de eventos, festas e atividades culturais ensinando as pessoas a construírem e utilizarem essas câmeras. Muito bacana.

Para mais informações e fotos você pode visitar o site e o instagram do artista.

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Autor: Gilson Lorenti

Geógrafo de formação e fotógrafo de coração, comecei a fotografar com 18 anos de idade (antes disso nunca tinha pegado uma câmera na mão). Depois de muito estudo veio a carreira profissional que passou por várias modalidades da fotografia até realmente descobrir o que gosto de fazer. Hoje me dedico ao ensino de fotografia, fotografia Fine Art e Books Fotográficos (gestante, moda, sensual). Tomando emprestado as famosas palavras de Ansel Adams “Quando as fotografias não forem mais suficientes, me contentarei com o silêncio”.

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  • Jeorgelis

    As fotos ficaram bacanas. Acho que até o MalcriadoRJ sairia simpático na foto.

    • Davi Marques

      Tipo na foto de perfil? Que provavelmente foi tirada em um Lambe Lambe!?

  • Harlley Sathler

    ” ou com um ovo de avestruz (sim, eu participei da construção dessa insanidade, hehe).” – Gilson, não rola um texto sobre essa insanidade?!

  • Julio da Gaita ✔

    boa gilsão, sempre li sobre projetos de cameras pin hole caseiras em projetos sociais. A idéia é sensacional, faz a fotografia parecer menos “tecnoglógica” pra mais “mágica” e não estamos falando de iphone…rs

    O aspecto lúdico é sempre legal pros pequenos, do que só “apertar o botão”…

  • Monstro Medieval

    As fotos ficaram bonitas mas não consigo deixar de ver os filtros dos aplicativos nelas. O original fica melhor, talvez por ser autêntico, que não pode ser emulado por aplicativos. Sei lá.

    • Gilson Lorenti Fotografia

      verdade, mas eu entendo ele. Fazer uma cópia positiva em papel significa dobrar a quantidade de material. Além do fato de precisar ter um ampliador com timer, o que elevaria o custo e ocuparia muito espaço dentro do trailer. Nos últimos cursos de pin hole que ministrei a gente também utilizou o photohsop para fazer o positivo. Material por aqui é muito caro.

      • Monstro Medieval

        Eu achei legal o trabalho dele o que acho um pouco doido é o pessoal imitar os “defeitos” das fotos antigas com softwares, mostra que o que era defeito antes agora é qualidade.

        • Gilson Lorenti Fotografia

          mas, eu acho que a maior parte dos defeitos é por conta da foto mesmo. Esse tipo de produção, por mais que ele tenha se esforçado, não vai gerar uma foto perfeita. ele está usando papel fotográfico como fonte de captação com uma sensibilidade muito baixa e alto contraste. As nossas fotos pin hole aqui dos cursos ficam exatamente deste jeito. a única coisa que faço é escanear o papel negativo e inverter no photoshop. sem filtros ou edições.,

  • Zalla

    ou seja, ao inves de dar a notícia sobre um americano que fez algo que um brasileiro já tinha feito, pq não fazer uma matéria com o brasileiro???
    Ao invés de só uma citação a ele…
    Eu gostaria de ver essa matéria…

    • Gilson Lorenti Fotografia

      os projetos dos brasileiros são bem mais antigos. transformar carros, caminhões ou ovos de avestruz em câmeras pin hole não é novidade. O inglês acoplou uma lente, um sistema de visualização por espelho e ele tem que entrar dentro da câmera para operar o equipamento. Um pouco mais complicado e mais avançado, e por isso mesmo não é pin hole. O projeto do Brasil pelo buraco da agulha eu já falei por aqui na cobertura que fiz da Photo Image Brazil. Independente da nacionalidade do projeto sempre que uma coisa dessas acontecer a gente vai estar noticiando 🙂

      • Zalla

        valeu pelas info

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