Resenha — DuckTales, o episódio de estreia (sem spoilers)

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DuckTales: Os Caçadores de Aventuras não foi nem de longe a primeira série animada da Disney, mas muita gente a considera a melhor de todas. Foram 100 episódios divididos em quatro temporadas, exibidos originalmente entre 1987 e 1990 que conquistaram toda uma geração. Eram versões animadas de personagens clássicos e novos da família Pato que todo mundo adorava nos gibis, mas que não eram devidamente explorados na TV.

Criar uma série tendo o Tio Patinhas como protagonista foi uma aposta arriscada. A Disney pouco o explorou na tela (podemos mencionar o clássico O Natal do Mickey Mouse onde o pato sovina interpretou o próprio Ebenezer Scrooge, o personagem de Charles Dickens em que ele foi inspirado), mas contou com o grande acervo dos quadrinhos e se inspirou em histórias clássicas criadas por mestres como Carl Barks e Don Rosa, e o resultado foi uma das melhores animações seriadas do estúdio.

Ter se inspirado em Indiana Jones (como a fonte do título entrega) também foi uma excelente jogada e a série não só foi um sucesso como deu origem a várias outras obras, de quadrinhos derivados a um longa-metragem (O Tesouro da Lâmpada Perdida) e games, desde as versões da Capcom para NES (e o remake lançado em 2013) ao spin-off QuackShot para Mega Drive.

Por isso é compreensível que muita gente ficou com medo quando a Disney anunciou um remake de DuckTales, com um visual totalmente novo e um texto atualizado para o século XXI. No entanto o resultado final do episódio de estreia, liberado de forma antecipada comprova que a casa do Mickey sabe fazer animações e todos os envolvidos, dos produtores ao elenco se mantiveram fiéis ao legado ao mesmo tempo que atualizaram a obra. O resultado é um show que agrada os novos e bota um sorriso na cara dos velhacos, como eu.

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♪ Família êh! Família ah! Família… ♫

O tema principal de DuckTales não são as aventuras atrás de tesouros e sim as relações de família entre os personagens. Donald mora num barco com seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho e por conta de eventos contrários à sua vontade, ele se vê obrigado a deixa-los sob os cuidados de alguém que ele não vê há anos: seu tio Patinhas McPato, o pato mais rico do mundo e um velho ranzinza e recluso, que na última década não tem feito nada além de… bem, buscar outras formas de ficar mais rico.

Sua vida de caças ao tesouro ficou para trás e há um motivo para isso, ainda não esclarecido e que aparentemente é o principal motivo dos desentendimentos entre o velho ricaço e seu sobrinho. No entanto os trigêmeos, sendo os moleques impertinentes que são acabam acendendo a velha chama de Patinhas que ansiava por uma agitação em sua vida, ao invés de ficar contando moedas e se arrastar por sua mansão em Patópolis (o velhote nem mais mergulhava no dinheiro).

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São as ações dos sobrinhos, que aliados à sua recém-nova amiga Patrícia que acabam por desencadear uma série de problemas e por fim forçando Patinhas a buscar um novo sentido em sua vida monótona, recuperando sua antiga paixão de cruzar o mundo atrás de tesouros e ruínas inexploradas levando quatro crianças hiperativas a tiracolo. O que poderia dar errado?

No episódio piloto duplo além de Patinhas, Donald e das crianças também somos reapresentados ao atrapalhado capitão Boeing, o piloto que nunca consegue fazer um pouso seguro, a madame Patilda, governanta da mansão do Patinhas e que odeia ser tratada como secretária e o velho desafeto Pão-Duro Mac Mônei, que nos quadrinhos originais não era escocês como seu rival mas um sul-africano descendente dos bôeres; isso foi mudado quando a primeira versão de DuckTales foi ao ar.

Tecnicamente a série mantém o padrão de qualidade da Disney, ainda que o design possa parecer estranho no início ele se mantém fiel às HQs e animações anteriores. A animação digital pode não ser igual à da série original mas tudo o que fez dela especial e querida está presente aqui novamente. As tomadas são dinâmicas e há uma série de tiradas bem Disney-like, mas não a ponto de fazer do programa um desenho exclusivamente para crianças pequenas.

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As vozes são outro show à parte. Além de Tony Anselmo, o dublador oficial do Donald desde 1985 temos gente do quilate de David Tennant, o 10º doutor (que estava fantástico como Kilgrave em Jessica Jones) como Patinhas, Danni “Abed” Pudi como Huguinho e Kate Micucci como Patrícia (dica: você definitivamente deve conferir seu trabalho com Riki Lindhome na dupla folk Garfunkel and Oates, mas não mostre a seus filhos), e cada um dos trigêmeos recebeu uma personalidade diferente pela primeira vez na história: Huguinho é o certinho, Zezinho o imprudente e Luisinho o sarcástico, ou o “gêmeo malvado” como seus irmãos o definem.

No entanto quem mais mudou foi a Patrícia. A versão original era uma menina mimada, grudenta e absolutamente frágil e dependente (a gíria “patricinha” veio dela), mas aqui ela é quase uma mini-Lara Croft: pró-ativa, metida a detetive e ligeiramente mais esperta e atlética do que seus três novos amigos juntos (ela adora distribuir voadoras, por exemplo). Sua avó madame Patilda também foi levemente alterada, deixando de ser tão super-protetora e sentimental e agindo mais como uma governanta linha-dura, que não engole desaforo nem do chefe. Por outro lado o capitão Boeing não mudou nada, continua detonando aviões e outros veículos.

A Disney já adiantou que personagens como os Irmãos Metralha, Professor Pardal, Maga Patalógika e Patralhão/Robopato vão aparecer nos futuros episódios, bem como “o terror que voa na noite” Darkwing Duck também dará o ar da graca.

Conclusão

A nova versão de DuckTales não veio para substituir a original, é uma releitura voltada para um público que não acompanhou as aventuras de Patinhas e seus sobrinhos na telinha nos anos 1980 e 1990. Porém a essência, a magia permanece intocada e embora seja um show voltado para os mais novos, atinge em cheio quem cresceu assistindo as peripécias desses queridos personagens na TV.

Afinal, um mundo sem o pato mais rico do mundo perseguindo tesouros e emoções é um lugar muito chato. Portanto bem-vindo de volta, Tio Patinhas. Sentimos falta de fazer parte de suas aventuras.

Nota:

5/5 moedinhas número um.

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Series Trailer MP — DUCKTALES Opening Credits Intro Theme (2017) Disney Animation Series

Em tempo: o episódio duplo de estreia de DuckTales está disponível na íntegra no YouTube, mas a Disney regulou a mixaria e o bloqueou por região (shame on you!). A estreia oficial nos EUA será no dia 23/09, no canal Disney XD e ainda não há nenhuma previsão para o Brasil.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Maom

    Os traços originais eram tão legais… Pq essa linha meio japonesa de cabeças quadradas agora? Os mangas animes ou sei lá como chamam não fazem sucesso com a molecada por conta do estilo gráfico olhudo característico, fazem sucesso por conta das histórias. Aliás os velho ducktales já faria sucesso hj em dia, só que ao invés de colocar no netflix da vida, pra assistir tem que caçar em torrents.

    • Me incomodei pela mesma coisa (way too square), mas os olhos “falso vintage” e o clima de quadrinhos ficaram legais…

      Mas ainda irei assistir inteiro….

    • Gesonel o Mestre dos Disfarces

      Poxa, achei o lance das cabeças quadrados muito mais parecidas com os cartuns dos anos sessenta que os desenhos japoneses.

      • Maom

        Nos anos 60 eu tinha -26 anos… Então não posso criticar os asiaticos por copiar esse estilos nos seus mangas. Portanto millenialmente critico a Disney! E tb vou aproveitar o embalo e reclamar da chatice do politicamente correto que vai surgir aí…. Já to ate vendo esse Huguinho todo corretinho estragando os os personagens que ao invés de ser Alvin e os esquilos eram 3 patetas impertinentes. E ainda a super menininha melhor que os 3 juntos neta da Madame Patilda que manda até no Patinhas bilionário e chefe dela, tudo para manter a agenda do empoderamento feminino da Disney. Pronto, coloquei pra fora todos meus chiliques. Agora vou chilicar algum outro remake no twitter e já volto.

        • Gesonel o Mestre dos Disfarces

          Uia.

        • Estava lendo hoje minha coletânea de quadrinhos dos anos 80~90. OS trigêmeos são muitas vezes os mais inteligentes das histórias. Não consigo visualizar eles como 3 patetas.

          • Maom

            No sentido de serem iguais, não patetas. Não tem essa de um ser nerd, um ser super esportista e outros o politicão. São os 3 iguais e impertinentes.

    • Pior que em DVD, só americano. Saíram todas as temporadas por lá, aqui só limitou-se ao “filme”.

  • Luiz Cunha

    Suor másculo escorreu do meus olhos agora lendo essa resenha. Sou FANÁTICO pelo original e adorei também a nova versão. Definitivamente acompanharei.

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Prefiro os traços originais…

    • CtbaBr©

      Que “pena” dessas cabeças quadradas!

  • Luiz Rodrigo Martins Barbosa

    Sensacional! Capitão Boeing era muito muito engraçado, espero que no Brasil usem a música tema com o Bozo cantando. 😀

    • Ele vai poder colocar algum versículo da Bíblia na versão dele da música? (Eu sei, Luís Ricardo não é o Bozo pastor…)

  • Emílio B. Pedrollo

    VPN, eu te invoco!

    • Precisa não…

      vimeo “barra” 229516792

      Com legendas PT-BR

      • Grade, Tardigrade

        E ainda tem Tugaflix!

  • Gesonel o Mestre dos Disfarces

    Opa, Darkwing Duck? Se eu já estava querendo ver a série, agora estou obcecado por isso!

  • Rodrigo Primon Savazzi

    Quando criança, nos anos 80, esse era meu desenho animado favorito. Também adorava os quadrinhos de toda a família pato, enquanto achava as histórias do Mickey meio chatas. Décadas depois, quando fui à Disney World pela primeira vez, já macaco velho com quase 30 anos, estranhei bastante a quase completa ausência de quase toda a família Pato, com exceção do Donald, não encontrei nenhum dos outros personagens representados em nenhum lugar. Fiquei um pouco chateado como personagens que eu considerava tão importantes estavam esquecidos.
    Talvez com as novas gerações sendo apresentadas por esta nova geração isso mude…

    • Marcelo Eiras

      A Disney força a barra para o Donald não ultrapassar a popularidade do Mickey.

    • Manoel Jorge Ribeiro Neto

      Eu também preferia os gibis da família pato, pois também achava os quadrinhos do Mickey meio chatos. Até hoje leio os quadrinhos do Donald e do Tio Patinhas, por meio do aplicativo GoRead (antigo iba). E concordo com que o Marcelo disse: se a própria Disney não interferisse, o Donald seria o personagem mais popular.

    • ASil

      É, a Disney sempre ignorou o universo dos quadrinhos, infelizmente… a existência de uma série de TV como DuckTales é quase um milagre.

  • Manoel Jorge Ribeiro Neto

    Que bom que a Disney está fazendo um DuckTales com excelente qualidade. No entanto, esses traços diferentes não me agradam. O DuckTales original tinha traços praticamente iguais aos dos gibis, mas esse remake parece animação feita em Flash. Veremos se isso não prejudica a experiência ao assistir novamente DuckTales.

    • Gesonel o Mestre dos Disfarces

      Eu não ficaria surpreso se ele foi em parte feito no adobe animate (antigo flash).

    • Rodrigo Mokepon

      Ah, é um desenho pra nova geração!

    • ASil

      Engraçado… na época da primeira série eu estranhei muito aqueles personagens arredondados e açucarados que não tinham quase nada a ver com o traço original do Carl Barks. Esse novo DuckTales me pareceu muito mais fiel aos quadrinhos dele e do Don Rosa. Para mim, a única coisa ruim é eles insistirem com personagens “intrusos” como o Capitão Boeing e o Robopato.

      • Willphill

        Não fala mal do Robopato. 🙁

        • ASil

          Ah, não é que eu queira falar mal, mas eu preferiria que eles dessem prioridade para personagens dos quadrinhos que ficaram de fora. Mas tudo bem, quem sabe o Robopato não fique mais legal na nova série?

      • Capitão Boing sempre esteve muito presente nos HQs. Não tem como tirar ele. Queria ver o Patacôncio, mas infelizmente ele só fez sucesso por aqui e na Itália.

        • Manoel Jorge Ribeiro Neto

          Pois é, eu curto muito os quadrinhos da Disney feitos na Itália. Os traços feitos pelos autores italianos são bem peculiares e com histórias muito bem elaboradas. Até personagens novos eles inventaram. O Superpato, por exemplo, foi criado pelos italianos.

  • Gogoni, pela sua descrição parece uma animação deveras interessante.

    Agora a novidade foi a origem do termo “Patricinha”, essa eu não sabia!

    • Na verdade, os termos “Patricinha”, “Mauricinho” e “Ricardão” são invenções do Fausto Silva no Domingão do Faustão. Tirando isso, excelente artigo!

      • O maU elementaU

        no perdidos na noite…

      • Ednei Monteiro

        A gíria “mauricinho” foi uma “homenagem” do membro do Casseta e Planeta Bussunda, ao seu amigo de faculdade Maurício Lima, que sempre se vestia muito arrumado e engomado. Já “patricinha” foi sugerida como sua versão feminina pelo jornalista Sidney Garambone em 1992. Ele pediu que um colega incluísse o termo em uma matéria, como teste, e a gíria pegou.

  • Zeb Uceta

    Que saudade desse desenho e das revistinhas do Tio Patinhas. Me arrisco a dizer que aprendi mais geografia e história com elas do que com os professores, que pareciam (e estavam, mesmo) mais preocupados com doutrinação política do que com o conteúdo.

  • Marcelo Barboza

    Eu assisti e, sinceramente, foi o primeiro e último episódio que assisti desta nova versão. Sem muito o que falar achei horrivel!

    • O maU elementaU

      Por causa do traço ou por causa da historia?
      É dificil uma criança dos anos 80 falar “splaicevigion” ao inves de “splicevision”…

  • Felipe Braz

    Darkwing Duck… me lembro de uma versão pirata na epoca do nes vendida como “Megaman 5”. Em que substituiram os sprites do protagonista por um megaman amarelo. Só esqueceram de mudar o balão no começo de cada fase que ainda dizia “I am Darkwing Duck”

  • A rapaziada da Golden Wolf moeu nessa abertura!

  • Yskar

    Nossa, que traço medonho! Corte de custos?

  • Nilton Pedrett Neto

    Acabei de ver o primeiro episódio da série original com meu filho de 5 anos… Ele ficou vidrado!

  • Marombert Einstein

    Tinha um Mega Drive Americano (Sega Genesis) e nunca zerei QUACKSHOT, tenho que por/riscar isso da minha lista…

  • Marcelo Eiras

    Parece que chamaram o estagiário para fazer os traços. Muito inferior ao original, parece que foi feito em Flash.

  • Heraldo Hermes

    Acabei de ver. Simplesmente sensacional. É tudo que está descrito no texto e mais alguma coisa. Só não gostei mais pois fui mal acostumado com a dublagem brasileira do original. É uma releitura que conserva o antigo espírito de uma boa sessão da tarde. Recomendo que desarmem as idéias pré-concebidas e relevem o saudosismo pra curtir uma obra que é boa por méritos próprios.

  • O maU elementaU

    Minha opiniao humilde:
    QUE
    TRAÇO
    ESCROTO.
    Cada qual tem sua opiniao. Essa é a minha. Parecem melancias quadradas japonesas.

  • ainda não há nenhuma previsão para o Brasil.

    Espero que não demore muito para chegar nos canais Disney daqui, também

  • Narciso

    Só poso desejar que logo seja inventado algo melhor e mais barato que esse estilo flash de animação.

    • Arthur Borel

      Mas a animação do reboot não é em flash ‘-‘
      Só procurar no tumblr dos produtores que eles postam gifs lá de storyboard e de processos de animação e são tudos os frames desenhados

  • ochateador

    ALguém aí sabe se ainda é possível comprar DVD do ducktales de 1987 ?

    • Humberto Jorge

      Mercado Livre. Ou baixa e converte. The choice is yours.

      • ochateador

        Eu vi no bj a versão dublada, mas faltam 11 episódios 🙁

    • Diego Berlezi Ramos

      Também tentei comprar, mas nunca consegui. A distribuidora não se interessa. O mesmo para darkwing duck, esquadrilha parafuso, etc. Qyeria muito para mim e para os meus filhos.

      • ochateador

        Quem é a distribuidora ?

  • Jonatas Afonso

    Adorei o episódio.
    Os patos quadrados não me incomodaram 🙂

  • Fernando Silva

    Só nao gostei da caixa forte ser num ‘porto’ (nao faz sentido nenhum e nao era assim no original), mas o resto até que é engolível.

    EDIT: acabei de assistir o episódio piloto e cara… fazia tempo que eu nao ria assim. Nao tem o charme do antigo, mas as piadas estão no ponto e até deu um arrepiozinho nostálgico quando o tio Patinhas mergulhou na caixa forte. Aprovado!

  • Thiago Bachi Rehbein

    https://www.youtube.com/watch?v=dvfcpzvWtfE

    Momento nostalgia…

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