Índia entra em modo Full Aldo Rebelo e diz que não permitirá carros autônomos

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O economista Edmar Bacha criou o termo Belíndia para definir o Brasil. Seria um país que teria a capacidade econômica da Bélgica, com impostos e Leis de Primeiro Mundo, mas com uma realidade social da Índia. O tempo fez a comparação perder o sentido, visto que a Índia se tornou uma potência econômica e tecnológica, mas uma vez turma do fundão sempre turma do fundão.

A Índia ainda é Terceiro Mundo, e tem muito em comum com a gente. Como por exemplo, Aldo Rebelo, o político comunista que já foi nosso digníssimo ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Entre outras pérolas, como criar uma Lei proibindo uso de estrangeirismos (computador deveria ser “ordenador”), em 1994 o excelentíssimo deputado e futuro ministro da INOVAÇÃO apresentou um Projeto de Lei que levou 11 anos para ser derrubado, onde tentava proibir… INOVAÇÃO TECNOLÓGICA.

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O argumento é o mesmo de John Ludd quando tentava sabotar os teares mecânicos no princípio da Revolução Industrial: inovação vai acabar com empregos, blá blá blá. Aldo Rebelo não deveria sequer ter usado um computador para escrever o tal Projeto, afinal estaria tirando emprego de datilógrafos. Se nosso Programa Espacial não tivesse prioridade, ele provavelmente teria solicitado o profissional.

Agora a Índia vai pelo mesmo caminho.

Enquanto o mundo todo se prepara para a inevitável chegada dos carros autônomos (e a UERJ para a ainda evitada chegada dos elevadores sem ascensorista) o ministro dos Transportes daquele país foi taxativo:

Não vamos permitir carros autônomos na Índia, eu estou sendo bem claro quanto a isso. Não vamos permitir qualquer tecnologia que tire empregos. Em um país onde há desemprego, você não pode permitir uma tecnologia que tire emprego das pessoas”.

Eu entendo que o ministro Nitin Gadkari está bem intencionado, mas é o tipo de pensamento que não tira ninguém das cavernas. Cavalos demandam muito mais mão de obra do que carros, e se você usar tração humana, emprega mais gente ainda, embora eu tenha minhas dúvidas se o plano de carreiras daquela roda do Conan era atraente.

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O benefício do carro autônomo não é só a ausência do motorista, é a disponibilidade. Um caminhão autônomo não tem que parar pra descansar, comer, matar prostitutas, dormir, comprar drogas, ver jogo de futebol. Um táxi autônomo não está dirigindo às 05:00 cheio de anfetamina nas idéias correndo risco de bater.

Sua avó que não dirige e não tem dinheiro para pagar motorista ganha autonomia como nunca sonhou. Você saiu para beber, exagerou na xiboquinha, não precisa mais arriscar a vida sua e dos outros tentando dirigir. Se jogue no banco de trás, mande o carro passar pela rua da ex praquela stalkeada básica, e depois ir pra casa, onde você acordará no dia seguinte vivo. Dormiu na garagem, mas vivo.

O benefício social do carro autônomo é imenso, mesmo que ele não gerasse um único emprego. O que não é o caso. Toda uma indústria de componentes e técnicos treinados é necessária. Mais produtividade significará mais postos de trabalho em ambas as pontas do trajeto.

Claro, um simples ministro dos Transportes pelo visto é incapaz de enxergar as coisas a longo prazo. Aldo Rebelo está em boa companhia.

Fonte: Engadget.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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