Tim Schafer critica a prática da indústria de games de sacrificar seus desenvolvedores

Ao contrário do que muitos pensam, trabalhar com desenvolvimento de games nem de longe é tão legal e divertido quando ilustram. Estúdios de grande e médio porte, principalmente os que mantém contratos com distribuidoras de renome e são responsáveis por franquias de sucesso ou outros títulos AAA são empresas como qualquer outra, que visam o lucro e têm contratos a cumprir. A pressão exercida sobre os desenvolvedores, roteiristas, animadores, programadores e outros profissionais muitas vezes passa dos limites do aceitável, e já vimos vários casos e denúncias nos últimos anos.

Um dos mais notórios envolveu a Team Bondi, o antigo estúdio independente australiano responsável por L.A. Noire. Denúncias colhidas na época do lançamento revelaram que o fundador Brendan McNamara havia entrado em modo ditador, fazia da vida dos colaboradores durante o processo de desenvolvimento um inferno e mais, ele sequer se preocupou em desmentir os relatos depois. Pouco tempo depois tivemos os relatos sobre as práticas autoritárias dentro da Konami, corroborados pelo tratamento um tanto vexatório imposto a Hideo Kojima quando Metal Gear Solid V: The Phantom Pain foi lançado, e para fechar o pacote a roteirista e produtora Amy Hennig, ex-Naughty Dog e hoje na Visceral Games desceu a lenha no comportamento padrão da indústria, que impõe altas cargas de trabalho de horários insanos aos profissionais em geral, que basicamente não têm vida própria.

Em geral a prática de crunching (exigir tarefas e carga horária além do acordado dos funcionários) é prática comum no mundo corporativo no exterior, visto que para o bem ou para o mal nossas leis trabalhistas são muito mais rígidas quanto a jornada de trabalho e competências (ainda que abusos ocorram frequentemente). Com o mercado de games não é diferente, ele lucra mais do que Hollyhood e distribuidoras pressionam estúdios para sempre manterem os prazos e continuarem lançando títulos AAA de sucesso de crítica e público, de modo a vender o máximo possível. Os estúdios, na maioria das vezes preferem sacrificar seus colaboradores a pedirem prazos mais longos, cortarem o escopo ou flexibilizar o desenvolvimento. E claro, o desenvolvedor é quem se lasca mais.

Se o hoje conceituado Tim Schafer defende um desenvolvimento mais humano na indústria de games, ele o faz com conhecimento de causa: o fundador da Double Fine começou sua carreira na LucasArts e ele conta em entrevista que no início achava normal que ele, Ron Gilbert e outros que trabalharam em clássicos como The Secret of Monkey Island tivessem cargas horárias de 70 horas semanais, mas quando sentaram e calcularam que sua hora de trabalho não passava de US$ 3,50 viram que algo estava muito errado.

Schafer conta que como muitos outros profissionais já relataram, o crunching prejudicou sua vida pessoal ao ponto de demolir seu primeiro casamento, que não durou mais que um ano:

“Você não percebe o que está acontecendo ao seu redor, que você está prejudicando sua vida pessoal por estar no trabalho o tempo todo (…). Você pode ter a intenção de que o resto do mundo espere por você, mas ele não fará isso necessariamente. Eu estava muito empolgado na época e se você pensa que alguém vai esperar por você e tolera-lo por não estar por perto… bem, as pessoas seguem em frente.”

Schafer conta também que há o caso do crunch parcialmente inevitável, principalmente quando o estúdio é pequeno e contas precisam ser pagas. Quando ele fundou a Double Fine e precisou pegar um empréstimo de US$ 250 mil para custear o desenvolvimento de Psychonauts, depois que a Microsoft cancelou os planos de publica-lo como um exclusivo do Xbox 360 (ele foi posteriormente acolhido pela Majesco) o pensamento de exceder horas e trabalhar mais do que o recomendado voltou a assombra-lo: em determinado momento a criatividade, segundo o produtor havia dado lugar a um processo quase obsessivo de caça a bugs ao invés do de criação, enquanto a vida fora do estúdio… bem, não existia (pratos e roupas sujas acumulados, ausência junto à família e outras coisas segundo Schafer).

Hoje Schafer faz da Double Fine um estúdio que privilegia a criatividade e condena o crunching, ao dizer que importa a ocasião é uma prática “antiquada e mal orientada” e que independente dos motivos (pressão das distribuidoras, falta de dinheiro, prazos apertados) jogar os funcionários contra as pedras de modo a pressiona-los “só fará com que eles sejam dilacerados”: ainda que os resultados sejam aparentemente satisfatórios (ou nem isso, vide como a franquia Assassin’s Creed perdeu qualidade ao longo dos anos) os estúdios acabam com profissionais emocional e fisicamente devastados, e isso não é vantagem para ninguém.

Fonte: Lattice.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Felipe Braz

    O pior de tudo é ver gente que adora levar o trabalho pra casa, responder whatsapp pra clientes 2hs da manhã, etc.

    • Jorge Dondeo

      Isso não é ruim, se o cara faz por que gosta, o problema é ser obrigado.

      • Felipe Braz

        Eu fazia isso quando mais novo, até ter um “piripaque” e ir parar no hospital. Tomo escitalopran até hoje.

        • nayara

          Faz parte do amadurecimento do nosso mercado. Hoje os profissionais já conseguem impor algum limite pra essa pressão e as próprias leis vão se atualizando pra coibir abuso de um lado e do outro.

          Devagarzinho chegaremos lá.

      • Nilton Pedrett Neto

        É ruim pra a indústria como um todo, pq aquele tipo de comportamento passa a ser o padrão esperado. Faço faculdade de desenvolvimento de jogos e os professores tanto reclamam da prática quanto nos forçam a entrar nessa maluquice.

        • Guilherme

          Aí é analisar se vocês entram nessa maluquice por causa dos professores ou por deixarem os estudos para as últimas semanas. Nós meus tempos eram pelos dois motivos. Malditos trabalhos, tinham que cair no último mês?!

          • Nilton Pedrett Neto

            Então… eu posso falar por mim. Fiz (mas não formei) informática, ciência da computação e física. Me formei psicólogo e estou no mestrado em psicologia. Comecei a graduação em games [só para deixar claro que tô acostumado com chicote no lombo].

            O que acocntece é que fazer jogos é difícil. MUITO difícil. para fazer a menor bobagem é preciso um tantão de conhecimento… conhecimento que a gente (em teoria) não tem. Mas vai adquirindo… no nosso caso, os professores fazem pedidos do tipo: ” quero uma ideia de jogo com X elementos, Y comportamento e Z personagens, competitivo, PvP para hoje”. No final da aula ele diz: “semana que vem quero o GDD”. Depois “Semana que vem quero um protótipo jogável”. Agora multiplica isso por 9 disciplinas + uma de empreendedorismo (que faço pq um projeto nosso foi aceito na incubadora da universidade). É irreal! se deixar para cima da hora não faz nada além de chorar, rs.

      • Guilherme

        Sim, contato não precise de vida pessoal…

    • ochateador

      Eu sempre falo para quem conheço para evitarem isso e todos acham que quero prejudicar eles…
      O duro é quando a própria mãe faz isso.

      • EmuManíaco

        whatssapp é msg. zero de prioridade. Eu mando msg de zap a hora que precisar. quem tem que ter auto controle nao dorme com zap ativado. quem quer urgencia liga.

        • ochateador

          Não uso whatsapp faz mais de 3 anos.
          Justamente por causa de um pequeno problema na empresa + fato de eu não poder (e nem querer) fazer plantão.

        • Felipe Braz

          Se cliente me chama de madrugada, provavelmente nem vou ver pq ja deixo celular no silencioso, mas se por ventura estou acordado, mesmo que não esteja fazendo absolutamente nada, eu simplesmente ignoro, se continuar insistindo, meto no silenciar e que se f**

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            Mano, cliente abacaxi é dose. melhor coisa que fiz foi ser bem rígido com prazo (calculados em DIAS ÚTEIS) e definir tudo em contrato antes de começar qualquer coisa. mas sempre tem um mala que não pensa que você também tem vida.

            Aliás, sobre a matéria, nessas horas que se vê a importância de associações de funcionários, sindicatos, e etc. Ter respaldo pra dizer “Não” a condições abusivas de trabalho e garantir qualidade de vida vale muito.

          • O maU elementaU

            Se o sindicato ou associacao estiver ao lado do trabalhador, ne? No BR normalmente é o contrario…

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            isso depende do quanto o trabalhador quer acompanhar o trabalho do seu sindicato. O problema de não gostar de política é acabar sendo governado por quem gosta.

        • O maU elementaU

          Nao respondo cliente fora de horario comercial. PONTO. Sem exceções. E meu celular comercial é diferente do pessoal.

      • Felipe Braz

        muda o nick de ochateador pra osolucionador que as pessoas não vão achar mais isso =P

        • ochateador

          Nah, eu apenas deixo elas terem um piripaque. Aí quando eu descubro que elas sofreram um piripaque vou lá e jogo sal na ferida.

    • Paçaro

      Pra começo de conversa, empregador não tem nem que ter meu Whatsapp pessoal. Se quiser mandar mensagem no Whatsapp, me dá um celular corporativo e me paga plantão.

      • Inquisidor

        eu penso o mesmo, eu trabalho de terça a sabado, domingo e segunda é folga, a primeira coisa que faço quando chego em casa sabado a enoite é ligar o modo avião, e só tirar dele na terça de manha , já tomei “mijadas” isso e mandei exatamente o que vc escreveu aí , quer que eu responda e esquente a cabeça na minha folga me pague plantão, ninguem falou mais nada. kkkk

      • doorspaulo

        Quase a mesma coisa aqui. Pouco depois de entrar no trabalho atual, comprei um segundo aparelho, exclusivo para o trampo.
        Eu ainda sou mais flexível, no horário de almoço, se não estiver ocupado com nada, atendo ligações, ou um período após o expediente (até umas 18:40 +-).

        Fins de semana e feriado, esquece.

    • nayara

      Será que lá quando alguém critica isso também recebe a alcunha de ser “de esquerda”?

      • Yskar

        Não, é chamado de “liberal” (que lá significa exatamente o mesmíssimo comportamento).

    • Firmo

      Já fiz isso, e reconhecimento nenhum, hoje em dia deu 18 Hr, to vazando, sábado ? vou pensar no assunto, fabrica de software, mas só se estiver morrendo de fome

    • phso

      Tenho a impressão que existe no Brasil (não sei no exterior), uma cultura de ter que demonstrar o tempo todo q vc é trabalhador. Se aparece trabalho e vc recusa, ou demonstra descontentamento, vc é automaticamente visto como preguiçoso, mesmo que vc tenha dito isso depois de ter cumprido todas as suas obrigações, e as 8 horas de trabalho q são seu dever. Trabalhei em supermercado, e o que vi de caixa arrumando gôndola, conferente virando operador de empilhadeira, Auxiliar de escritório ajudando na padaria, funcionaria do RH virando caixa, e toda sorte de combinações possíveis, era impressionante. Era pratica comum na empresa e absolutamente ninguém abria o bico pra reclamar. De horas extras então nem se fala, eu cheguei a alcançar cerca de 200hrs, um dos funcionários passou de 1000 hrs (detalhe, era banco de horas). Não sou contra ajudar em outro setor ou esticar um pouco mais o dia de trabalho eventualmente. O problema é quando isso vira pratica comum, acontecendo todo dia, e chegando ao absurdo de tirarem folga de funcionário, pra ajudar em outros setores da loja.

      Mas é isso, se vc reclama q tá vivendo toda sua vida dentro da empresa, o q acaba te deixando sem tempo pra nada (vida social? esquece, faculdade? esquece), q tá fazendo um monte de coisas q não é sua obrigação (sem receber um centavo a mais por isso), vc é preguiçoso. Levou alguns meses entre eu falar com meu superior sobre essa questão e ser demitido. Os outros nunca reclamaram, ou por terem medo de ficar desempregado, ou por serem adeptos dessa cultura louca do trabalho a todo momento, pra mostrar valor.

      • Felipe Braz

        O foda é que com o nivel de desemprego atual os kras se sujeitam a praticamente qualquer coisa pra não ficar desempregado, aquela velha historia do “se vc não quer, tem quem queira” =T

  • Daniel Câmara

    Sério… só eu que achei esse texto, gramaticalmente falando, muito difícil de ler?

    • Pedro

      O Gogoni as vezes escreve frases longas demais, que deixam o texto pesado sem necessidade.

      Isso é uma frase só:

      Pouco tempo depois tivemos os relatos sobre as práticas autoritárias dentro da Konami, corroborados pelo tratamento um tanto vexatório imposto a Hideo Kojima quando Metal Gear Solid V: The Phantom Pain foi lançado, e para fechar o pacote a roteirista e produtora Amy Hennig, ex-Naughty Dog e hoje na Visceral Games desceu a lenha no comportamento padrão da indústria, que impõe altas cargas de trabalho de horários insanos aos profissionais em geral, que basicamente não têm vida própria.

    • Gogoni

    • SomeReader

      Discorda-lo-ei

  • A tecnologia devia ser para as pessoas terem uma melhor qualidade de vida, mas o que está acontecendo é realmente ao contrário, as invés de usamos o tempo que a tecnologia economiza para outras coisas, usamos para trabalhar cada vez mais, isso acontece em todo o mercado de trabalho, não apenas no de games, eu acabei abrindo minha própria empresa por causa de coisas desse tipo…

    • SomeReader

      No sistema econômico atual, a tecnologia só torna melhor a vida de quem é privilegiado socialmente. Só em uma rbe que tornaria melhor a vida de todo mundo.

      • Gesonel o Mestre dos Disfarces

        rbe?

        • SomeReader

          É meio complexo para explicar em um post aqui. Depois procure no google, tem bastante informações fáceis.

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            Veio MUITA coisa da Revista brasileira de Economia. Mas cavei mais um pouco e surgiu Economia Baseada em Recursos. Espero que seja isso.

          • SomeReader

            É isto mesmo! Esqueci de dizer o significado da sigla! foi mal.

          • Gesonel o Mestre dos Disfarces

            hehe, tá tranquilo. mais um assunto para ler e aprender sobre. 🙂 valeu!

      • DanielBastos

        Vc escreveu isso onde? No PC? Pensa como vc escreveria está mesma frase a 30 anos.

        Pq vc tá usando tecnologia a preço popular pra ler e comentar aqui. Não dá pra dizer que tecnologia é privilégio social.

        Vc pode pensar até que último modelo de pc é super caro que só os ricos podem comprar.

        Mas isso acontece com todas as coisas.

        E, como todas as tecnologias da humanidade, o preço cai quando se popularizar.

        • SomeReader

          A 30 anos não existia o conceito de rbe. Então não escreveria, XD

  • leoncral

    Ai vc ver ne, um game feito nas pernas porém divertido como Batleground faz mais sucesso que essew games ditos AAA.

    Agora a parte q eu n entendi, porque críticar a postura do cara em falar a verdade? Seria melhor ele chamar os funcionários de mentirosos?
    “ele sequer se preocupou em desmentir os relatos depois. “

    • SomeReader

      Pq é esperado que ele considera uma prática vergonhosa, e por isto ele “desminta”. Ou peça desculpas por alguma coisa…

    • SomeReader

      AAA são chatos, tudo igual.

  • Inquisidor

    já tentei fazer um game rpg com dungeons proceduralmente geradas ( na real era meio que um inspiração no jogo de ps1 Azure dreams), e eu descobri que se eu fizesse isso eu ia odiar os games kkkkkk, só tem 3 coisas nesse planeta que me mantem vivo ainda : carne assada , sexo e jogos de pc/console, sim sou vazio a esse ponto, fod* *e, um dia eu faço ainda na zoeira, mas trabalhar com isso de forma alguma.

    • Inquisidor

      só um detalhe, isso ocorreu em 2005, comigo usando internet discada, só podendo conectar para tirar duvidas no sabado e domingo, a engine que eu usava veio num cd que veio numa revista ( não era rpg maker, era 3d, provavelmente deveria ser algo antigo usado nos games de ps1, seila, hoje deve ser mais suave.

    • SomeReader

      Vc ainda gosta de carne assada, sexo e jogos; e considera sua vida vazia?

      Eu então sou um buraco negro! kkk.
      Aliás, eu não sei pq estou aqui ainda… kkkk

      • Inquisidor

        o sexo é bom ,mas o esforço feito para conseguir é muito grande e na maioria das vezes não vale a meia horinha de vira zoio, estou seriamente pensando em só utilizar profissionas do sesquiçu, sai mais barato e economiza tempo.

        • O maU elementaU

          Eu nao tenho problemas em conseguir sexo, ate porque tenho compromisso fixo 🙂 Sou bonito?

          • Inquisidor

            eu era bonito uns 14 anos atrás, hoje estou tiozão, meu cabelo está caindo/falhando (nunca liguei, mas quando começa a cair vc fica triste huaheuaeh), meu corpo está com uma tendencia de querer fica barrigudo, se não fosse a musculação eu ia passar “fome”

    • SomeReader

      Eu já criei diversos mini jogos… uns 15 talvez, em flash. Boa época, era divertido.

  • Ricardo

    Criador da Double Fine? Aquela empresa que lançou jogo em Early Access e deu uma banana para os compradores lançando uma versão 1.0 feita nas coxas? Tá bom.

    • Esse, o mesmo que também nos deu uma infinidade de jogos fantástico. Mas sabe como é, as pessoas só lembram dos erros.

      • Ricardo

        Não é erro, se chama fraude, quando foi para aceitar o dinheiro e fazer promessas ele fez direitinho, mas na hora de cumprir fraudou todo mundo e lançou uma versão incompleta indo fazer um novo game. Se duvida é só ver os fóruns com os comentários das pessoas que foram engambeladas.

        Acho bonito fazer discurso a favor da indústria, mas talvez primeiro ele tenha que olhar para si mesmo e cumprir as promessas.

        • Meganegão

          Blablabla, você não pode reclamar da comida porque você não levanta o assento da privada…

          • Ricardo

            …Wat?

        • Se procurar aqui, verá que na época escrevi um texto criticando a Double Fine por terem cancelado a produção do jogo. Eu inclusive fui um que o comprei.
          Mas repito o que disse, não acho justo desconsiderar a carreira brilhante de um cara por causa de um erro, porque não, não considero aquilo uma fraude.

          • Ricardo

            Dori, respeito sua opinião, mas o “Cara” é uma empresa que assumiu um compromisso e fraudou o early access e assim como muitos outros produtores deu um calote. Ele usou o nome dele como colateral, pois sem isso não teria arrecadado o suficiente, então nada mais justo que ser lembrado por isso. Talvez se essa cultura existir, mais produtores tentem planejar melhor antes de começar um projeto nas coxas e ficar lançando Alpha como versão full :).

            Ah e não acho certo desconsiderar toda a carreira do cara também, só desejo que as pessoas lembrem disso para tomar mais cuidado e para haver alguma CONSEQUÊNCIA, de modo que ele tome cuidado antes de lançar qualquer jogo, porque agora virou moda isso, só ver o EA do steam, um monte de produtos sendo lançados e largados no meio com as raras exceções como Kerbal, The forest, 7dtd, Ark…

        • Eu ajudei nesse kickstarter, e não acho que houve fraude nenhuma, ele nunca enganou ninguém, sempre publicou as atualizações frequentes do desenvolvimento. O jogo ficou maior do que o planejado, alguns acharam ruim, outros(como eu) não se importaram e esperaram. O resultado final foi um game muito bom, melhor do que eu esperava, e um jogo melhor do que se tivesse seguido o orçamento inicial. Teve outros projetos kickstarter que não entregaram o prometido, mas não foi o caso desse – atrasou, faltou dinheiro, mas entregou. Cheguei a contribuir pra vários games na mesma época(dolar baixo), como Banner Saga, Wasteland 2, Indie Game The Movie, todos projetos excelentes. E tive sorte de não ter entrado no do Might n9, esse foi ruim mesmo.

          • Ricardo

            Sinceramente, diante de toda a repercussão negativa acho que sua visão de completo e contato com a comunidade não é a da maioria, afinal a empresa chegou a se desculpar…

            Wasteland e Banner Saga foram épicos mesmo, eu comprei no EA. 🙂

  • Jefferson Viana

    3,50 a hora? menos que hora por salario minimo americano? Nossa…., esse deve ter sido um dos motivos do do bruce straley ter saído da ND, quando do lançamento de mass effect 3 lembro de um cara do brasil que trabalhou no departamento de artes que ele dizia está feliz pelo trabalho ter sido reconhecido mas como mexia e testava o jogo todo os dias não achava tão divertido.

  • Meganegão

    Indústria dos games é como qualquer outra, ondes nossos chefes prometem para o cliente um prazo que ele mesmo sabe que não é suficiente, mas com medo aceita e depois açoita os funcionários como se eles fossem os responsáveis. Isso tem em todo lugar.

  • 🦊 RaposaDoida 🦊

    Bons tempos que os jogos eram mais simples, a indústria dos games menos capitalistas.
    Não é atoa que muitos profissionais estão ficando apenas no mobile e esquecendo outras plataformas, para que o cara vai entra numa briga que só tem estúdio grande se matando por pouco.

  • Fernando Flaquer

    Médio…
    Na pessoa física, concordo 100%… existe mais na vida do que a vida profissional… família, lazer, projetos pessoais, tudo isso faz da vida mais feliz e completa…
    Na pessoa jurídica? Comportamento obsessivo compulsivo historicamente traz resultados grandiosos… Mozart, Beethoven, Newton, da Vinci, Michael Jackson, Einstein, Tesla, entre muitos outros gênios…
    Steve jobs? Vida pessoal de merda… (Lisa?)
    Duvido que The Secret of monkey island seria tão bom no regime de 40 horas semanais…
    Mais um ponto contra a mediocridade do nosso regime trabalhista…
    Resumindo: obrigado pelo sacrifício de certas vidas sociais pelo resultado de tanta obras geniais para o resto de nós…
    Quanto a mim, que não sou gênio, trabalho muito por pura burrice mesmo…

  • Lcnorm

    Faltou citar a EA, que é referência mundial em abuso de funcionários.

  • phso

    “Em geral a prática de crunching (exigir tarefas e carga horária além do acordado dos funcionários) é prática comum no mundo corporativo no exterior, visto que para o bem
    ou para o mal nossas leis trabalhistas são muito mais rígidas quanto a
    jornada de trabalho e competências (ainda que abusos ocorram frequentemente)”. Pela minha experiência pessoal, acho q aqui no Brasil não é muito diferente.

    “(…)que você está prejudicando sua vida pessoal por estar no trabalho o tempo todo”. Eu tentei argumentar isso por algum tempo com colegas e superiores no meu ultimo trabalho, mas os colegas, mesmo que concordem, poem o rabo entre as pernas, por medo de perderem seus empregos, e os superiores ainda que não digam com todas as palavras, demonstram q passam a te ver como preguiçoso cada vez mais, a medida q vc toca nesse assunto, mesmo que vc esteja cumprindo seus horários. Na cabeça deles, é absurdo ele te pedir pra ficar até mais tarde e vc dizer q não pode ficar pq tem um compromisso, ou está cansado da semana cheia de horas extras q teve.

    Resultado: Depois de algum tempo me recusando a passar do horário com frequência ou de fazer uma caralhada de tarefas q não era minha (o q acontecia demais lá) , eles acharam q eu já não servia mais, e me mandaram embora. Talvez se eu não tivesse reclamado sozinho, as coisas pudessem estar diferentes hoje, mas as pessoas (e isso não é restrito aos superiores, tem muito funcionário se matando por aí e achando normal) acham q se vc não trabalha como um burro de carga o dia inteiro, enquanto deixa a vida pessoal estagnada, vc é preguiçoso, não quer trabalhar. Aí as coisas não mudam msm.

  • Alice Woodstock

    Um pouco de desabafo, trabalho como desenvolvedora desde que me formei, paguei as contas com o velho Delphi para depois me tornar desenvolvedora Java, mas confesso ter menos ânimo para trabalhar do que eu gostaria. Não consigo definir do que gosto pois sempre gostei de informática, jogos, mas trabalhar é outra história, não sou desenvolvedora de jogos mas acho que se eu trabalhasse nisso eu nunca mais ia querer ver um jogo na vida.

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  • Pedro

    Acho o importante nem é trabalhar muito, mas focar em formas melhores/+eficazes de trabalhar

  • Andre

    O que eu vejo muito é, empresas compram as modinhas (Scrum, Agile) pra melhorar a produtividade, não entendem os princípios das idéias e terminam com as mesmas práticas anteriores pioradas, o resultado é mais horas ainda pois tem que levar em conta o overhead do processo salvador da pátria.

  • Wander Albuquerque

    Bons jogos foram cancelados pelo mesmo motivo, o Diretor de Scalebound, Hideki Kamiya, reclamou que não podia tirar uma folga para a sua saúde mental, isso foi reflexo do prazo dado pela Microsoft… um pena esse tipo de postura das Publisher.

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