Disney vai escanear o seu rosto para descobrir se você gosta de seus filmes

inside-out

Ninguém duvida que a Disney produz magia, e para isso ela conta com um esquadrão de poderosos magos e feiticeiras acolhidos sob uma mesma guilda, conhecida como Disney Research. O time de cientistas da casa do Mickey já apresentou inúmeros resultados de novas tecnologias desconcertantes, seja em CGI com geloágua ou ressuscitação de atores falecidos, robótica, animatrônicos, drones, edição de vídeo e áudio e vários outros, em diversas áreas.

Muitas das pesquisas da divisão científica da Disney são abertas, mas é importante dizer que todas elas servem principalmente ao propósito de disponibilizar novas tecnologias e soluções para uso interno, sejam em seus filmes, programas, softwares ou parques temáticos. A novidade é o uso de redes neurais para identificar se o público está curtindo os filmes de seus estúdios, através de reconhecimento facial.

O estudo da Disney Research, realizado em parceria com a CalTech se baseia em treinar redes neurais de modo que elas sejam capazes de escanear o rosto de várias pessoas em um determinado local e através de suas expressões, identificar o que elas estão sentindo e principalmente se apreciam o filme exibido. Os pesquisadores utilizaram câmeras infravermelhas em 150 exibições de nove produções da Walt Disney Pictures, Pixar, Marvel Studios e Lucasfilm (Mogli: O Menino Lobo, Zootopia, Ponte dos Espiões, Horas Decisivas, Operação Big Hero, O Bom Dinossauro, Divertida Mente, Homem-Formiga e Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força) e segundo Zhiwei Deng, doutorando da Simon Fraser University que participou do experimento os algoritmos foram capazes de aprender a identificar sorrisos por conta própria, e relaciona-los com as cenas mais divertidas dos filmes.

paper

Os resultados não só se apresentaram mais apurados do que pesquisas de opinião e outros métodos tradicionais para avaliar a recepção do público a um filme, mas a quantidade de dados gerada pelo estudo é massiva: foram mais de 16 milhões de expressões capturadas de 3.179 indivíduos, algo impossível de ser catalogado e analisado sem assistência de um sistema especialista. O que é melhor, o projeto da Disney e CalTech não necessita de maiores intervenções. E o experimento não coletou dados pessoais de ninguém, apenas as expressões.

O modelo da rede neural pode não só ser utilizado para direcionar os caminhos que a Disney ou outras produtoras podem tomar para produzir filmes que causem maior impacto no público, como ele é suficientemente flexível para ser aplicado em outros usos. O VP da Disney Research Markus Gross aponta que o algoritmo pode ser implementado em estudos de observação, analisando como o vento afeta uma ou mais árvores e modelando o replantio ideal de uma floresta inteira, ou (e isso é especulação minha) como combater incêndios de forma mais eficiente.

Embora possa ser possível no futuro vermos (ou não) uma câmera coletando as reações do público para permitir que a Disney possa continuar fazendo mais e melhores filmes, as capacidades em deep learning e aprendizado de máquina levantadas pelo estudo permitem seu uso para reconhecimento de padrões em diversos cenários e isso é muito útil em várias situações.

Fonte: Phys.org e aqui está o artigo (cuidado, PDF).

Relacionados: , , , , , ,

Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

Compartilhar
  • Adalio Siqueira

    Interessante. Mas penso que isso vai mais ajudar a ter a certeza que o filme foi bom ou não, mas não ajuda tanto a poder fazer melhores filmes, pois pega os dados e ai? isso foi engraçado, vou por em outro filme? uma coisa boa uma vez não vai repetir sempre continuando sendo boa/engraçada…

    • Doomed

      Já ouviu falar da jornada do herói? Dá certo desde que os macacos resolveram tentar andar sobre duas patas.

  • Caipiroto, o Capeta Caipira 😈

    Legal vai ser quando as teletelas conseguirem dizer se você é um subversivo ou não só de você assistir à propaganda…

  • EmuManíaco

    • Felipe Braz

      ¨¨¨

  • Salles Magalhaes

    Espero que nao seja utilizado para o mau (marqueteiros usando isso para avaliar propagandas politicas)

    • Mirai Densetsu

      Com certeza será. É questão de tempo.

      E, certamente, há outros usos na publicidade que nós nem sonhamos ainda.

  • OverlordBR

    Não é magia, é tecnologia!

  • Às vezes, os detalhes dessa “magia” da Disney nem tem a ver com tecnologia, mas são igualmente prodígios da organização.
    Por exemplo, a diferença que senti ao perambular pelos parques de Orlando. Na Universal, eu e minha esposa éramos turistas normais, às vezes nos perdendo no parque, tendo que procurar uma placa de orientação. Rachaduras no cimento aqui, um pouco de tinta descascado ali…
    Já no Disney World, devia ter algum software de reconhecimento de dúvida facial nos escaneando porque era só a gente parar num ponto com cara de “pra onde vou agora” e lá estava um atendente perguntando se podia nos ajudar. Limpeza impecável, tinta que parecia que tinha sido pintado ontem (e tinha mesmo, eles PINTAM as áreas mais utilizadas toda noite).
    Enfim, na Universal, a gente se sente de volta a adolescência. A Disney faz algo maior, ela cuida de você de um jeito que te retorna a infância. Você não precisa se preocupar com nada além de se divertir. É impressionante.

  • kenji

    Bom, a Disney tem mais que vender, filmes são produtos.

  • Nícolas Wildner

    Aguardo o dispositivo que deixa a cara borrada no melhor estilo WatchDogs, e ver até onde esta treta tecnológica chegará…

  • Dandalo Gabrielli

    Tem um vídeo dessa semana, do The Verge em seu canal do YouTube que mostra algo semelhante sendo desenvolvido pela Dolby.

Aproveite nossos cupons de desconto:

Cupom de desconto Locaweb, Cupom de desconto HP, Cupom de desconto Descomplica, Cupom de desconto Nuuvem, Cupom de desconto CVC, Cupom de desconto Asus, Cupom de desconto World Tennis