Google financia agência de notícias que contará com jornalistas robôs

Não é segredo para ninguém que os robôs vão nos substituir em diversas tarefas, principalmente as que demandam menos especialização mas mesmo algumas que exigem um pouco mais de qualificação estão sendo automatizadas. Temos por exemplo o caso do IBM Watson, que substituiu diversos salarymen no Japão em suas funções de calcular pagamentos de seguradoras. Já empresas de entregas expressa da China estão se robotizando, com os autômatos cuidando de tarefas que o pequeno Ping era responsável no passado.

Uma área que muita gente defende que um robô jamais será capaz de se enfiar é o jornalismo, mas mesmo ele já foi infiltrado em 2015: a AP, junto com a Automated Insights apresentou uma inteligência artificial plenamente capaz de redigir informes econômicos, a área mais burocrática, maçante e engessada da imprensa. Tudo ali é puramente mecânico e o sistema especialista se saiu muito bem, analisando as flutuações de mercado e publicando postagens e informes bem precisos. Hoje a IA sequer depende de monitoramento.

Só que a Press Association do Reino Unido quer ir além: ela deseja de fato automatizar até mesmo as notícias menos elaboradas, aquelas publicadas por outlets menores, redações independentes e até mesmo… blogueiros. O projeto, chamado Reporters and Data and Robots ou simplesmente RADAR envolve um sistema especialista capaz de redigir cerca de 30 mil histórias por mês. E o programa é tão promissor que chamou a atenção do Google: este realizou um investimento de £ 622.000 (cerca de R$ 2,6 milhões em valores de hoje, 10/07/2017) no RADAR, de modo a torna-lo realidade.

A ideia da associação de imprensa estatal é fechar parcerias com publishers para que estes venham a utilizar os serviços do RADAR em notas de menor importância, do nível clássico dos informes dos estagiários do G1, Folha, Estado e etc. com a diferença que os robôs escrevem melhor. Isso não significa entretanto que os jornalistas vão perder seus empregos: segundo o editor-chefe da PA Peter Clifton, os tradicionais ainda serão vitais para a imprensa na forma de artigos e notícias embasados, com opinião e mais elaborados. A IA ficará encarregada de automatizar publicações de menor impacto e mais gerais como das colunas de saúde, emprego, segurança e outras que provém pouca variação e interação direta. Em suma o RADAR será o “foca” encarregado das piores matérias, os press releases, os “Caetano Veloso atravessa a rua” e etc.

A PA pretende colocar o RADAR em funcionamento em 2018, e este dependerá de uma base de dados aberta para gerar as notícias, este administrado por cinco pessoas que se encarregarão de alimenta-lo com informações vindas do governo, autoridades locais, serviços de saúde, instituições financeiras e outros; os robôs utilizarão Processamento de Linguagem Natural para redigir as matérias de modo que o resultado fique minimamente decente e fluído, e não algo saído do Google Tradutor.

Fonte: BBC.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • Jorge Dondeo

    A CNN já faz isso a um tempão. Old!

  • Pelo menos estaremos livres de erros de digitação. #SQN

  • PPKX XD ✓ᵛᵉʳᶦᶠᶦᵉᵈ

    Vai automatizar o G1z inteiro então, mas com melhor qualidade de traduções

  • Vagner Da Silva

    O que será pior, um jornalista robô ou um jornalista fantoche? Essa merda de futuro pós-apocalíptico tá cada dia pior…

    • Cocainum

      Sabe a história da rã e da água fervendo? Pois é. Estamos caminhando para um futuro pós-apocalíptico SEM o apocalipse.

    • Ivan

      O pior quando recebiam com verba publica.

      • Christian Oliveira

        Continuam recebendo.

        • Cocainum

          Hahaha. Algumas empresas de mídia tiveram 3.000% de aumento na verba pública. AGORA SIM é que estão recebendo bastante.

          • Ivan

            Enquanto outros como carta capital, brasil 247 e afins estão implorando por doações, triste ver “jornais” tão bons sofrendo nessa crise.

          • Cocainum

            Pra você ver. Antes, as verbas iam para todos. Agora só para quem fala bem. A IstoÉ, por exemplo, que elegeu Temer “O Homem do Ano”, teve aumento de 500% na sua verba.

          • Ivan

            Dinheiro roubado da população sendo bem utilizado, sqn.

    • José Carvalho

      O que a AI vende é que os dois são a mesma coisa… e são mesmo

  • Washington Lins

    Imagina quando eles começarem a seguir celebridades no instagram e facebook e passem a criar notas do tipo “Fulano atravessa rua no Leblon”.

  • Maxsuel Lima

    ai dentro

  • https://68.media.tumblr.com/8cb89848958bac8792843da295bd4b38/tumblr_inline_nztuh3QMI91sb080b_500.gif

  • Christian Oliveira

    Acho que teremos apenas algumas profissões artísticas, construção civil, manufaturas específicas e esportivas.
    De resto a grande maioria já está se transformando, tenho acompanhado e visto com aceleração a virtualização e nuvem acabando com a necessidade de muitos postos de trabalho.
    Um número gigantesco de analistas e engenheiros estão sendo substituídos por serviços e aplicações na nuvem, por serem centralizados demandam muito menos pessoas para implantar e dar manutenção.

    • EmuManíaco

      construção civil? tem prédios sendo construídos em 24 horas.

      • Christian Oliveira

        levantar sim, acabamento, elevadores, sistemas de automação, ainda não.

      • Deni Carson de Souza

        Essa história de prédios erguidos em 24 horas é meia verdade. Na real a todo um serviço de engenharia e pré produção dos blocos que após tudo pronto são “montados” em tempo ínfimo, só que a etapa anterior pode levar meses ou anos dependendo da complexidade.

  • Mateus Silva

    Será que já estão desenvolvendo robôs datilógrafos para as agências estatais brasileiras ?

    • Mirai Densetsu

      E quem gerenciaria? O SERPRO?

      • Mateus Silva

        Pode ser o Serpro porem também podem ser gerenciados pelo partido no poder, podem ser gerenciados por datilografos humanos.

        • Mirai Densetsu

          Não sabia que partidos políticos brasileiros ligassem para tecnologia.

    • Higor Queiroz

      coreia curtiu sua ideia

  • Luiz Antonio

    “artigos e notícias embasados, com opinião e mais elaborados”, cada dia mais raros no novo jornalismo modo telegráfico dos dias atuais. 🙁

  • Fabio

    Aproveitando o ensejo, vocês podem me indicar mais sites de tecnologia e ciência que não só reproduzam informações de releases oficiais em outro formato, mas que tenham matérias com opinião, ao estilo Meiobit?

  • Pingback: Google financia agência de notícias que contará com jornalistas robôs | Notícias Legais()

  • Meganegão

    Sera que os noticiários vão voltar a fazer o que eram pra fazer que é dar noticias ao invés de opiniões?

    • Cocainum

      Mas como as pessoas vão saber o que devem pensar? Você por acaso está sugerindo que elas devem pensar por si mesmas? Que absurdo.

      • Meganegão

        Falávamos isso dos computadores e olho onde eles estão. Eu acredito sim que humanos são capazes de formar sua própria e única opinião. Talvez esta minha previsão nao se realize nos próximos anos, mas quem sabe daqui a 30 ou 40 anos.

        • Cocainum

          Eu estava sendo irônico. Claro que acho que as pessoas devem formar sua própria opinião, com base nos fatos noticiados, não na opinião do jornalista, que por “coincidência” é sempre a mesma do dono do jornal. Mas, sinceramente, não vejo a coisa melhorando no decorrer dos próximos anos. Pelo contrário.

          • Meganegão

            Esses dias mesmo. Vi algo incrível. No bar a tv em um telejornal sensacionalista da record, após a carga de opinião feita pelo ancora escutei algo que não ouvia a tempo, “não concordo” de uma noticia que não era nem futebol nem coxinhas x mortadelas. Fiquei impressionado, creio que era efeito do álcool e agora entendo porque churchill era alcoólatra.

  • Oberaldo Gilmentoo

    Isso não significa entretanto que os jornalistas vão perder seus empregos: segundo o editor-chefe da PA Peter Clifton, os tradicionais ainda serão vitais para a imprensa na forma de artigos e notícias embasados, com opinião e mais elaborados.
    blá, blá, blá… “artigos e notícias embasados, com opinião e mais elaborados…”
    cascata que colocaram no press release para “amenizar” a notícia…
    o público nem sabe distinguir esse tipo de artigo; o público provavelmente não quer esse tipo de artigo. Os mesmos jornalistos e estagiários que escrevem m* no G1 e Folha precisariam nascer de novo para conseguir escrever “artigos e notícias embasados”…

  • Inquisidor

    desde que o robo não seja esquerdista hardcore igual os “jornalistas” do site de comedia G1

  • Cássio Amaral

    Já pensou um robô publicando artigos no Meio Bit?

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