Cannes diz não à Netflix, mas serviços de streaming não precisam do festival

tilda-swinton-okja

O mais novo assunto do momento é a decisão (um tanto compreensível, na verdade) do Festival de Cannes em banir do festival a partir de 2018 filmes que não estreiem no circuito tradicional (principalmente) na França e no resto do mundo. A medida foi tomada porque a Netflix, que participará do evento neste ano com duas produções enrolou e acabou por não lançá-las nos cinemas, como a organização de Cannes exigiu.

Mas sendo bem sincero serviços de streaming não precisam de premiações tradicionais para provar que suas produções originais são boas, basta ver o que a indústria pr0n e a MTV fizeram.

A Netflix conseguiu vagas para competir no festival deste ano, que começa na próxima quarta-feira com duas produções exclusivas: o novo filme do diretor independente Noah Baumbach The Meyerowitz Stories, estrelado por Dustin Hoffman e Ben Stiller e Okja, do diretor de Expresso do Amanhã Bong Joon-ho e que conta com Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal no elenco. Ambos são aguardados com muita pompa e circunstância por se tratarem de produções de primeira linha, com astros do primeiro escalão de Hollywood e devido a isso, são a prova de que a Netflix não está poupando esforços para competir de igual para igual com os grandes estúdios de cinema.


OKJA | Teaser [HD] | Netflix

Só que por se tratarem de filmes e não séries ou documentários a resistência para com obras produzidas por serviços de streaming como Netflix, Hulu, Amazon Prime Video e outros é grande por um simples motivo: eles geralmente não são distribuídos em grande circuito, apenas via internet. Essa foi uma das condições impostas pelos organizadores do Festival de Cannes para aceitar a inscrição dos filmes pelo serviço de Reed Hastings, mas a Netflix, que tem culpa no cartório enrolou e não o fez. A França possui regras rígidas quanto à distribuição de filmes, aqueles que não são exibidos nos cinemas ficam proibidos de serem incluídos em serviços de streaming e VOD no país por três anos, regra imposta após a recusa da Netflix (que surpresa…) de lançar Beasts of No Nation, de 2015 nas salas de projeção.

Isso posto, de modo a “dar apoio ao modo de exibição tradicional na França e no mundo” a organização de Cannes mudou as regras para 2018, já que não pode chutas os filmes já inscritos: a partir de agora qualquer produtora que deseje se inscrever no festival será obrigado a lançar os filmes no circuito francês, pelo menos.

A questão aqui não é o fato de que Cannes está restringindo a Netflix ou os demais serviços de streaming ao considerar suas produções “inferiores” por não passarem nas salas de cinema, e sim o fato que estes não precisam dos festivais tradicionais para alcançarem seu público. A comunicação com os assinantes é direta, não há intermediários, críticos, bilheteiros, emissoras, nada. É o serviço e o espectador fechando uma negociação direta, simples assim.

Assim, em vez de Netflix e cia. correrem atrás de Cannes, do Globo de Ouro ou do Oscar atrás de uma validação desnecessária, seria muito mais vantajoso para eles se organizarem e lançarem uma premiação própria, dentro de seus próprios termos. Foi o que a indústria do entretenimento adulto fez, através da revista especializada Adult Video News ao criar em 1984 o AVN Award, o “Oscar do Pr0n” e particularmente falando, uma premiação muito mais divertida que a da Academia.

A MTV fez igual nos anos 1980, quando criou o Video Music Awards para premiar uma categoria de produção de mídia na época recém-nascida, o videoclipe. Tempos depois, de modo a privilegiar aqueles filmes que os jovens, seu público principal gostavam mas nunca tinham vez no Oscar criaram sua própria versão de premiação do cinema, o MTV Movie Awards que hoje é um evento de primeira linha.

Nada impede que Netflix, Hulu, Amazon (através do Prime Video e do Twitch, que está prestes a receber conteúdo original), HBO, Sony (com PlayStation Vue e Crackle), Crunchyroll (que também já conta com conteúdo próprio) e outras se juntem e acabem lançando um “Streaming Awards” ou coisa que o valha, evento que nasceria com um extremo potencial simplesmente pelo fato de estar logo de cara disponível para seus assinantes, diretamente e sem intermediários. A audiência estaria garantida, a viabilidade com anunciantes também e evidentemente, o dinheiro entraria fácil.

Logo, quem precisa de Cannes?

Fonte: The Verge.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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