Ender e Armada estavam certos: gamers são bons pilotos de drones

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Você já viu essa história: para combater o inimigo as forças armadas recrutam jovens gamers para pilotar as aeronaves avançadas e salvar o mundo. Há muitas variações, do clássico The Last Starfighter a livros como Ender’s Game: O Jogo do Exterminador, e o mais recente Armada.

Isso é o oposto da doutrina da maioria dos serviços de drones, que preferem utilizar pilotos experientes que por algum motivo não possam mais voar. O resultado é que as tripulações de drones são campeões em problemas psicológicos e disciplinares, rotatividade e moral no chão.

Talvez parte dos requisitos que formem um bom piloto de caça façam com que esses profissionais não interajam bem no ambiente confinado de uma estação de drones, ou talvez seja pura e simples frustração. Quando você está voando mais rápido que o som, dentro de 100 milhões de dólares de tecnologia de ponta, sentindo as forças G comprimindo seu corpo enquanto executa manobras arrojadas, se acostuma a algo que uma cadeira confortável numa sala com ar-condicionado a 20 min de carro de sua casa simplesmente não pode replicar.

Jacqueline M. Wheatcroft, psicóloga forense da Universidade de Liverpool resolveu investigar se a diferença de mentalidade e experiência entre gamers e pilotos de verdade tinha algum efeito no resultado final da tarefa de pilotar drones, e o resultado foi um paper bem interessante: Unmanned aerial systems (UAS) operators’ accuracy and confidence of decisions: Professional pilots or video game players? (cuidado, PDF!).

Nessa pesquisa eles usaram quatro grupos de 15 pessoas: um de gamers, um de pilotos privados, um de pilotos comerciais e um de controle. Eles foram instruídos a pilotar um simulador em uma rota, e tiveram que lidar com diversas situações inesperadas.

O resultado foi que a experiência dos pilotos comerciais era útil, mas acabava sendo diminuída por causa do excesso de confiança. Eles também tiveram problemas em situações de risco, por… identificarem como risco.

os gamers mostraram mais confiança nas informações fornecidas pelas máquinas, e sua capacidade de tomada de decisão era constante indiferente do nível de risco. Eles não tinham instinto de sobrevivência em ação, como os pilotos veteranos. De todos os grupos eles foram os que menos apresentaram problemas por excesso de confiança.

Isso está gerando muita ciumeira entre os pilotos, os mesmos que sofrem com stress e depressão quando são colocados pilotando drones, mas dado o custo de milhões de dólares para formar um piloto, a tendência é que no futuro haja menos gente nos cockpits, e sendo realista a única coisa que impede um transporte militar de ser remotamente controlado hoje em dia é o cagaço de alguma coisa dar errado.

Claro, os “gamers” em questão serão jovens adultos, ninguém está falando em pegar crianças e adolescentes e colocar drones armados nas mãos deles. Isso seria cruel e desumano, as ONGs preocupadas com esse tipo de “recrutamento” pode ficar tranquilas.

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Fonte: Cogent.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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