No céu tem pão? Cientistas alemães dizem que em breve terá

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Até hoje existe a imagem de “comida de astronauta”, onde eles bebem Tang e comem o que quer que seja aquilo dentro de tubos de pasta de dente. Isso realmente existiu por um tempo, mas hoje a coisa é bem mais tranquila: quando as estrelas se alinham corretamente, eles ganham até sorvete.

O medo original da NASA era que os astronautas não conseguissem engolir a comida em microgravidade. Em verdade se sabia muito pouco de como o corpo humano se comportaria, alguns até achavam que a sensação de queda deixaria os astronautas apavorados. A idéia de fragmentos de comida flutuando e sendo aspirados também não era interessante, por isso por um tempo só se comeu patê.

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A NASA ficou realmente apavorada em 1965, quando durante o vôo da Gemini 3 John Young revelou que tinha contrabandeado um sanduba de corned beef, comprado dois dias antes. Ele e Gus Grisson comeram o sanduíche, encheram a cabine de migalhas flutuantes e Houston ficou fumegante de raiva.

O cardápio dos astronautas atualmente é bem mais amigável, mas eles ainda comem somente comida pré-preparada, além do gasto de energia para preparar alimentos ser muito grande, a idéia de ingredientes flutuando não é agradável.

Por isso o pão que astronautas comem é pão árabe ou tortilhas, mas a alemã OHB System quer mudar isso. Eles são uma das maiores empresas européias de tecnologia espacial, e estão desenvolvendo um forno para ser usado aonde nenhuma baguete jamais esteve.

Há uma série de restrições para colocar um forno no espaço. Gás, nem pensar, metade da NASA cometeria harakiri se alguém sugerisse levar um botijão de propano pro espaço, para cozinhar. Elétrico é o caminho, mas ele precisa ser muito eficiente. Um forninho dos mais vagabundos vai te comer uns 6.000 W. A OHB quer fazer o serviço com 250 W.

O isolamento térmico tem que ser excelente também, senão o sistema de suporte de vida vai ter que brigar para esfriar o ambiente aquecido pelo forno, que por sua vez vai brigar para esquentar o forno esfriado pelo sistema de suporte de vida. Calcularam que a superfície do forno ligado não deve passar de 45 graus. Claro, não usarão tecnologia AMD.

Eles pretendem testar ano que vem na ISS várias das tecnologias envolvidas na construção do forno. Do ponto de vista psicológico é algo muito bem-vindo, o cheiro de uma fornada quentinha de pães pode ser o ponto alto do dia dos astronautas, que ao menos já contam com café de verdade, depois que uma empresa italiana desenvolveu uma cafeteira espacial.

O lado ruim é que agora a frase “O forninho caiu” se tornará assustadora, se vier de Houston.

Fonte: New Scientist.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz e Calcinhas no Espaço.

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