Mais de 22 mil apressadinhos concordam em limpar banheiros para usar Wi-Fi livre

Há uma máxima que diz “escreveu, não leu, o pau comeu”. Basicamente as pessoas entram em frias gigantescas por assinarem contratos e fecharem negócios sem o conhecimento pleno de todas as cláusulas e invariavelmente acabam se estrepando na mão de pessoas inescrupulosas, e isso não é de hoje.

A internet no entanto ajudou a ampliar a ação desses golpistas. No início deste ano Tim Berners-Lee elencou entre suas maiores preocupações com o futuro da rede o fato de que as pessoas assinam qualquer coisa sem ler, na pressa de ter acesso a um determinado produto ou serviço. O famoso “next, next, next, confirm” em qualquer instalação de programa, com usuários pulando a leitura dos Termos de Serviço já fez muita gente entrar pelo cano das mais diversas formas, e uma startup britânica acaba de mostrar isso de forma bem didática.

A Purple, uma companhia sediada em Manchester especializada em fornecer hotspots Wi-Fi para estabelecimentos como Pizza Express, Outback e Legoland resolveu aplicar uma tremenda pegadinha do Mallandro no público, tendo como alvo aqueles ávidos por utilizar uma conexão sem fio livre para não consumir seu próprio plano de dados. Embora seja de conhecimento público que uma rede aberta é uma porta aberta para criminosos tentando capturar dados dos usuários, muita gente nem dá bola e considera economizar seu precioso pacote de dados algo muito mais importante. Isso posto, quase ninguém lê os termos do contrato para a utilização do serviço.

Dessa forma a Purple fez um experimento por duas semanas, inserindo uma cláusula especial em que o usuário contratante do serviço de Wi-Fi se compromete a realizar uma série de serviços comunitários em troca do acesso à conexão gratuita, alguns bem absurdos tais como:

  • remover cocô de animais de parques;
  • dar abraços em cães e gatos abandonados;
  • desentupir bocas de esgoto manualmente;
  • limpar banheiros químicos em eventos e festivais;
  • pintar cascos de caracóis para “iluminar sua existência”;
  • remover chicletes de bancos públicos.

A Purple relata que durante o período mais de 22 mil pessoas ainda assim contrataram o serviço, provando que ninguém lê nada; tanto é que havia a opção dos usuários entrarem em contato com a empresa questionando as regras e reclamarem um prêmio, algo que apenas uma pessoa fez. A empresa diz que não vai obrigar ninguém a cumprir com o contrato, e a campanha foi apenas um alerta para que os usuários sejam mais atentos a acordos e sempre procurem se informar sobre os serviços que contratam. É também uma campanha para promover as novas regras que a União Europeia determinou com a Regulação Geral de Proteção a Dados, que visa proteger a população e entre outras coisas exige que contratos sejam sempre bem claros.

No mais fica a regra: sempre leia as letrinhas miúdas.

Fonte: Purple.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • 640k is enough

    No caso do Brasil, é melhor também ler as letras graúdas. 🙂

  • Aí, eu vou fechar algo e começo a ler… A balconista começa a olhar feio porque estou travando a fila. Sim! Acontece direto comigo. A última foi na Congás. Questionamento padrão: Você vai levar uma cópia. Resposta padrão: Minha filha, aí eu já assinei e me comprometi. Espere eu ler tudo.

    • советский медведь

      Já aconteceu comigo várias vezes também. É todo mundo te olha como se você fosse um alienígena.

      • E aprendi isto da PIOR maneira. Fechei na época para minha namorada um curso de informática nestes microxxxx da vida. Curso tosco. Tentei cancelar e tomei no fiofó tendo que pagar as “apostilias”.
        Depois disso são duas regras: 1) Ler tudo e 2) Só fechar contrato depois de 24h, deixando passar a emoção do momento.

        • Ivan

          já fiz um curso assim, mensalidade de 30 reais e apostila de 300

          • Na verdade isso é uma malandragem dupla, pra trancar o aluno E pagar menos imposto, pois livro é produto e entra em isenções fiscais. Já a mensalidade é de um serviço, que paga imposto sobre serviços.

      • Claudio Roberto Cussuol

        Pois acreditem: Eu fiz isso comprando um imóvel, e mesmo assim o povo da construtora me achou “esquisito” eles disseram que foi a primeira vez que um comprador quis esclarecer cláusula por cláusula (óbvio que o contrato foi escrito pelos advogados da construtora e elas eram BEM tendenciosas para puxar as coisas pro lado deles).
        Comprar uma casa é bem diferente de aceitar um wifi, e mesmo assim o povo não lê.

        • Não só comprei minha casa, como corri atrás de toda a documentação. O Gerente do banco perguntou se eu era economista porque eles “vendiam” este serviço para facilitar a vida do povo. Economizei uns bons trocados na época.

          • Fabio_Galdino

            Tive a maior sorte com isso. Abri uma conta em um banco pra fazer o financiamento imobiliário. O gerente que abriu a conta pra mim tinha estudado e trabalhado com o cara que cuidava da parte dos doctos imobiliários no banco.
            Ele me passou o contato. Contato feito e consegui uma lista detalhada de todos os doctos que precisava. Isso me custou uma gravata (dada de presente) no fim do processo e alguns mil reais economizados…

        • Rafael Rodrigues

          O mais legal é que esse é o momento de maior tensão para o corretor. Tudo acertado, tudo alinhado, só falta o jamegão.

          Aí você para para ler tudo. O cara tá tão na fome que não duvido que consiga mudar uma coisa ou outra. No meu caso lemos, mas não achamos nada flagrantemente absurdo.

          • Claudio Roberto Cussuol

            Eu também consegui mudar um monte de coisa, ou eu simplesmente não compraria. O corretor, claro, fez tudo que estava ao alcance dele, senão não tinha comissão.

            As coisas mais absurdas eram indefensáveis, como você ser obrigado a pagar condomínio meses antes de receber a chave do imóvel.
            Ou: Se os índices de correção ficassem positivos a construtora te cobraria, mas se ficassem negativos você não teria direito ao reajuste pra baixo…..
            Eu briguei por isso e valeu a pena, nos últimos 3 meses o IGP-m ficou negativo e eu economizei 7k.

        • Curioso. Quando comprei meu apartamento o pessoal da CEF fez questão de não só ler o contrato todo como “traduzir” cláusula por cláusula do juridiquês pra linguagem de leigo e tanto eu quando o vendedor tivemos que rubricar uma por uma.
          Foi um porre.

          • é um porre, mas é melhor isso do quê quebrar as pernas depois…

          • kleber peters

            Aconteceu comigo também. Enfim, deve ser a questão da burocracia, instituição pública, o cara não queria atender mais ninguém… Vai saber!

        • B4klaudio

          Experimente tentar ler o contrato de serviços prestados em hospitais..

        • Caipiroto, o Capeta Caipira 😈

          Comigo acontece sempre também. A última foi na loja da Vivo, pq me pediram pra assinar um contrato digital e eu quis ler antes.

          Daí recebo a singela explicação: “ah fica tranquilo, o contrato vai pro seu email depois” e ainda me olhou torto porque educadamente respondi de que adianta ler depois de assinar. Detalhe que ela não pediu meu email.

  • LV

    Eu não leio pois se eu ler acabo não aceitando nada.

  • Claudio Roberto Cussuol

    Pra que ler? O máximo que podem acontecer é eles quererem te transformar em um Humancentipad.

  • EULA de software que o diga.
    Pro cerumano antenado/conectado de hoje, um textão de facebook é mais atraente.

  • Davi Leichsenring

    Hoje em dia eu leio todos os contratos, com exceção daqueles que me impediriam ao básico do ser humano, como atualização do Windows (Linux não, pvr), ou aqueles software que você já pagou e só aceita as cláusulas quando instala.

  • Paulo Bernardi

    Para informação: no Brasil, isso é caracterizado como contrato de adesão (o contrato já vem pronto, você só assina e não há nenhuma opção para contrapropor novas cláusulas. Por exemplo: telefonia, instalação de SW, etc.) São diferentes dos contratos negociados (compra e venda de uma casa, por exemplo), em que os dois lados lêem e podem discutir cada cláusula.

    É bem fácil quebrar um contrato de adesão. Já um contrato negociado o negócio é mais embaixo.

    • Tanto que o contrato de adesão tem um nome lindo: Contrato Leonino, e justamente por isso você pode cancelá-lo de maneira mais simples.

  • Guzats

    Sempre leia os contratos, principalmente com a Apple ou vc pode virar um centopad humano

  • Don Scopel

    Isso me lembrou o que vi uns 15 anos atrás: eu trabalhava alocado em uma empresa X, ela conseguiu fechar contrato com a grande empresa Y pra prestarem um grande serviço, fizeram o contrato padrão e mandaram pra Y assinar, o contrato volta assinado e todo mundo feliz comemorando, dai um cara (q ate hj eu não sei o q ele fazia lá além de ver p0rn o dia todo) pega o contrato e começa ler página por página (eram muitas páginas) e ele reparou que algumas coisas estavam diferentes, pois ele descobriu que a empresa Y havia trocados umas folhas do contrato pra se beneficiar

  • Tuelho a jato

    “O famoso “next, next, next, confirm” em qualquer instalação de programa, com usuários pulando a leitura dos Termos de Serviço já fez muita gente entrar pelo cano das mais diversas formas, e uma startup britânica acaba de mostrar isso de forma bem didática.”

    Você compra um software de 400 Reais (olá Windows [já isso muito keyloger mas chega uma hora que da raiva dos bugs ]) ou um jogo ou qualquer merda que seja e aí você lê o contrato “E.U.L.A” e a lei só te da direito se o produto tiver defeito de fabricação e não cobre os desejos do consumidor do tipo ” quero trocar essa mídia porque ele pede minha alma em troca de jogar esse wow da vida e sou religioso e não posso e por isso gostaria de meu dinheiro de volta” .

    É praticamente obrigatório que você aceite o contrato pra poder usufruir do serviço/produto que você já comprou.

  • Goodtimes

    Resta saber se, com este contrato, as pessoas ficaram asseguradas contra coices de mula.

  • Vin Diesel

    Se o seu contrato for de imóvel e ele for dos sonhos. Seu pesadelo será o síndico e os vizinhos.

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