Confira o primeiro trailer de Downsizing, com Matt Damon

downsizing

O projeto encalhado de Alexander Payne, o aclamado diretor de Sideways: Entre Umas e Outras, Os Descendentes e Nebraska finalmente vai sair do Development Hell: Downsizing (Pequena Grande Vida no Brasil), uma comédia dramática estrelada por nosso pirata espacial e batateiro favorito Matt Damon sobre pessoas que escolhem ser miniaturizadas para viver melhor acaba de ganhar seu primeiro trailer.

A trama é interessante: num futuro próximo a superpopulação mundial colocou o planeta em uma crise de abastecimento, há muita gente para a capacidade de produção de recursos naturais que a Terra pode oferecer. A solução apresentada então foi reduzir o consumo, mas não com racionamento e sim desenvolvendo um processo (irreversível) de miniaturização de humanos, que com uma média de 13 cm de altura passariam a consumir recursos em uma escala muito mais gerenciável e essencial para a continuidade da civilização. O título Downsizing é uma piadinha dupla tanto com o encolhimento quanto com a estratégia de administração para contenção de custos (geralmente demissões), que infelizmente se perdeu na tradução.

No filme Matt Damon e Kristen Wiig (que também estava em Perdido em Marte como a diretora de mídia da NASA Annie Montrose) são Paul e Audrey Safranek, um casal que decide abrir mão de uma vida mediana e cheia de restrições para abraçar uma nova realidade lilliputiana, que acaba sendo vantajosa para eles: uma família com uma renda per capita padrão dos EUA se converte em um milionário dentro das comunidades especiais voltadas para os miniaturizados, que podem desfrutar de uma nova vida de fartura e aventuras.

O elenco de Downsizing conta ainda com Christoph Waltz (Bastardos Inglórios, Django Livre) e Udo Kier (o Führer de Iron Sky) como um casal de playboys de meia-idade, Jason Sudeikis (Saturday Night Live, The Cleveland Show e Angry Birds) como o primeiro amigo dos Safranek que passa pelo procedimento e participações de Bruce Willis, Alec Baldwin, Neil Patrick Harris e Margo Martindale, a Claudia de The Americans.

O filme foi exibido nos festivais de cinema de Veneza e Toronto e foi bastante elogiado. Agora temos o primeiro trailer:


Paramount Pictures — Downsizing (2017) – Official Trailer

O projeto de Downsizing demorou anos para se tornar realidade: originalmente planejado para entrar em produção após Sideways, que estreou em 2004 ele foi atropelado por Os Descendentes e Nebraska e Payne o vinha empurrando com a barriga desde então. Pesa o fato de que os seus três filmes até então receberam uma cacetada de prêmios e nomeações (Sideways e Os Descendentes conquistaram cada um o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado) e só agora, com a agenda livre a versão humorística/sci-fi de As Viagens de Gulliver/Terra de Gigantes vai tomar forma. Payne se preocupou em fazer com que os efeitos especiais fossem vistos como banais e simples, passando a ideia de que é possível acreditar em pessoas minúsculas. Há toda uma atenção aos detalhes para dar um ar crível, como o fato de que os pequenos humanos usam megafones para serem ouvidos pelos “gigantes”.

Tirando as implicações científicas sobre o processo de miniaturização de seres vivos o plot gira em torno da superpopulação e esgotamento de recursos da Terra, que muitos defendem como a realidade para a qual estamos caminhando: logo teremos mais gente do que o planeta pode suportar, levando a um período de caos e colapso econômico inevitável. Até Jogador Número Um trata disso.

A verdade é que a população humana não tem como crescer além de 11 bilhões, um número que atingiremos segundo estimativas apuradas somente em 2100. A chave é a expectativa de vida: em 1800 éramos apenas um bilhão, levamos 100 anos para dobrar esse número e 115 anos para inserir mais cinco bilhões, principalmente porque vivemos mais. A população mundial está envelhecendo com saúde e acesso a serviços e recursos, ao mesmo tempo que as famílias em geral hoje têm menos filhos que as de 50 anos atrás.

Como Hans Rosling demonstrou (com dados), daqui a 80 anos teremos mais pessoas na faixa etária entre 40 e 80 anos que hoje de modo que atingiremos uma população estável de 10 a 11 bilhões, que se renovará constantemente e não crescerá além disso. Em suma nosso futuro não será tão sombrio como muitos afirmam; no geral, o mundo está melhorando.


THINK Global School — Why the world population won’t exceed 11 billion | Hans Rosling | TGS.ORG

Ainda assim, a ideia de ter uma fonte de vodka e viver por muito tempo com um único bife é tentadora.

Downsizing tem estreia marcada nos Estados Unidos para o dia 22 de dezembro, batendo de frente com Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi e outros blockbusters de fim de ano; já no Brasil o filme chega só em 18 de janeiro de 2018, o que é um avanço e tanto vindo da Paramount.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Fernando R Sousa

    superpopulação é igual aquecimento global, mais levado por ideologia doq ciência de verdade…

    Sim, tais recursos hoje podem ser escassos e estarem próximos do fim, mas e os recursos abundantes que serão descobertos como alternativas no futuro? Até o petróleo ser descoberto, não existia problema com ele, cada geração faz novas descobertas e novas formas de se utilizar os recursos.

    Esse alarmismo, com superpopulação e aquecimento global, tem um resultado, controle, infelizmente é algumas pessoas querendo controlar outras em nome do “bem geral”…

    • Dou uma e se for bom dou mais

      “Até o petróleo ser descoberto, não existia problema com ele”
      auehauehauahaeuhaeuaehueahaeuaehueahaeuehaueahaeu
      Antes de aprenderem como usar o petróleo não tinha ninguém queimando ele para ele se tornar um problema ahuehauhaeuaeheauhaeu

      • Fernando R Sousa

        exato kkkkkkkkk no futuro quando o grafeno for amplamente utilizado, vão inventar alguma problemática pra ele, que polui ou que está acabando e o apocalipse vai acontecer e por isso precisamos controlar, o ser humano, historicamente tem contornado a maioria dos problemas com relação a recursos naturais

        • Wallacy

          Incrível como sua capacidade de interpretação é baixa. Concorda com uma pessoa que criticou seu argumento, usando um exemplo ainda pior que o primeiro.

      • Ivan

        Verdade antes do petroleo ser descoberto não tinha derramamento de petroleo no mar.

    • Não vejo esse alarmismo que você fala, tirando poucas pessoas que se assustam com tudo. A ideia que cientistas e pessoas inteligentes só acham que não se deve empurrar os problemas com a barriga eternamente. Antigamente as guerras e doenças impediam o crescimento descontrolado da população, hoje em dia acredito que acesso a informação tem feito esse controle em países desenvolvidos, mas em países como india e muitos países da africa aonde a população nem sabe fazer planejamento familiar a pobreza só cresce. Superpopulação vai ser problema um dia, é melhor fazer alguma antes da bomba estourar. No caso de aquecimento global já esta fazendo diferença no mundo. Não vejo ninguém se beneficiando com controle da emissão de carbono que não seja a propiá população, poluição gera doenças, inutiliza o solo e a água, então mesmo que eu não acreditasse na maioria dos cientistas que dizem que existe aquecimento global, ainda assim reduzir a poluição seria vantajoso. As únicas pessoas que realmente tem lucrado com informações são as empresas de carvão e petrolíferas, que geralmente tem apoiadores negando o aquecimento global.

      • Hige

        Não sei porque vc faz textão, se os “negacionistas” geralmente são os que não leem, sobre o aquecimento global as coisas são “certas”, a temperatura do mundo está aumentando e nós vamos ter que nos adaptar ou “reverter” a situação de algum jeito, a natureza já faz isso por si só, as mudanças são bruscas apenas pra nós, para o “ciclo natural” mudanças e continuidades são “normais” mesmo que sejam bruscas. Sobre a superpopulação, de fato o vídeo é esclarecedor, para quem acompanha as estimativas de crescimento populacional a tendência é estabilizar, o problema maior é o consumo, mesmo numa sociedade com taxa de crescimento estável o consumo irresponsável sem o uso de alternativas inteligentes de reuso e aproveitamento qualitativo de recursos o resultado será “catastrófico”, para a grande maioria da população, os muito ricos, estão OK. Nossos colegas negacionistas ou são “muito ricos” ou acham que são…

        • Concordo com você, só acho engraçado falar que eu escrevi textão se foi só um paragrafo quase igual ao seu.

          • Hige

            kkk ironia. Qualquer coisa maior que 3 linhas é textão para muita gente, eu odeio comentar e não me expressar claramente, e sou incapaz de fazer em pouco espaço.

        • gfg

          É por isso que eu adotei o modo George Carlin de pensar; “O planeta? o planeta está bem, o que são alguns milhões de anos pra desintegrar um plastiquinho de merda, ele já passou por coisa bem pior e ainda está ai, agora nós, bem… nós estamos fudidos.”

      • Sophos Nsm

        olha superpopulação é um problema medio apenas. a população nao vai crescer indefinidamente e ela deve até mesmo encolher a partir de 2050. as pessoas de paises desenvolvidos tem cada vez menos filhos.
        o problema é na verdade o nível de vida. poderiamos ter umas dez vezes essa população atual se consumissemos o que um cidadão médio da zambia (exemplo hipotetico) consome. mas se todos consumirmos o que um norte americano medio nem mesmo dez planetas seriam suficientes,

      • O maior problema dessa questão é o de sempre: a polarização e a consequente radicalização do debate.
        Se por um lado é evidente que poluição não é bom para ninguém, por outro também é fato conhecido que no passado já se fez alarmismo envolvendo, por exemplo, a camada de ozônio, para lucrar com soluções patenteadas. E esse é só um exemplo entre muitos.

        No momento, enxergo uma grande disputa entre europeus, chineses e americanos nesse debate. Os países europeus, com populações menores e tendo terceirizado a maior parte de sua produção para a China, agora estão na confortável posição de cobrar redução na emissão de gases poluentes e as fábricas chinesas e americanas que se virem para atingir as metas de redução.
        Os chineses se dizem muito preocupados com a poluição e afirmam que irão adotar as medidas pensando no benefício de sua população. PAUSA: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
        Já os americanos batem de frente com os europeus e usam um argumento interessante: os europeus afirmam que os americanos são os maiores emissores de gás carbônico, fazendo o cálculo “per capita”; já os americanos contrapõe afirmando que poluem menos que os europeus porque o cálculo deveria ser emissão de CO2 versus Quantidade de Energia Gerada e, nesse caso, eles são mais eficientes que China e Europa.

        Minha opinião: tem uma questão comercial muito forte aí. Um grande alarmismo, por exemplo, beneficia europeus; ao passo que menosprezar os efeitos do aquecimento global é do interesse de americanos e chineses. Nesse campo onde interesses comerciais se chocam, a Ciência é a primeira vítima.

        • Pra mim o maior problema é que governos e empresas querem que alguém faça algo, desde que não seja eles. Não enxergam as oportunidades geradas com a criação de tecnologias novas e mais eficientes energeticamente , só veem que vão parar de lucrar com oque já investiram .

    • Do. not. feed. the. trolls.

  • Fernando Silva

    Finalmente uma ideia nova e interessante! Ansioso para ver se vai ser realmente interessante e divertido como no trailer.

  • Gustavo Luizon

    Gostei da ideia !! Ansioso para assistir ao filme !!

  • EmuManíaco

    “Ainda assim, a ideia de ter uma fonte de vodka e viver por muito tempo com um único bife é tentadora.” provavelmente não teria como comer a carne devido as fibras

    • Dou uma e se for bom dou mais

      Na verdade tudo seria complicado de ser comido sem um processamento gigante. Nesses casos até tentar comer um pão poderia ser um “grande” problema.

      • Adalio Siqueira

        Mas a parte boa, é que pra vodka não teria problemas

    • Theuer

      Pensei nisso também. Aí imaginei a “dureza” que teria uma tira de bacon e fiquei triste.

  • Aí apareceria um gatinho e faria um genocídio… hehehe

    • Rolando

      Pois é, e nem precisa ser um gato, ratos por exemplo que existem por todo lado fariam uma festa, sem contar baratas e outros animais pequenos que hoje para nós não representam nenhuma ameaça, e se hoje furacões causam calamidades, um ventinho mais forte causaria mortes em um nível inimaginável, e uma chuva mais forte então, seria um diluvio por dia na época de chuvas.

  • Maom

    Na realidade desse filme, a seção que vende Barbies na loja de brinquedos seria para maiores de 18 anos.

  • Salles Magalhaes

    Querida, encolhi as criancas!

  • Eric Locatelli Martini

    “A verdade é que a população humana não tem como crescer além de 11 bilhões, um número que atingiremos segundo estimativas apuradas somente em 2100”

    … desconsiderando o Islã.

    Ops, esse comentário não é politicamente correto…

    • André K

      A [boa] teoria do Hans Rosling ignora Idiocracy então além do Islã, e da África, resta a imensa proliferação dos ignorantes.

  • Marcelo Santos

    Na verdade muitos países conseguiram limitar o crescimento populacional. O problema tem sido o sub-continente índiano, a África e a indonésia. Talvez a ONU devesse pegar pesado e inventar um termo como “irresponsabilidade demográfica”. Em particular, a África sozinha chegará em 2100 aos quatro bilhões, isso se não conseguir mandar uns 500 milhões de habitantes para a Suécia.

    • André K

      A [boa] teoria do Hans Rosling ignora Idiocracy.

  • Raphael Reis

    Vi o trailer e me lembrou a sensação que tive ao ver o trailer do “O Show de Truman” pela primeira vez, quando os programas realitys ainda estavam na incubadora. Longe da miniaturização se tonar realidade. Mas o questionamento sobre como lidamos com o nosso cotidiano é parecido.

  • Rafyama

    Será que nesse filme vão ter que resgatar o Matt Damon de novo?

  • Julio Verner

    “ao mesmo tempo que as famílias em geral hoje têm menos filhos que as de 50 anos atrás.” Não sei em que Brasil tu vive… Mas aqui nesse pasto continental o que mais tem é vaca parindo.

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