Patente da Amazon visa impedir clientes de comparar preços online em suas lojas físicas

Jeff Bezos teve uma semana deveras estranha. A maioria dos especialistas de mercado e investidores da Amazon ainda não conseguiram entender os motivos que o levaram a adquirir a Whole Foods, uma rede de produtos e alimentos naturais por assombrosos US$ 13,7 bilhões. Isso é pouco mais da metade do que a Microsoft desembolsou pelo LinkedIn, sua maior aquisição até o momento.

A estratégia de Bezos é se expandir para o mercado de abastecimento, não oferecer uma loja virtual onde você pode comprar/vender qualquer coisa. O Amazon Go, que é um experimento também vai na mesma direção e não podemos esquecer das lojas físicas já existentes da Amazon, em que ela comercializa livros e seus Kindles. Cativar o consumidor também é importante, ao mesmo tempo que não é lá muito interessante permitir que ele debande para a concorrência.

É prática comum entrarmos em uma loja e ao dar de cara com um produto que queremos, darmos um pulo na internet e verificar quanto ele custa num concorrente. A Amazon se beneficiou dessa estratégia por muito tempo por oferecer preços mais competitivos mas decidiu que não vai permitir que os rivais usem isso contra ela; pelo menos não utilizando a rede Wi-Fi de suas lojas.

No último dia 30 a companhia garantiu junto ao escritório de patentes dos EUA uma ideia para impedir que seus clientes  fucem nos sites de seus rivais dentro de seus estabelecimentos: chamada “Controle de Compras on-line da Loja Física”, o sistema da loja verificaria o tráfego dos dispositivos móveis conectados em sua rede e identificaria quando um consumidor estiver acessando o site de um concorrente; a partir daí o sistema tomaria uma dentre várias ações:

  • bloquear o acesso ao site do concorrente; a mais antipática;
  • redirecionar o usuário ao site da Amazon ou para outros parceiros;
  • notificar um vendedor para que este aborde o consumidor, algo que muitos odeiam;
  • enviar um SMS, um cupom de desconto ou uma notificação ao dispositivo, chamando o cliente de volta à esfera de produtos e serviços da Amazon.

Alguns especialistas torcem o nariz para a patente. Jeffrey Chester, diretor-executivo do Centro para Democracia Digital diz que a patente é um sistema de Big Data stealth que não foi avaliado se é seguro ou não, levantando a possibilidade da Amazon coletar inúmeros outros dados e não se limitar apenas a detectar se um usuário em sua rede abriu o site da GameStop ou da BestBuy. Só que patentes não garantem que a tecnologia será implementada e mesmo que seja, tudo se resolve evitando a conexão gratuita das lojas.

Procurada, a Amazon não comentou o assunto.

Fonte: The Washington Post, que ironicamente pertence à Amazon

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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  • desligo o wifi e ligo meus dados e faço a busca, e ai, vai me bloquear? 😀

    • Germano

      Ia comentar exatamente isso.

      • Felipe Braz

        Idem

    • DumbSloth87

      Então, nunca liguei nesses wi-fi público, e olha que nem sou desses paranóico com privacidade e tals.

      • Fred

        Achei que fosse o único

    • SacoCheio

      Claro, até o dia em que sua operadora for adquirida pela Amazon. Não duvide…

      Aí só vai ter um jeito: apelar para a Anatel, a defensora do cidadão contribuinte! #sqn

    • Luiz

      existem bloqueadores de sinal, voce sabe né

    • Mirai Densetsu

      A não ser que a loja bloqueie sinais de celulares.

  • Jorge Dondeo

    Ta ai uma ideia inútil.

    • Não necessariamente. Ela pode estar se resguardando, caso algum corrente faça isso, pois estaria violando a patente dela.

      • Ivan

        Ainda mais no EUA onde tudo é “patenteavel” apple patenteou uma sacola.

        • Eu costumo dizer que o sistema de patentes dos EUA é uma imensa piada de mal gosto. A Microsoft patenteou o Virtual Desktop Manager utilizando imagens do KDE e Gnome https://www.google.com/patents/US7010755

          E o que dizer sobre a patente de teletransporte?!
          https://www.google.com/patents/US20060071122

          • tuneman

            cacete, que absurdo. olha lá os icones do gnome e kde!!

          • Esse mercado de patentes americano é muito pernicioso. É muito fácil patentear uma ideia, sem qualquer protótipo minimante funcional como pelo menos prova de conceito. Assim é muito fácil 😛

          • Por isso que eu falo que é uma grande piada esse sistema deles, pois permitem o registro de uma ideia subjetiva, sem uma prova de conceito pelo menos.

            Imagina uma empresa investir milhões de dólares na viabilidade do teletransporte, por exemplo, aí tem que pagar royalties pro malandro que sequer colocou 1 centavo pra tornar realidade.

      • Jorge Dondeo

        Acho que você não entendeu, não to falando do ato de patentear, e sim da ideia. Efetividade zero.

  • Andre

    Acho que no fim vai ser só uma entrada no portfólio de patentes. Muita dor de cabeça pra pouco benefício pra Amazon.

  • DumbSloth87

    Os gringos tem um Buscapé deles?

    • Felipe Braz

      Sim, se chama FindFoot

    • Google Shopping

      • DumbSloth87

        Será q a Amazon vai bloquear o Google Shopping?!

        • Muito difícil. Isso deve ser mais uma forma protetiva do que de fato colocarem em prática.

  • Isso pode ser meramente também para, tendo a patente, evitar que as outras redes façam o mesmo contra a Amazon, o que violaria a patente dela.

    • Thiago Cururu

      Provavelmente seria a finalidade mais aceitável pela opinião pública

  • Ghustavo Taufner Franco

    my car, my rules.

    • SacoCheio

      Os morros cariocas e o mar da somália também têm essa economia bem livre, sem regulação alguma.

      • Luiz

        muito pelo contrario, vai tentar abrir uma “loja” nova

        • SacoCheio

          Converse sobre isso com os traficantes cariocas, com os piratas somalianos ou com a Amazon. Procure as diferenças. spoiler: se chama regulação.

          • Mirai Densetsu

            Mas a regulação é feita, por definição, por um Estado.

            Mas te desafio a entrar no site do planalto pra achar a lei que autoriza os traficantes a definirem o que abre no morro.

          • SacoCheio

            BINGO! ENTÃO, não vale o “my car, my rules”. Tem que haver regulação para haver concorrência justa.

  • Cássio Amaral

    Sinceramente, acho que é só para ter posse da patente mesmo, e evitar que concorrentes a usem. Acho que geraria uma antipatia muito grande por parte dos consumidores. Até porque bastaria navegar para comparar preços, usando rede de dados, às vezes faço isso quando vou em lojas daqui.

  • Germano

    Eu posso estar enganado, mas isso ai não é simplesmente colocar URLs (sites) na blacklist do proxy? Ou seja, bloquear sites tal como acontece com alguns nos nossos trabalhos? Se sim, dá para patentear isso?

    • Flávio Pedroza

      Pois é, cade a inovação? Pra mim, não passa de um caso de patent troll.

    • Mateus Azevedo

      Pensei nisso também. A princípio não há nada de novo, apenas regras de proxy para bloqueio de conteúdo.
      Mas creio que a patente tenha a ver com os outros itens da lista, como o redirecionamento para a loja da Amazon, aviso do vendedor e os descontos.

    • Daniel Pasturchak

      Nome disso é Gourmetização de bloqueio. Tem etiqueta, nome bonito e coisa e tal.

  • советский медведь

    As 3 primeiras opções são bem inconvenientes, mas a última não. Eu iria até gosta de receber um cupom de desconto para pagar o mesmo preço que pagaria online enquanto ainda estou na loja, assim economizo e ainda retiro o produto na hora, sem depender dos correios.
    A diferença é que nós EUA se você compra online, enquanto está na loja corre o risco de chegar em casa e o pedido já estar na sua porta.

  • LV

    2017 e tem gente se pendurando. Wi-Fi de estabelecimento comercial? Pqp

  • VilsoniJunior

    Eu costumo usar o pricegrabber ou o Google shopping. Mas, em geral, quando eu chego a ir em alguma loja dificilmente vou sair de lá sem aquilo que eu fui comprar, mesmo que a diferença seja uns 10%.

  • David Kwast

    HTTPS não deveria impedir isto? Talvez não importe se a Amazon atacar pelo DNS local e não direcionar para HTTPS nunca.

  • notificar um vendedor para que este aborde o consumidor, algo que muitos odeiam;

    Uma vez, muitos anos atrás, antes de ter um celular com câmera para tirar fotos, estive numa FNAC pesquisando preços e modelos de roteadores e fiquei anotando as características de cada um num bloquinho, para referência depois. Não deu muito tempo nisso e veio um segurança me “alertar” que eu não poderia ficar fazendo anotações dentro da loja sem “autorização”. Ou seja, abordar consumidor porque eles acham que está fazendo algo que não querem que façam não é bem uma novidade 😛

    • MJuliani

      Isso aconteceu comigo também na FNAC, estava anotando o nome de um livro e o segurança veio me dizer que não podia copiar nada do livro. Como se eu fosse transcrever o livro todo.

  • Meninão Bobo

    Amazon a nova Apple?

  • Salles Magalhaes

    Já pensou se interceptassem o tráfego é trocassem o preço do produto do concorrente (exemplo: se o Walmart vendesse um produto por $10 ao acessar o site do Walmart de dentro da loja da amazon o preço exibido seria $12)

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