Melhor Coréia detona bomba termonuclear e isso nem é o pior da notícia.

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Ontem a Melhor Coréia fez um anúncio assustador: mostraram fotos do Grande Líder visitando o Instituto de Armas Nucleares e inspecionando uma suposta ogiva termonuclear, desenvolvida internamente.

Que a Melhor Coréia tem armas nucleares, não há dúvidas: os testes deles foram detectados por satélites, sismógrafos e outras plataformas de sensores. O que mantinha o mundo mais calmo era que eles ainda não tinham conseguido miniaturizar uma bomba a ponto de caber em um míssil.

Vários analistas botaram a mão no fogo dizendo que o dispositivo mostrado era só um modelo não-funcional, que eles não conseguiriam miniaturizar uma bomba tão rápido.

A princípio não deveria ser tão difícil. A little boy, bomba que caiu em Hiroshima não era especialmente grande.

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3 metros de comprimento, 4,4 toneladas de peso. Grande, mas não especialmente.

Isso foi em 1945. Em 1961 já havia tecnologia para produzir a W-48, uma ogiva nuclear com potência entre 0,01 e 0,1 kt; usada na bazuca nuclear David Crockett, e que até hoje é a arma de destruição de massa mais fofa do mundo…

American Heroes Channel — The World’s Smallest Nuke

Em 1979 entrou em produção a W-80, uma ogiva termonuclear de 100 quilotons, pequena o bastante para caber em mísseis de cruzeiro:

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O dispositivo apresentado pela Melhor Coréia é condizente em tamanho e formato com um artefato desenvolvido internamente, sem sofisticação e know-how, mas com bastante conhecimento teórico e incentivo. Pode não ser uma bomba termonuclear, mas com certeza se parece com uma.

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O dispositivo, apelidado de amendoim aparenta ser uma bomba termonuclear. A parte de baixo, maior, é uma bomba de fissão, que gera o calor e pressão necessários para a reação de fusão, que ocorre na metade menor.

O barrilzinho de chopp do mal em cima do banquinho é a unidade de controle, com circuitos, sensores e baterias. O negócio marrom na frente é o cone do veículo de reentrada, onde a bomba é presa.

Esse conjunto todo foi visto por vários analistas como pura propaganda, mas algumas horas depois um tremor de intensidade 6,3 foi detectado na Melhor Coréia.

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O epicentro foi na área de testes nucleares de Punggye-ri, e o tremor foi exatamente ao meio-dia hora local. a ausência de tremores secundários também foi um bom indicador. Algo grande explodiu debaixo da terra, e a intensidade do tremor gerado significada péssimas notícias.

Aqui os dois últimos testes nucleares da Melhor Coréia em 2016, em preto o teste do hoje:

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As estimativas variam entre 100 kt e 120 kt.

O que é uma explosão de 120 kt? Digamos assim. Assista este teste, a detonação Crossroads Baker, em 24/7/1946:

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Essa explosão foi de 23 kt, mais de cinco vezes menor do que a bomba que a Melhor Coréia detonou. A de Hiroshima teve 13 kt, a de Nagasaki 20 kt, e o Grande Líder ameaçou jogar uma dessas em Guam.

A reação internacional veio com tudo, significando nada. Japão disse que não toleraria outro teste, se fosse confirmado (depois confirmaram). China e Rússia disseram que alguém tem que fazer alguma coisa. Trump tuitou que esse teste mostrou à Coréia do Sul que com a Melhor Coréia não adianta conversar, eles só entendem uma coisa.

O Conselho de Segurança da ONU marcou uma reunião de emergência. Pra amanhã, às 10:00, afinal de contas só vão mandar uma carta muito ríspida, pra que estragar o domingo de todo mundo?

O Grande Líder já está preparado, estocou um milhão de toneladas de petróleo e segura a onda por um bom tempo caso ampliem as sanções econômicas e China e Rússia resolvam aderir a sério.

Do lado americano a anta do Trump disse que “os EUA estão pensando em parar de negociar com qualquer país que comercie com a Melhor Coréia”. Boa sorte parando de importar coisas da China, laranjão.

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Agora ele está reunido com os assessores militares, “estudando as respostas”. Segundo Jim Mattis, secretário de Defesa dos EUA “a resposta será massiva”, e que há “muitas opções militares”. Sim, muitas. Todas elas envolvem um custo imenso de vidas japonesas e sul-coreanas, sem contar americanas.

É hora de fazer alguma coisa? O consenso é que a hora já passou, e faz tempo. Mattis disse que não é do interesse dos EUA aniquilar uma nação inteira mas qualquer provocação ou ameaça aos EUA e seus territórios será respondida com força.

O quê isso muda? Nada. São as mesmas contra-ameaças vazias de sempre. Acabaram de dizer que não vão fazer nada, “mas da próxima vez…”

P.S.: as estimativas agora projetam, dependendo da equação utilizada, uma potência entre 63 e 542 quilotons. Have a nice day.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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