A história do Isqueiro Atômico

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Cientistas são humanos normais com um senso de curiosidade acima da média. Isso quer dizer que observam o mundo com olhos inquisitivos, fazendo o tempo todo perguntas sobre o Universo. Como humanos normais, claro, eles gostam de se divertir e, quando podem fazer os dois ao mesmo tempo, é perfeito. Um sujeito chamado Ted Taylor teve chance de fazer isso em 1/6/1952.

Era a era de ouro da pesquisa nuclear. Americanos e russos desenvolviam designs freneticamente. Ogivas nucleares que eram do tamanho de um caminhão logo cabiam em uma mochila, mas o mais divertido eram os testes.

Os EUA fizeram 1.032 testes de armas nucleares. Os russos 727, França 217, fora outros países como China, Índia e a Melhor Coréia. No total 2.475 dispositivos nucleares foram detonados. Desses testes 525 foram atmosféricos.

Veja as detonações nucleares entre 1945 e 2015:


Business Insider — Every nuclear bomb explosion in history

Uma dessas detonações fez parte do teste Scorpion/GEORGE. Ted Taylor era um dos muitos cientistas e engenheiros que acompanhavam o teste. Na véspera ele estava checando conexões em uma torre em uma área que seria exposta à explosão. A tal torre era cheia de câmeras, sensores, antenas, etc. Os dados eram transmitidos por cabos, protegidos por um cano, mas um rato havia entrado no cano.

Um técnico teve que bancar o Roto Rooter e tirar o rato do cano. Enquanto isso Ted ficava no alto da torre checando equipamentos, até que teve uma idéia. Arrumou um espelho parabólico, calculou o ponto focal em relação à explosão, preparou mais umas coisinhas e foi pra casa quando o rato foi desentupido.

No dia seguinte a ogiva nuclear de 15 quilotons explodiu conforme o planejado, criando uma nuvem de cogumelo de mais de 11 km de altura. O núcleo da explosão era uma bola de pura energia milhares de vezes mais brilhante do que o Sol. Parte dessa energia atingiu a torre, sendo captada pelas câmeras e sensores. Outra parte atingiu o espelho parabólico. A energia foi refletida e concentrada no ponto focal, onde Ted Taylor havia pendurado um cigarro Pall Mall, com um arame.

Reza a lenda que ele desfilou pela base com o primeiro e único cigarro aceso por uma explosão nuclear.

Se há exemplo melhor do ditado usar canhão pra matar passarinho, eu não conheço.

Fonte: Under the Cloud: The Decades of Nuclear Testing.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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