John Romero explica porque o protagonista do Quake era tão lento

quake

Apesar de eu nunca ter sentido muita vontade de aprender a desenvolver jogos, sempre gostei de saber as histórias por trás deles e quem tem revelado muitos detalhes dos bastidores da sua carreira é John “The Doomguy” Romero. Na última postagem o lendário game designer explicou porque no Quake nossos movimentos eram mais lentos do que no Doom, algo que sempre incomodou algumas pessoas. O que talvez elas não soubessem era que existia um bom motivo para ser assim.

Talvez muitos nem lembrem disso, mas o Quake foi um dos primeiros jogos a usar gráficos 3D renderizados em tempo real e de acordo com Romero, como os estágios precisavam ter no máximo 1,4 MB; eles se viram obrigados a criá-los menores do que aqueles vistos no seu antecessor. A solução para não deixar uma má impressão nos jogadores? Reduzir a velocidade do personagem.

John Carmack decidiu que poderíamos tirar mais jogabilidade dos estágios se diminuíssemos a velocidade de corrida do jogador,” explicou Romero. “No Doom o jogador vai a velocidades loucas e isso era incrível. No Doom podíamos criar mapas enormes e a velocidade do jogador não era um problema. Já com os mapas do Quake, os corredores, salas e áreas externas eram menores por causa do tamanho dos arquivos. Então diminuir a velocidade do jogador significava mais tempo para terminar uma fase e mais para terminar o jogo como um todo.

Uma saída ao mesmo tempo simples e genial, mas que fez com que os envolvidos na produção pudessem contornar uma limitação técnica e que na minha opinião, em nada prejudicou o produto final. Na verdade, ver aqueles gráficos em 1996 era algo de cair o queixo e embora eu nunca tenha sido tão fã do Quake quanto fui do Doom (acho que por não ter um PC na época) não há como ignorar a façanha alcançada pela id Software ao lançar aquele FPS.

O caso também nos faz pensar no quão criativos precisavam ser os desenvolvedores há duas, três décadas, quando não tínhamos tanta tecnologia quanto hoje e quando muitos ainda estavam aprendendo a duras penas como criar um jogo eletrônico. O interessante é que isso vai desde a jogabilidade até a parte visual, passando ainda pelas trilhas sonoras que, na minha opinião, eram muito mais marcantes do que hoje.


Ahoy — RetroAhoy: Quake

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Autor: Dori Prata

Pai em tempo integral do pequeno Nicolas, enquanto se divide escrevendo para o Meio Bit Games, Techtudo e Vida de Gamer, tenta encontrar um tempinho para aproveitar algumas das suas paixões, os filmes, os quadrinhos, o futebol e os videogames. Acredita que um dia conseguirá jogar todos os games da sua coleção.

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  • Tiago Leão

    Vejo esse tipo de artifício até hoje: deixar o personagem lento pro jogo render mais.

    • tuneman

      Assassins Creed, estou de olho em você…
      claro que não precisa ser rápido como um hack’n slash, mas eu sempre achei o combate uma porcaria.

  • cesar m

    Joguei muito Doom e depois Quake, coisa linda, quem não jogou não viveu.

    • Zalla

      tb…e ainda tinha o modo doom alien…joguei muito tb

  • Nícolas Wildner

    Dori, a verdade secreta é que o Quake foi projetado dessa forma para no futuro (em que almejávamos a cura do câncer mas na verdade fazemos pastilhas para cagar purpurinado), rodar em torradeiras, batedeiras e no osciloscópio:

    /watch?v=aMli33ornEU – No youtube…

    • E. Bicalho

      Permita-me ajuda-lo…
      https://www.youtube.com/watch?v=aMli33ornEU

    • E. Bicalho

      Na próxima coloque o link do vídeo entre e

      • Nícolas Wildner

        Não visito de verdade o MeioBIt desde a época em que o termo “salsinha” havia sido estampado(2009/2010) e criaturas lendárias como o “Denis MVP Microsoft” habitavam este lugar. Então, desconhecia que comentários com LINK passavam por revisão aqui… Valeu pela dica

      • valeu a dica.

    • Na verdade ele está rodando em um computador. O osciloscópio tem a função de monitor. É basicamente uma TV.

      • Nícolas Wildner

        Sim, roda num PC.
        Mas mesmo sendo uma TV, tal equipamento tem uma quantidade limitada de LINHAS para montar o desenho, motivo pelo qual fiz a ligação de piada entre isto e a movimentação lenta do Quake.

        No original do HackADay tem mais detalhes 😉

  • Gustavo Luizon

    Lento ? Se fosse hoje eu perguntava se fez em Java.

    • Pedro

      hahaha, lento em TODAS as plataformas

  • советский медведь

    Hoje o pessoal lança o jogo de qualquer jeito e depois atualiza… Mas o povo não aprende e continua comprando coisa na pré venda…

    • major505

      PRé venda só valia nas épocas em que ofereciam jogo em cartucho e estoques eram limitados. Em tempos de distribuição digital é tiro no pé;

      • B4klaudio

        Bem … tem as promoções de pré- venda, o periodo de beta aberto. Foram os únicos motivos que me fizeram comprar um jogo na venda.

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Dori, já viu este jogo Foxhole? Parece ser bem interessante

    http://store.steampowered.com/app/505460/Foxhole/

  • Jorge Dondeo

    Realmente as trilhas eram melhores.

  • major505

    Pessoalmente até prefiro o ritimo mais lento, já que as vezes Doom me deixava até meio zonzo de tanta coisa passando na tela tão rápido.

  • Dou uma e se for bom dou mais

    Gambiarras sempre existirão, como o caso da “armadura” de fallout 3. Como a engine usada não permitia objetos se moverem levando o player, ao entrar no trem perto do fim do jogo na DLC broken steel, a engine vestia uma armadura em você tendo um trem como uma das partes da armadura. Assim o que você via como estar no trem e ele andando na verdade era a armação da armadura, vista em terceira pessoa com um script para o player sair correndo feito louco numa trilha programada. (ou coisa assim auheuahuea). (edit: parece que foram descobrir isso em 2015).

  • Deni Carson de Souza

    Conheci o jogo apenas lá por 2000, não tinha acesso a nada de informatica até essa época. Sei que a matéria trata do Quake, mas foi o Quake 2 que mais joguei, lembro de colocar o computador inteiro dentro do Voyage 84 do tio e junto com um primo e irmos à casa de um amigo para jogar em rede e “compartilhar” videoclipes, mp3….
    Eram excelentes tardes de domingo. A mãe do colega servindo bolo, galera “rachando” a Coca-Cola, jogando Quake 2, Need For Speed (Acho que era o 2 e o 5), KKND Xtreme o hub encore de 8 portas comprado em uma viagem a São Paulo na Santa Efigênia, chegava a travar (o que não é anormal), videos e mp3 do Rage Against de Machine, Limp Bizkit, Linkin Park, Iron Maiden, Metallica, RHCP, e tantos outros.
    O mIRC rolando, Winamp, nossa, bateu uma nostalgia agora de deixar o camarada em depressão com os rumos que tudo está indo…
    Pra completar, depois de alguns anos, encontrei a Revista Full Games com o Quake 2, e me senti na obrigação moral de adquiri-lá, não sei se os criadores receberam 1 centavo sequer do que eu paguei, mas minha consciência está tranquila.

    • Jean

      Quake 2 e kknd…tenho que ir na locadora baixar.

    • Lucas

      Nossa, tive que logar pra dar like no seu comentário. Você resumiu minha infância, cara. Parece que toda aquela limitação de recursos que tínhamos fazia a experiência mais satisfatória, seja de tirar um dia para jogar um game na casa do amigo (ou primo, etc) ou até baixar aquele MP3 que demorava 40 minutos. Certamente dávamos mais valor ao que a gente conseguia naquela escassez de conteúdo. Hoje está tudo tão acessível e “esborrante” que certamente não se tem a mesma euforia de outros tempos nos dias de hoje.

      Tempos sensacionais que não teremos mais.

    • Diogo Faria

      Loguei p dar like tb. ^^ Bons tempos!

    • Márcio Chaves

      Primeira vez que ouço alguém falar de KKND Xtreme. Jogo muito underrated infelizmente.

    • George Schildth

      Também entrei só para dar o meu like. Comprei esta Full Games que você falou, nesta época instalei um servidor de Quake 2 para a nossa turma jogar, com tudo configurado, gancho inclusive (para quem lembra), e quase 5000 mil arenas para escolher, bons tempos…

    • Nícolas Wildner

      Warcraft 2 é o único que adicionaria a essa sua sessão nostálgica 🙂 Sempre tinha aquele amigo que o som não funcionava(na versão traduzida e distribuida pela Brasoft) e eu dizia:

      – Executa o SETUP.EXE e seleciona a placa de som.
      – Clica em autodetectar ou seleciona Sound Blaster 16
      – Clica em testar
      – “SUA PLACA DE SOM ESTA FUNCIONANDO PERFEITAMENTE”

      “Raquer” de W2. Sinto até o cheiro da minha antiga CPU lembrando disto.

      • Deni Carson de Souza

        Realmente jogamos algumas vezes o Warcraft 2, porém esse jogo não era a nossa febre na época, talvez por isso eu não tenha lembrado dele quando fiz o primeiro comentário. Jogo bom, não me lembro como ele rodava no meu Athlon K7 1100mhz, com 256Mb dimm, na minha PCCHIPS m810, softmodem hsp56 amr e o incrível modem US Robotics 56k PCI, fechando a lista um HD de 40Gb, e gravador de cd 32 10 40

        • Nícolas Wildner

          Eu rodava o W2 num pentium 166MMX + 16MB Ram + HD Quantum Fireball 1080AT de 1GB… e ainda sobrava poder de processamento pra dar Alt+TAB sem travar o Win95.

          Hoje jogo essa beleza de jogo no Raspberry PI3, mapeando o stick esquerdo do controle de PS3 para o Mouse. É a mesma coisa? Não. Mas dá pra matar a saudade

          • Deni Carson de Souza

            Não testei e posso estar enganado, mas acredito que rode bem numa VM dentro do VirtualBox.
            A poucas semanas, estava jogando o SimCyti 3000 em pleno WIN 10….

    • Samuel

      Época boa, com jogos bons, onde a jogatina online estava no estágio ideal: unindo o virtual com os encontros das galeras. Não tinha glamour, não tinha teclado com luzinha, mas era um lugar de muita gritaria e amizade

  • Eduardo Alvim

    Joguei muito Quake, no meu Pentium 75 overclockado para 100Mhz. Tive até um Quake Clan. Alguém mais? O meu era Profanos Quake Clan. Eram noites movidas a Quake, The Palace e ICQ.

  • Rafael Rodrigues

    O Quake INTEIRO tinha 50Mb. Que saudade do tempo que programador era um especialista em alguma linguagem, diferente de hoje em que 90% resolve qualquer problema com rotinas porcas, MAS, POG e quando fica lento, “mais hardware”…

  • Helvio_Mota

    Acho que o Quake foi a minha primeira experiência com jogos em rede. Depois o Quake2 e seu MOD Action Quake nos faziam passar manhãs inteiras de sábado no laboratório (vazio) da universidade. Bons tempos…

  • Jalper

    E eu, inocente, achando que ele deixou mais lento porque muita gente reclamava de enjôo ao jogar Doom (e Wolfenstein 3D) naquelas velocidades insanas…

  • Julio Cesar Goldner Vendramini

    Eu zerei o Quake no nivel hard.. Pensa num trem difícil. E pior que havia um nível mais difícil ainda… e para selecionar tinha que achar um local escondido no mapa.

    • H2SO4

      Modo Nightmare.
      Porta da direita, pula na água, volta para trás, deixa cair. Cai em cima de uma plataforma que leva ao portal Nightmare.

  • SomeReader

    Não tem nada a ver com a matéria mas…

    Eu acho atualmente os jogos de tiro primeira pessoa muito rápidos. Os soldados correndo a velocidades sobrehumanas o tempo todo, é tudo muito exagerado. Gostava dos tempos antigos, que o ritmo do jogo era menos frenético. Por isto gostei do Spiner 3.

    [e daí?]

  • “tenha sido tão fã do Quake quanto fui do Doom (acho que por ter um PC na época)”

    Tem que ver isso aí! Ficou meio sem sentido, apesar de dar (ui) pra entender

    • Faltou um não ali, não ter um PC na época. Só jogava em consoles.

  • Inquisidor

    eu compreendo que os jogos de hoje são muito complexos para se futricar tanto no codigo, mas imagina como seriam os jogos hoje se eles fosse otimizados como esses antigos,acho que teriamos graficos e fisica bem mais evoluida.

    • Tem jogos que ainda são super otimizados para rodar em diversas configurações.
      Tomb Raider 2012, Portal 2 e Shadow of Mordor são exemplos disso.
      Porém, física depende de processador e gráficos dependem de memória de vídeo e capacidade de processamento.
      Poderiam com certeza fazer melhor, mas o custo de otimização para jogos imensos é caro. Por isso que Bethesda vive lançando jogos bugados. Quanto maior a complexidade, mais caro e demorado é otimizar.

  • Eu gastei muito disquete com Doom, Quake, Rise of the Triad, Wolfenstein 3d e uma caraleada de mod e versões que prometiam panacéias universais para esses jogos e acabavam rendendo uma formatação da máquina, hahahaha

    Foi muito divertido, mas meu computador na época SOFRIA pra rodar Quake. Quake 2 então, nem deixava iniciar… 🙁

  • SacoCheio

    Genial, e parece com o problema de esperar pelas bagagens ao descer do avião.
    Sempre foi uma das maiores queixas dos passageiros, o que as companhias fizeram pra solucionar? Descarregar as bagagens mais rápido? Nada disso…
    Colocaram as esteiras mais longe, para as pessoas andarem mais e esperarem menos diante das esteiras.

    TRUE STORY, podem googlar

  • Samuel

    A produção dos documentário do Ahoy é impressionante!

  • Tide “pepe” Hunter

    Tem uma desenvolvedora aí que gosta de deixar o personagem ‘sem física’ pra render mais.

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