Os Ratos Explosivos da Segunda Guerra Mundial

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A Guerra, por pura necessidade estimula a criatividade humana. Os mais incríveis planos são formulados. Alguns são apenas ridículos, como a Bomba Gay. Outros apenas não são práticos, como os balões japoneses com explosivos, que viajavam milhares de Quilômetros até os EUA.

Algumas vezes, por pura sorte um plano é ridículo, risível, dá errado mas tudo dá certo.

Foi o caso com os Ratos Explosivos.

Era importante atacar os nazistas não só na frente de batalha, mas no dia-a-dia, tornando a ocupação dos países invadidos custosa. Sabotagem era a ordem do dia, mas como a Convenção de Genebra proibia coisas cruéis como instalar Java nos computadores do inimigo, os aliados usaram outros métodos.

Muitos desses criados pelo SOE — Special Operations Executive, uma agência de inteligência britânica especializada em operações contrarevolucionárias, espionagem e sabotagem. Uma dessas idéias era sabotar com explosivos caldeiras usadas para aquecimento e pequena produção industrial.

Em tempos pré-missão impossível um agente infiltrado não teria tempo de deixar uma bomba com um contador digital fazendo bip bip, era preciso que o sabotador saísse calmamente e a bomba só explodisse BEM depois, assim ninguém associaria os dois.

Surgiu então a idéia de esvaziar um rato, encher de explosivo plástico, com um detonador, fechar de volta e abandonar nas salas de caldeiras, onde era comum aparecerem ratos mortos.

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Qual o destino mais comum de ratos mortos? Vão pra caldeira. O detonador seria ativado pelo fogo, o rato explodiria, destruiria a caldeira e com sorte alguns nazistas ou colaboradores. Sem uma busca detalhada mesmo que o sabotador fosse revistado, podia dizer que tinha recolhido o rato pra jogar fora.

O plano teria dado certo se não fossem esses garotos intrometidos, esse cachorro idiota e o primeiro carregamento de ratos explosivos ter sido capturado pelos nazistas. Tudo veio à tona, os ingleses cancelaram todos os planos e pararam de produzir ratos, para tristeza de um fornecedor de Londres, que achava que seus bichinhos estavam sendo comprados por uma Universidade.

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Mesmo assim a rotina dos nazistas mudou. Eles acharam fascinante a idéia, exemplares dos ratos foram enviados para Berlim, mostrados nas escolas militares e toda vez que um rato aparecia em uma sala de caldeiras em alguma área militar ou ocupada, tudo parava enquanto especialistas examinavam se era um rato de verdade ou um rato-bomba.

Do mesmo jeito que os ingleses fizeram os argentinos alterar suas rotas de navegação ao sugerir que tinham submarinos na região das Falklands, semanas antes de ter, os ingleses complicaram a vida dos nazistas, e nenhum rato precisou ser ferido.

Exceto os que morreram pro primeiro lote.

 

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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  • Atrollando Natuacara
  • Rolando

    Fascinante. Para ganhar uma guerra você realmente tem de atacar em vários frontes, além é claro de ganhar a guerra da propaganda em casa, a guerra do Vietnã foi um bom exemplo disso, os EUA poderiam ter continuado e ganhado a guerra e evitado que os comunistas vietnamitas tomassem o país e matassem milhares de vietnamitas não comunistas mas a propaganda contra a guerra nos EUA fez o governo sair do Vietnã.

    • Oberaldo Gilmentoo

      Talvez pudesse ter havido mais propaganda e talvez o resultado fosse outro, mas, de todo modo, a serventia disso é bastante questionável… sabendo agora o que sabemos, qual o efeito de manter o Vietnã do sul? Evitar matar milhares de vietnamitas não comunistas, mas, isso seria a um preço de ainda mais milhares de americanos, e mais bilhões de dólares? E na geopolítica, tivesse o Vietnã do sul deixado de existir ou não, mudou alguma coisa?

      • Rolando

        O custo realmente seria alto tanto em vidas como economicamente, mas na época a retirada foi uma grande propaganda para os comunistas o que deve ter incentivado os comunistas de outros países a pegar em armas. Não dá para dizer com certeza mas essa retirada no final deve ter custado mais vidas de soldados para lutar em outros lugares e mais dinheiro gasto nessas ações.

  • jairo

    Criatividade e contra informação fazem mais estrago do que artefatos convencionais

  • gfg

    Bem, pelo menos era uma ideia menos idiotas que as de morcegos bombas, e menos cruel e barbara que as dos russos de usar cacthurros.

  • cloverfield

    Eu já tinha lido sobre explosivos disfarçados de carvão que os ingleses colocavam no meio dos que eram usados pelos alemães, mas essa dos ratos é novidade pra mim.

    • Idéia que surgiu na guerra civil dos EUA, eles usavam peças de metal cheias de pólvora disfarçadas de carvão, destruiram um monte de barcos assim.

      • cloverfield

        Imagina o susto que o cara levava (se ele sobrevivesse, claro).

  • Pingback: Os Ratos Explosivos da Segunda Guerra Mundial | Notícias Legais()

  • André K

    De todas as ideias idiotas de Hitler, a de considerar os ingleses um povo mais “digno” (até aí, correto) e achar que até por isso conseguiria negociar uma paz com eles (santa ingenuidade, Batman) foi a mais idiota de todas.

    • Se o 1º ministro ainda fosse o Chamberlain acho que essa paz teria acontecido, hein.

      • André K

        Não tinha como o Chamberlain manter a cadeira de primeiro ministro naquelas condições.

  • Felipe A.G. de Souza

    Para fins de serviço comunitário, o Kamikaze Rat de Total Annihilation: Kingdoms. De nada.

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  • Theuer

    “O plano teria dado certo se…” puuuuuta anticlimax!

  • sebastiao coelho

    Um filme de guerra antigo, “Os Canhões de Navarone”, tinha uma cena que mostrava um rato-bomba. E a função era justamente atrasar os Nazistas. Nunca pensei que o artefato era real.

  • Gui

    Já havia lido sobre os soviéticos terem tentado usar cachorros-bombas sem sucesso, mas essa dos ingleses usarem ratos é nova para mim.

    • Salles Magalhaes

      Acho que essa dos cachorros ja foi postada aqui no MB

  • Monstro Medieval

    Me lembrei da história das minas disfarçadas de cocô de camelo. Os alemães achavam que dava sorte passar com o tanque por cima de cocô de camelo, os aliados começaram a disfarçar as minas assim. Quando perceberam isso, os alemães só passavam por cima de cocô amassado. Os aliados passaram a fazer minas disfarçadas de cocô amassado.

    Sei lá se é lenda, mas é excelente.

  • Carlos José Da Costa

    Provavelmente inspirado em Genghis Kahn, que pediu 1000 gatos e 10000 andorinhas as chineses em troca de desistir de invadir as muralhas. Ele recebeu os animais e colocou combustível queimando dos rabos dos animis, que voltaram pra casa e incendiaram a cidade causando caos.

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