Projeto de Railgun da Marinha dos EUA continua avançando

railgun-transformers

Um dos inconvenientes dos canhões navais é que para ser eficiente e ter bastante munição, seu navio precisava ser um enorme depósito de pólvora ambulante. Os paióis costumavam ser blindados, mas nem sempre adiantava. Em 24 de maio de 1941 não adiantou. Durante a batalha do Estreito da Dinamarca a nau capitânia da marinha inglesa, o cruzador HMS Hood enfrentou uma esquadra alemã liderada pelo Bismark.

Disparando de 18 km de distância os alemães acertaram em cheio com seus canhões de 380 mm. O projétil de quase uma tonelada destroçou a torre de observação do Hood, e penetrou em cheio um dos depósitos de munição. A explosão foi imensa. Em 3 minutos o Hood havia afundado junto com 1.418 almas. Somente três marinheiros sobreviveram.

As railguns pretendem eliminar esse tipo de situação, pois não utilizam explosivos nem nos projéteis. Eles são acelerados por campos eletromagnéticos e a energia destrutiva no impacto é puramente energia cinética, um sub-produto de viajar 4× mais rápido que um projétil normal.

A Marinha dos EUA vem desenvolvendo railguns faz tempo, e a última novidade é o tiro em cadência. Os engenheiros finalmente conseguiram que os bancos de super-capacitores sejam recarregados rapidamente, e demonstraram isso neste vídeo:


usnavyresearch — Navy Railgun Successfully Fires Multi-Shot Salvos

O grande inconveniente das railguns, ocuparem muito espaço e exigirem quantidades obscenas de eletricidade, são coisas que navios tiram de letra. A única parte triste é que no futuro não teremos mais encouraçados cuspindo o fogo do inferno em cima do inimigo:

wnus_16-50_mk7_iowa_pic

USS Iowa (BB-61)

Bônus: vídeo-resumo da área de testes de armas da Marinha em China Lake, Califórnia. Note que a maioria dos testes é feito sem ogiva. Explosivos eles já sabem que funcionam, importante é determinar precisão. Destaque para o minuto 1:30 quando é testada uma bomba de penetração (epa!).


AsianDefence — US Navy – NAWCWD Land Range

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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  • Amo esses videos de coisas fazendo kabum

    • Alvaro Carneiro

      ô primo tudo bem aí na cidade? aqui na roça tá bom.

  • Hemeterio

    Fascinante. Taí um projeto que se encaixaria perfeitamente em naves espaciais tb. Tem o problema do recuo, que gera empuxo pra tras – no espaço isso seria um problema. Mas bem melhor que misseis. Obviamente, o melhor seriam lasers. Mas aguardemos.

    • Alvaro Carneiro

      O recuo é problema em qualquer lugar, seja na terra ou no espaço.

      • Raposão do Ártico 🦊

        O problema do recuo no espaço é muito pior que na Terra.

        • Zaaboo

          Faz-se como o Bismarck fazia. Atire com um dos canhões para o outro lado.

      • Dou uma e se for bom dou mais

        A menos que você seja parte da equipe do hovertank o recuo não é o maior de seus problemas na terra.

    • Zaaboo

      Inércia de massa ou jatos direcionados resolveriam. Ou da pra usar um canhão atirando para o outro lado.

      • Cocainum

        No espaço, o “tiro para o outro lado” pode ir longe, beeeem longe. Melhor usar foguetes para contrabalançar o recuo.

    • É só fazer naves grandes.

    • Vinicius Zucareli

      Sir Isaac Newton is the deadliest son of a bitch in space
      https://youtu.be/Mpoq27ykAKw

    • Cristhian Suematsu

      O recuo seria só um dos problemas pra se fazer “pew pew” no espaço, como num daqueles meus animes japoneses.

      A ausência de uma atmosfera no espaço cria sérias dificuldades relacionadas a dissipação térmica – no espaço barebones, ficamos limitados a dissipação térmica por irradiação. Isso é um dos motivos porque hoje temos que escolher a dedo os componentes que enfiamos nas sondas espaciais: por exemplo, manter um processador com TDP do nível de um AMD Athlon resfriado a níveis operacionais no vácuo daria um trabalho dos infernos – e um dos motivos porque é preferível enfiar algo mais humilde como a CPU de um PSX num satélite modernoso. Da mesma forma, se hoje sob uma atmosfera já é trabalhoso manter o railgun resfriado para permanecer operacional, imagina só no vácuo do espaço.

      • Dou uma e se for bom dou mais

        Uma nave dessas não seria do tamanho de um ônibus espacial, sendo assim teria que ter espaço para enfiar uma merda dessas, espaço para enfiar um gerador termonuclear para recarregar os capacitores, espaço para o sistema de refrigeração do gerador termonuclear e assim vai.
        Portanto pode ter certeza que refrigeração não vai ser o problema.

  • Deni Carson de Souza

    É nessas horas que me dá um desânimo. Como eu gostaria de estar trabalhando com esses caras, projetando a única democracia que funciona…
    Isso porque o que foi demonstrado nos vídeos, é apenas os combates “simples”, pois o chumbo grosso de verdade não é mostrado assim em alta definição.

  • Zaaboo

    Eu vi alguns vídeos da marinha, e notadamente esse canhão recarrega bem mais rápido do que o já utilizados.

  • cloverfield

    “Um dos inconvenientes dos canhões navais é que para ser eficiente e ter
    bastante munição, seu navio precisava ser um enorme depósito de pólvora
    ambulante. Os paióis costumavam ser blindados, mas nem sempre adiantava.”

    Foi bem o Caso do USS Arizona.

    • Henrik Chaves

      E do Marat.

      E de outros….

  • tiago

    Imagina um EVA armado com um desse ai, se os japoneses tivessem previsto que existiram supercapacitores o anime seria mais dinâmico rsrsrs

    • bruno torrente

      Que eu saiba aquela arma usada em um dos primeiros anjos ( se não me engano ramiel ) pressupõe uso de supercapacitores mas a energia envolvida seria tão grande que eram do tamanho de contêineres ( diversos foram usados, transportados de caminhão ) e as linhas de transmissão precisavam ser redimensionadas ( mesmo assim gerando gargalo ).

  • Henrik Chaves

    Essa foto do Iowa é maravilhosa! Durante muito tempo foi meu wallpaper do desktop (no fim dos anos 90). Infelizmente nunca encontrei em alta resolução.

  • Pedro

    “são acelerados por campos eletromagnéticos” Um pouco aleatório, mas no Metal Gear Solid essa não foi a estratégia do Liquid para que pudesse usar armamento nuclear sem ter que ser classificado como míssil? (Ou algo assim)

  • George Schildth

    Essa foto do Iowa distribuindo democracia é realmente sensacional.

    • Vinícius

      Aquela onda de liberdade ao redor do disparo também impressiona.

  • Flávio Simões

    Sabe o que eu tenho muita curiosidade? O cheiro que fica para trás. Seria só o aroma dos gases atmosféricos? Cheiro de metal?

    • Maximus_Gambiarra

      “O cheiro que fica para trás” pareceu outra coisa. Hehe!

      • Flávio Simões

        Eita pohha kkk

      • kleber peters

        “Tragam minha calça marrom!!!”

    • Maximus_Gambiarra

      Mas falando sério: se aquela fumaceira toda é só do atrito entre o material do projétil e o ar, a composição química deve ser parecida com a fumacinha ao redor das fagulhas de um esmeril ou uma oxicorte.

      • Flávio Simões

        Faz muito sentido. Até olhei várias vezes para ver se parecia vapor d’água, mas não parecia.

        • Dou uma e se for bom dou mais

          Parecia sim, só que não vapor de água do tipo que sai da chaleira e sim do tipo por compressão. Veja atomizadores por exemplo, formam uma nuvem idêntica.

  • Reinaldo Matos

    A captação da onde de choque no minuto 2:09 do segundo video é linda

  • Carlos Wagner

    Quando sai esse novo Call Of Duty?

  • Vagner Da Silva

    Acho que as próximas armas saídas de ficção científica serão os satélites lançadores de estacas…sobre aquele vizinho fantástico da Coréia do Sul.

  • José Carvalho

    Interessante ver que o AIM-7 ainda vive como Shrike…

    • kleber peters

      Bom, o Shrike não é mais usado. Agora é o AGM-88 HARM. E o Sparrow ainda vive nos navios, como RIM-7 SeaSparrow, e sua evolução RIM-162 ESSM, e em algumas aeronaves que ainda o usam, apesar de na linha de frente ter sido substituído pelo AIM-120 AMMRAAM.

  • Bob

    Vendo isso imagino o que pode acontecer se o Pastel de Flango mandar um míssil perto, eu disse PERTO, dos EUA.

  • Samuel

    Arma a laser, railgun a la Quake 2… vai ficar cada vez mais difícil dizer ao Trump que ele não pode ser malvado

  • Goodtimes

    Sempre que vejo esses vídeos de demonstração com música de efeito, várias câmeras e drones filmando só consigo pensar que a única mensagem que se quer passar é: olha só o tamanho da trosoba que eu tenho pra enfiar no seu c* se você se meter a besta com meu país! Fica o aviso.

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